SOLIDEZ DEFENSIVA FEZ O REMO SER CAMPEÃO PARAENSE

Por Mathaus Pauxis

“Os ataques ganham jogos, as defesas ganham campeonatos”. Essa frase atribuída a Phil Jackson,ex-treinador e ex-jogador de NBA serve e muito também para o futebol. Em Belém, no último domingo (8), o Clube do Remo venceu o Paysandu por 1 a 0 e conquistou o quadragésimo quinto título paraense.

(Foto: Fabio Will/Remo)
Essa partida foi a sétima sob o comando de Givanildo Oliveira e a quarta em que a equipe saiu sem sofrer gols. No total, foram 3 gols sofridos com o treinador tendo a média de 0.4 tomados por partida.
É um número bom para uma equipe limitada, que é ressaltado por um outro fator: Todos os gols sofridos com Giva foram de bola parada.
  1. Cametá 1 x 2 Remo (Escanteio)
  2. São Raimundo 1 x 0 Remo (Pênalti)
  3. Remo 2 x 1 Paysandu (Pênalti)

Além de terem sido por meio de bola parada, dois foram de pênalti, convertidos por Jefferson Monte Alegre (São Raimundo) e Cassiano (Paysandu). Cassiano, aliás, foi o único que conseguiu fazer gol no Remo de Givanildo jogando no Mangueirão. Em quatro partidas em casa (sendo três clássicos), o Leão só levou um gol – do maior rival.

O que explica essa mudança na defesa do Remo, visto que com Ney da Matta a média de gols sofridos era superior a 1, é a estratégia defensiva escolhida por Givanildo Oliveira.
Com Ney da Matta, o time se baseava em uma marcação individual – por encaixes – que dependia da movimentação do adversário e se não for bem trabalhada gera desorganização. Com Giva, a marcação passou a ser por zona, sempre se organizando antes de se adaptar ao adversário.

(Remo marca em 4-4-2, sempre se organizando antes de se adaptar)

Isso deixou o centro da defesa azulina mais protegido, impedindo passes verticais e forçando o adversário à tentar cruzamentos. Mas nem tudo é perfeito, com muitos cruzamentos o Remo mostrou desatenção em alguns momentos – principalmente na hora do balanço defensivo (quando a equipe se vira para o lado onde a jogada ocorre) – e contou com a ineficiência dos adversários na finalização.
No jogo do título foi assim, o Paysandu até teve espaço nas pontas azulinas, mas preferiu finalizar e não aproveitou. Quando aproveitou, teve chances mais claras com cruzamentos para a segunda trave.
Porém, do jeito que estava atuando, não havia como fazer outro gol de outra maneira contra o Remo. Pois, há muita gente do Remo próxima. Atacante e meia impedem os defensores adversários de saírem jogando com tranquilidade, enquanto os pontas fecham a passagem dos laterais – sempre buscando alinhar com os volantes.
Atacando, o time tenta buscar os espaços em velocidade e se perder a posse, já tem a defesa arrumada esperando o contra-ataque (quase nunca com menos de 4 jogadores)

(Exemplo: Atacando pela esquerda, o lado direito já se prepara para o contra-ataque. Felipe Recife entre os zagueiros ajuda também impedindo lançamentos longos pelo ar).
Para fazer gol no Remo, o adversário precisa ser mais rápido na jogada e aproveitar bem as zonas mais abertas, pois o balanço defensivo do time é lento. Pelo ar, só usando as costas dos laterais ou em jogadas de escanteio.
Pelo meio é bem difícil fazer gol no Leão e como no estadual até a equipe – teoricamente – mais qualificada não conseguiu usar as pontas contra o Remo, o time foi sólido na defesa. Além de quê, Vinícius foi o grande nome do Campeonato Paraense.
Givanildo arrumou a defesa fazendo o simples e eficiente na defesa, conseguindo quase sempre vencer sem levar gols. Porém, a equipe mostrou uma certa ineficiência na hora de propor o jogo, sempre dependendo da velocidade contra times espaçados, coisa que deve ser melhorada se o pensamento não for só regional.

@torotatico

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