PRONÚNCIA DO NORTE – Análise tática de Benfica 0 x 1 Porto

Por Nelson Duarte

No Clássico da Luz que iria decidir o título (segundo uns) houve pronúncia do Norte. O FC Porto soube, a dada altura, realizar uma alteração estratégica que lhe permitiu dominar os espaços (e, consequentemente, dominar o jogo) e o Tetra-campeão Português nunca se soube adaptar/contrariar.

 Durante a 1ª parte do Clássico foi possível ver um Benfica muito forte em Organização Ofensiva, que procurava fazer golo logo na 1ª parte e colocar ainda mais pressão sobre o FC Porto (pressão essa que sentiu bastante ao longo da 1ª parte). O Benfica a procurar construir e criar situações de finalização: através das suas dinâmicas padrão, no seu corredor lateral esquerdo com Cervi-Grimaldo-Zivkovic; através dos desequilíbrios de Rafa pelo corredor lateral direito e, também, através da tentativa de concentrar o FC Porto em dois corredores (lateral e central) e explorar o corredor lateral contrário, por meio de situações de 1vs1 ou de 2vs2 (quase que Cervi marcava numa destas movimentações).

A partir do instante em que o FC Porto começou a melhorar posicionamentos defensivos e, consequentemente, a impedir a progressão do Benfica para zonas de criação, a equipa de Lisboa começa a desdobrar-se em sucessivas posses horizontais (de corredor lateral a corredor lateral) e, nesse momento, começou-se a sentir a falta das soluções entre-linhas que Jonas dá à equipa (aliás, é possível ver no vídeo da 1ª parte que Jimenez, preferencialmente, pede bola na profundidade quando a equipa mais necessitava de um desbloqueador entre-linhas — mas é preciso compreender que Jimenez tem as suas características e não se pode pedir a Jimenez para ser Jonas, nem a Seferovic para ser João Carvalho).

Do lado do FC Porto, enquanto o Benfica tinha bola, Brahimi, no momento defensivo da sua equipa, foi revelando dificuldades para fechar espaços interiores (quando os seus colegas médios interiores – Sérgio e Herrera – se posicionavam no corredor lateral). O Argelino foi sendo chamado a atenção e foi, ao longo da 1ª parte, corrigindo/melhorando tais posicionamentos interiores, em momento defensivo.

Se muitas vezes se fala do Fejsa e da sua capacidade em travar as transições ofensivas dos adversários, que falar de Sérgio Oliveira? Impressionante o camisola 27 dos Dragões, em momento de transição defensiva da sua equipa. Não é por acaso que, mesmo quando Danilo estava apto, era Sérgio Oliveira e mais 1 (ou 2) no meio campo Portista.

Mas…foi a partir do minuto 30’ da 1ª parte que tudo mudou e o FC Porto venceu o Clássico (e, na minha opinião, se se quer vencer um duelo há que fazer alterações para permitir a equipa ter melhor qualidade com bola). Brahimi passou a jogar mais por dentro (corredor central) e os restantes (Otavio, Marega e Soares) alternariam entre corredor central e corredor lateral, com um detalhe: garantir a superioridade numérica no corredor central. A partir daquele minuto, foi possível ver vários tipos de superioridade do FC Porto (3vs2; 4vs3; 5vs3). Um sem fim de superioridades e o Benfica nunca soube reagir corretamente.

 

Na 2ª parte, devido à incapacidade do Benfica para contrariar a estratégia Portista, só deu FC Porto. E até quando se viu um jogo mais partido, onde havia constantes duelos aéreos e duelos de 2ª bola, o FC Porto foi melhor. Foi melhor porque até nesses momentos esteve mais compacto.

Viu-se um Benfica na 2ª parte com muito pouca bola devido ao mérito do FC Porto. E mérito porque? Porque, foi possível constatar que o FC Porto, tal como a partir do minuto 30’ da 1ª parte, teve, constantemente, superioridades numéricas ofensivas. Ora via-mos Herrera-Sergio-Otavio-Brahimi por dentro frente a Fejsa e Pizzi, ora via-mos Herrera-Sergio-Brahimi-Marega-Otavio por dentro frente a Fejsa-Pizzi-Zivkovic…e, para mim, é muito fácil: quem tem superioridade numérica no corredor central acaba por dominar os espaços e, necessariamente, estar mais próximo de dominar o jogo…e o FC Porto dominou o jogo e venceu-o, com todo o mérito.

Por fim, uma palavra para as substituições de Rui Vitória: como eu disse lá atrás que quando a equipa do Benfica, em determinado momento da 1ª parte, pedia Jonas no espaço entre-linhas e “só” havia Jimenez (“só” porque Jimenez não é jogador para espaços curtos e entre-linhas, mas sim um jogador de profundidade). Também a equipa, durante a 2ª parte, pedia João Carvalho (porque era o único médio disponível, uma vez que já tinha entrado Samaris) e a equipa recebeu Seferovic para o meio – para mim, a zona mais importante de todo o terreno de jogo. O problema não foi Seferovic, até porque poderia ter sido Salvio ou outro qualquer, o problema foi colocar as características de um homem como Seferovic a jogar no meio campo.

Ou seja, quando o jogo pedia equilíbrio, compactação e, quanto muito, não permitir a superioridade numérica do FC Porto no corredor central (daí a entrada de João Carvalho, porque tem características mais próximas àquilo que o momento pedia), o Benfica partiu-se, completamente, ao retirar Pizzi e colocar Seferovic (ver no vídeo da 2ª parte a passividade do Suíço, em momento de pressão, no lance do golo do FC Porto).

Como eu disse, o problema não foi Seferovic, o problema foi colocar as características de um homem como Seferovic a jogar ali, naquele espaço tão importante.

Para saberem mais sobre mim, bem como o meu percurso (académico e profissional) visitem: LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/nelsondiogoduarte/

Twitter: @NelsonDuarteee

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