VAIAS. O COMBUSTÍVEL DO FRACASSO. Análise tática de Vasco 2 x 1 Atlético MG

Por Ricardo Leite

O Vasco começou muito bem o jogo. Manteve a posse da bola (chegou a ter mais de 70% no início do jogo) e a valorizou. Quando era preciso voltava a jogada e os meias participavam intensamente dos minutos iniciais. Wellington se movimentou bastante mais uma vez e foi visto na direita (como de costume), fechando o centro ao lado do Desábato e até na esquerda. Ofensivamente também pôde ser visto, ora aberto como um ponta, ora compondo como um meia e até pisando na área. Apesar da boa movimentação Wellington vive uma péssima fase técnica, fica disperso quando tem a bola e é extremamente passivo na marcação. Desábato mais uma vez muito bem, apesar de sobrecarregado por seu colega de posição. Se desdobrou para fazer proteção, cobertura e saída de bola.

O Vasco jogou no esquema tático já esperado, marcando no 4-4-2, com o meia central (Evander) adiantando para fazer companhia a Riascos. Com a bola o Vasco ora jogava no 4-1-4-1, ora no 4-3-3.

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Apesar do bom início, o Vasco e o Martín Silva foram surpreendidos (não deveriam) por uma ótima finalização de Otero. O Vasco se manteve bem postado, e organizado, mas com o passar dos minutos a torcida passou a se calar e se manifestar somente para vaiar alguns jogadores. Rafael Galhardo, Wellington e Evander eram os principais. As vaias demonstravam uma insatisfação individual, mas o coletivo não mereceu isso em momento nenhum. O Vasco teve que enfrentar o placar adverso, o time adversário e alguns de seus milhares de aliados. O time sentiu e perdeu a confiança. Diminuiu a intensidade, aumentou o número de erros de passes e viu o Atlético subir a marcação. Assim dificultou a saída de bola do Vasco e ainda criou chances de ampliar.

Na volta do intervalo, Zé optou por manter o time, muito mais como uma forma de fortalecer os jogadores contestados do que mostrando satisfação com suas atuações individuais. Tanto que durante a segunda etapa Wellington e Galhardo foram substituídos e Evander recuado. Jogando de frente Evander acelerou as jogadas e fez viradas de jogo importantes para a progressão da equipe em direção ao gol adversário. Rildo e Galhardo entraram bem, deram volume e intensidade ao setor ofensivo. Wagner foi deslocado para o lado direito e manteve a boa atuação. Inclusive foi premiado com um gol. Vale destacar a entrega e evolução física dele, mesmo jogando aberto tem se desdobrado e feito partidas positivas. Ríos também entrou no lugar do inoperante Riascos (que acertou somente 9 passes durante o jogo), e conseguiu elevar o nível. O Vasco mantinha jogadores próximos e sempre com uma ou duas opções de passe.

vas 2Aproximação dos jogadores facilita o detentor da bola com mais opções de passe e as triangulações. Jogadores atacando espaço vazio.

Fato é que as substituições foram muito acertadas, mas as saídas foram perfeitas (Rildo e Galhardo continuam pedindo passagem, como no início do ano.). Talvez a escalação que terminou a partida seja a mais próxima do ideal atual. Meio campo com qualidade, jogadores de boa finalização e que pensam o jogo de forma vertical (mas voltando ao problema da cobertura do Pikachu em jogos com adversários mais ousados).

Os extremos do meio campo (Wagner e Pikachu) participaram mais como extremos armadores do que para dar amplitude e fazer jogadas de fundo. Ambos fizeram boas partidas e foram importantes para manutenção da posse e criação de jogadas no campo ofensivo.

vas 3Movimentação interessante. Pikachu tem a bola na direita. Wagner fecha na área pelo lado oposto e Evander dá opção na entrada da área.

O Vasco se lançou ao ataque e fez pressão no Galo, mas de forma equilibrada. Desábato muitas vezes fazia o terceiro zagueiro para adiantar os laterais.

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O Gigante da Colina terminou o jogo com 66% de posse de bola e 19 finalizações. Trocou quase 600 passes com bom aproveitamento (89%). E não foi uma posse de bola passiva, foi vertical e objetiva. Fato é que o Vasco não merecia perder, e não perdeu. Venceu de virada, no último minuto, como vem sendo rotina da equipe na temporada. Jogos intensos, taticamente interessantes e extremamente emocionantes. O gol do Pikachu após os 53 minutos do segundo tempo foi como um recado à torcida: A vaia pode nos levar ao fracasso (como no primeiro tempo), mas o apoio pode ser primordial para o sucesso. A torcida é a força da finalização certeira após os 45 minutos. Eles já mostraram que estão lutando por eles, pelo Vasco e por nós. E nós? O que faremos? Lembre-se, além do time da virada, o Vasco é o time do amor!

 

@analisevasco

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