O EGOÍSMO DE PEP CUSTOU A COMEMORAÇÃO DO TÍTULO CONTRA SEU MAIOR RIVAL

Por Caio Alves

Que a Premier League 17-18 é do Manchester City, ninguém duvida, nem mesmo os matemáticos, mas é inegável que Guardiola e sua equipe deixaram o melhor dos cenários escapar por egoísmo. A vitória contra o Manchester United, seu maior rival, em casa, o que resultaria em título, não passou de um sonho, tudo por conta do egoísmo do treinador ao priorizar o confronto contra o Liverpool, pela Champions League, onde precisa reverter um placar de 3×0. Pep deixou de escalar Walker, Laporte, De Bruyne e Aguero para colocar Danilo, Delph, Gundogan e Bernardo Silva, todos inferiores tecnica e/ou taticamente aos considerados titulares.

As equipes começaram, no papel, no 4-3-3. A proposta do United era a de defender-se no 5-4-1 e atacar no próprio 4-3-3, com Pogba atuando mais adiantado, flutuando entrelinhas e deixando Herrera-Matic com a parte defensiva, enquanto a proposta do City era a de defender-se no 4-1-4-1 e atacar no 4-2-4, como faz na maioria dos jogos.

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Até os 24 minutos, um minuto antes do City abrir o placar, o jogo mostrava-se equilibrado, com propostas bem definidas. Aos 25 minutos, Smalling cometeu erro infantil ao deixar Kompany subir livremente enquanto todos os outros jogadores marcavam seus oponentes. 5 minutos depois, o segundo tento. Gundogan em dia de Kevin De Bruyne — apenas neste lance. Sterling, em jogada pela ponta esquerda — não mais como falso 9, agora função de Silva —, faz o passe e Gundogan, ao pisar bem na área, assim como fez em boa parte do jogo, mostra a importância da jogada de corpo, quebrando a linha defensiva adversária e finalizando à gol. Nesse instante, o time de Mourinho havia se entregado psicologicamente e a goleada era questão de tempo.

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Durante todo o resto do primeiro tempo, o City aproveitou espaços e buracos deixados por Valencia e Herrera no lado direito. Valencia, aliás, que foi um dos piores da partida exatamente por essas falhas. Com o United atrás do placar e tomando um baile tático, Paul Pogba precisou ser recuado, formando trio com Herrera-Matic, o que resultava em extrema nulidade ofensiva da equipe. Silva, em atuação técnica e tática de outro mundo, foi o melhor dos citizens juntamente com Sterling. Até o segundo tempo.

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O Manchester United, no segundo tempo, seguiu com a mesma proposta e time, assim como o City. De um lado, muitos cruzamentos e pouca posse de bola. De outro, excelente aproveitamento nos passes — City terminou a partida com 64% contra 36% de posse de bola e o dobro de passes, 596 contra 318 — e perigos de gol.

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Pogba, por conta própria, decidiu adiantar-se e flutuar entrelinhas, assim como José Mourinho havia planejado desde o início. E deu muito certo. Enquanto Ander Herrera e Matic continuavam atuando mais atrás, Pogba começou a pisar na área. Assim que o Manchester United começou a rodar a bola e trocar passes com efetividade, Alexis achou Matic pisando na área, que deu assistência magistral ao francês, quebrando toda a linha defensiva do City. 2×1.

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Guardiola, no segundo tempo, resolveu mudar a postura ofensiva do time, alterando para o 4-3-3, com Silva vindo de trás e Sterling como falso 9. Aliás, Silva fez muito essa função na partida, o que mostrou muito repertório e acabou confundindo Bailly-Smaling. Quando Bernardo atuava como 9, o City ganhava em profundidade e lembrava um pouco mais a equipe com Gabriel Jesus. Quando com Sterling e Silva, perdia nesse aspecto, mas ganhava dinamismo entrelinhas, com Sané dando mais amplitude ao time e Gundogan pisando ainda mais na área. Mourinho seguiu com sua proposta equilibrada, mexendo apenas em Pogba mais propositivo. E o francês, mais uma vez, acabou marcando. 2×2. Minutos após, aos 69, a virada. Smalling, que falhara no gol, aproveitou o erro coletivo de Kompany-Otamendi-Delph e infiltrou-se na grande área, aproveitando o cruzamento.

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Desde então, o jogo foi extremamente propositivo do City e reativo do United, como deveria ser desde o início. As entradas de Kevin De Bruyne, Gabriel Jesus e Aguero de nada adiantou tatica e tecnicamente. Já era tarde. Manchester seguiu sendo vermelha.

@CaioAlves

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