15 ANOS DA MAIOR FAÇANHA DO FUTEBOL DO NORTE

Por Mathaus Pauxis

paysandu 1Reprodução-Fotolog-Papão da Curuzu

​Há 15 anos o futebol do Norte brasileiro foi apresentado ao mundo. 24 de abril de 2003, La Bombonera, Argentina. Pelas oitavas de final da Copa Libertadores o poderoso Boca Júniors enfrentava o terceiro melhor time da América. O Paysandu, que passou com 14 pontos  e invicto na fase grupos, teve como maior desafio da história enfrentar o maior campeão do continente; e calou La Bombonera com gol de Iarley.

Enquanto o Boca atuou em uma espécie de 4-4-2 Losango – tentando controlar o meio-campo e envolver o adversário – o Paysandu apostou no 4-3-3, com três volantes para segurar a pressão do Boca Júniors; os três com qualidade para infiltrar e trocar passes.

paysandu 2Disposição da partida no começo

Sem um dito homem de referência, o Boca dependia muito da troca de passes e do apoio da segunda linha para conseguir penetrar na defesa do Paysandu, ou ficaria apenas nos cruzamentos – o que de fato aconteceu. Schelotto e Delgado ficavam basicamente pelos lados, trocando de posição constantemente. Porém, não recebiam bolas em condição e sempre tinham marcação dupla, às vezes até tripla.

O Paysandu apostou na velocidade e individualidade dos homens de lado e na disposição física de Robgol para importunar os defensores. Com o apoio de Lecheva pela direita, o Paysandu atacava às vezes em 4-2-4, no momento em que Vélber centraliza e abre espaço. A velocidade de Iarley foi terrível para Ibarra, que não aguentou os dribles do atacante e acabou substituído por Calvo ainda aos 18 minutos.

Dário Pereyra conseguiu controlar o Boca. Impediu a progressão do adversário e Iarley estava muito inspirado pela esquerda. Porém, tudo mudou quando Robgol e Rodriguez foram expulsos aos 20 minutos por se envolverem em uma confusão.

Velber então passou a ser o homem centralizado, atuando como falso 9, e Lecheva atuou como uma meia-extremado pela direita. O Boca revezou sobre quem atuaria pela esquerda, Cascini começou, mas Crossa foi para lá e tomou conta da posição (no segundo tempo veremos isso bem claro).

O meio-campo do Boca Júniors não conseguiu criar chances efetivas para os atacantes e mesmo com 10 homens o Paysandu não perdeu a compactação defensiva.

Usando a velocidade pelos lados e a alta intensidade na hora de roubar a bola, o Papão fez um jogo excelente, pois exercia uma compactação constante, melhorando os números ofensivos. O Paysandu finalizou certo 3 vezes na primeira etapa, esse foi o número total de chutes do Boca, que só acertou 1.

paysandu 3Após as expulsões, o Paysandu continuou compacto e o Boca ineficiente

O segundo tempo não poderia começar pior para o Paysandu. Logo aos 9 minutos Vanderson deu uma cotovelada em Schelotto e foi pra rua. Com nove homens em campo, o Papão teve que se virar colocando Brunno no lugar de Lecheva – deixando a marcação mais intensa e perdendo poder ofensivo.

Então, o Boca Júniors foi pra cima. Moreno entrou no lugar de Bataglia e se tornou essa referência no ataque. Com o Paysandu recuado, atuando às vezes no 4-4-0, a tendência era uma pressão absurda dos Xeneizes, que mudaram para um 3-3-3. Porém, o volume de jogo foi ineficiente e o time mais uma vez não conseguiu finalizar.

paysandu 4Paysandu sem Vanderson e Boca Júniors com Moreno. No ataque, Papão tinha 2 abertos

Por mais incrível e absurdo que pareça, a expulsão de Vanderson ajudou o Paysandu. Com a saída de Bataglia, o Boca perdeu marcação no lado direito da defesa. Sem Vanderson, Sandro foi deslocado para a esquerda. Bruno substituiu Lecheva para melhorar a defesa do Papão com 9 jogadores.

Então, Bruno recebeu na direita e achou Sandro livre na esquerda.  O volante teve um espaço gigante para progredir. Burdisso e Calvo estavam no 2 x 2 com Sandro e Iarley, mas ambos decidiram dar  o bote no portador da bola.

Com toda qualidade que tem, Sandro rolou para Iarley, que dominou, driblou os dois defensores que vinham correndo e finalizou pro fundo do gol. Confira o lance em 4 pontos.

 

Após ficar atrás do placar, o Boca teve que ir pro tudo ou nada. Carlitos Tevéz entrou para melhorar o jogo da equipe na frente, mas os problemas criativos continuaram e o time caiu novamente nos cruzamentos.

Rogerinho substituiu Vélber e o Papão só teve Iarley lá na frente nos últimos 15 minutos da partida, claro que contando com o apoio da segunda linha. Gino também entrou no lugar de Rodrigo, para aumentar o jogo aéreo e a energia.

paysandu 5
Boca Júniors fez uma pressão final e novamente ineficiente

Moreno foi útil já nos 47 minutos. Após uma sequência de impedimentos, ele subiu mais que Tinho e cabeceou firme, mas Ronaldo segurou e impediu uma das poucas chances claras do poderoso Boca Júniors, que caiu nos pés do até então desconhecido Paysandu.

Segurando o jogo e atacando mais perigosamente que os Argentinos (foram 4 finalizações certas – 57% – contra 2 do Boca – 33%), o Paysandu conquistou uma vitória heroica e calou La Bombonera. Intensidade, noção espacial e compactação, além de um ótimo dia de Iarley, fizeram o Paysandu entrar pra história do futebol mundial.

 @torotatico

 

Anúncios

Um comentário sobre “15 ANOS DA MAIOR FAÇANHA DO FUTEBOL DO NORTE

  1. Mais uma análise show de bola do @Torotático , e a valorização de um feito q até os dias de hj, e muito difícil de ser repetido. Obrigado MW Futebol, obrigado Toró Tático, Camila e todos q fizeram esta matéria se tornar realidade. Vcs são show, e me emocionaram.

    Curtir

Os comentários estão desativados.