PALMEIRAS É VICE-CAMPEÃO: as reflexões de mais uma derrota no Derby do século.

Por Juan Carlos Moura e Rafael Lima

O Corinthians fez o gol que dava a igualdade no confronto pelo título paulista com menos de 2 minutos de jogo. Para o Corinthians o jogo acabou aí.

A equipe queria os pênaltis, confiava no seu goleiro, e fez bem. Conquistou seu vigésimo nono título paulista.

No Palmeiras qual a percepção que fica após a dura derrota para o arqui rival? De terra arrasada? Que precisa demitir o técnico e trazer mais atletas?

Não.

A equipe tem pontos positivos, é bem distribuída em campo, tem esquema de jogo bem definido (4-2-3-1) e bons jogadores.

Roger Machado já deve ter percebido que terá muito trabalho pela frente. Especialmente por que o Palmeiras ainda tem muito do DNA campeão Brasileiro de 2016. Do futebol aleatório, das bolas alçadas, do abafa, do Cucabol. Esse expediente fica mais evidente quando a equipe está em desvantagem no placar.

O Palmeiras teve inacreditáveis 71% de posse de bola, trocou 521 passes sendo 441 passes certos (85% de aproveitamento), foram 37 cruzamentos (28 errados e 9 certos), finalizou 18 vezes (apenas 3 no alvo). Mesmo com todos esses números massacrantes Cássio fez apenas 3 defesas, e nenhuma com alto nível de dificuldade.

O Palmeiras sofre do mesmo problema que quase todas as equipes do futebol brasileiro, pouca imaginação para construir jogadas quando o adversário esta bem postado com todos os homens atrás da linha da bola.

Com a chegada ao Palmeiras o técnico Roger Machado procurou mudar algumas peças da equipe de lugar. Tirou Dudu da esquerda e passou a colocar o atleta como um ponta direita, encarregando de dar profundidade por aquele lado. Repare que o sempre ofensivo lateral Marcos Rocha raramente aparece na ponta, o atleta trabalha como um lateral armador trabalhando mais por dentro do que buscando o fundo.

palmeiras 1Marcos Rocha trabalhando por dentro, e Dudu dando profundidade.

Na esquerda é o lateral Victor Luiz que dá profundidade já que o atacante Willian busca sempre puxar pra dentro e finalizar, por característica pisa mais na área do que Dudu.

Roger Machado busca com isso ter superioridade numérica no meio de campo, prendendo mais o lateral direito e “colando” Dudu na ponta buscando sempre o um contra um. Se o atacante Keno esta em campo, Vitor Luiz “segura” mais, fazendo função parecida com a de Marcos Rocha, assim Keno e Dudu são os responsáveis por abrir a defesa adversária.

No meio campo Lucas Lima é o responsável por dar ritmo ao time, ser o homem do apoio, carimbar todas as bolas e buscar as diagonais com o atacante Borja.

Felipe Mello (que não jogou a final) faz o mesmo que o meia Lucas Lima, porém no primeiro terço de campo. E o faz com maestria, realiza bons passes verticais, lançamentos e busca diagonais longas procurando o lado fraco da defesa adversária. Bruno Henrique (ou Moisés) auxiliam Felipe Mello na saída de bola, e Lucas Lima no segundo terço do campo. O meio campista ainda tem liberdade para chegar na área adversária e finalizar. Roger Machado busca dessa forma controlar o maior número de ações variáveis dentro das partidas e diminuir o imponderável do jogo.

Se a equipe é tão bem ajustada, por que não conseguiu ser contundente na decisão e perdeu cinco dos últimos seis derbys, sendo três com Roger Machado.

Faltam ajustes que o tempo (e treinamento) pode ajudar. Talvez liberar um pouco mais os laterais e buscar a dobra nas pontas (Dudu mais Marcos Rocha, Victor Luiz mais Keno) para criar superioridade numérica, finalizar mais de fora da área, cruzar menos e passar mais a bola quando chegar a linha de fundo procurando um meio campista desmarcado para finalizar. Um exemplo é o próprio Corinthians que já faz isso a algum tempo, como no seu gol.

Alguns jogadores precisam entregar mais também, Dudu mais reclama, se joga mostra desequilíbrio do que joga futebol, cruzou 14 bolas na área sendo apenas 3 certas, finalizou 3 vezes (2 certas).

Lucas Lima tem dado muitos passes laterais (precisa fazer mais jogadas como a que originou o lance do pênalti/não pênalti) o meia jogou os 90 minutos e passou apenas uma bola para o centroavante, e finalizou uma vez em todo o jogo. Em uma partida em que o adversário esta bem postado, o meia central da equipe precisa arriscar mais passes verticais para o atacante, no caso para Borja finalizar. Borja  aliás parece ser um jogador que até hoje o Palmeiras não sabe bem as características do atacante que contratou.

No Atlético Nacional o atacante fazia as diagonais ou recebia a bola em velocidade para em um ou dois toques finalizar, e fez muitos gols assim. Já melhorou em relação a temporada passada, porém Borja é pouco abastecido do jeito que gosta de receber a bola, tem feito mais gols, porém basicamente dentro da pequena área oriundos de rebotes ou jogadas dos pontas da equipe. É preciso explorar mais a explosão do atacante e seu bom poder de finalização.

Na decisão do campeonato Paulista, o atacante passou 85 minutos em campo e finalizou apenas três vezes (todas erradas) sendo uma cabeçada, após cruzamento realizado por Marcos Rocha no arremesso lateral.

Moisés e Tchê Tchê parecem que serão sempre lembranças dos polivalentes volantes do título nacional de 2016.

Por mais que seja extremamente elogiado o elenco palmeirense está longe de ser tão poderoso quanto se acredita. Tem várias boas opções, e muitos jogadores com nível parecido, mas pouquíssimos jogadores decisivos.

No gol do Corinthians a bagunça defensiva lembrou o time do ex  técnico Cuca, com as linhas pouco ajustadas, muito espaço para os meias adversários, e as perseguições individuais. O zagueiro Antônio Carlos sai pra caçar Rodriguinho e quebra a linha defensiva, depois vai buscar Mateus Vital na lateral, e é facilmente fintado. Marcos Rocha falha também, não faz a cobertura do zagueiro e deixa a linha quebrada, também fica perdido no lance com Vital. Repare que no lance do gol Lucas Lima e Dudu ficam parados apenas observando Rodriguinho entrar na área e finalizar sem nenhum adversário próximo para atrapalhar o atleta, contra um time tão bem treinado e automatizado, essa sucessão de erros é mortal.

palmeiras 2Dudu e Lucas Lima apenas observando Rodriguinho entrando livre para finalizar e abrir o placar.

Por isso a lembrança do Cucabol de 2016, em desvantagem o Palmeiras tenta amassar o time adversário dentro da sua própria área, mas o jogo é pouco organizado, bolas são alçadas na área (em faltas de qualquer setor, escanteios e em arremessos laterais), até “achar” um gol, o ambiente hostil, e a pressão da torcida favoreceram a equipe no passado, mas nem sempre dá certo. É preciso controlar mais a partida, ontem o Palmeiras controlou a bola, o Corinthians controlou os espaços. Visivelmente o alvinegro de Parque São Jorge levou vantagem na sua proposta de jogo.

Roger Machado já percebeu que não tem jogadores que podem colocar a bola embaixo do braço e decidir partidas, por isso precisa tirar da equipe esse ímpeto impregnado desde a passagem do técnico Cuca, tem que controlar mais a partida, influenciar nas ações do adversário, trocar mais passes verticais para organizar sua equipe e desorganizar o adversário. O técnico precisa aumentar o repertório da equipe, variar o esquema tático, colocar mais atletas na área pra finalizar, abafar o adversário, mas com volume ofensivo,  criando e finalizando e não apenas com a posse de bola estéril e “chuveirinhos”. Roger Machado também foi mal na partida de ontem fez apenas substituições burocráticas Thiago Santos no lugar de B.Henrique, Keno por William e Deyverson por Borja alterando apenas o perfil dos atletas mas não mexendo na estrutura tática da equipe.

O caminho ainda é longo e tortuoso, o alviverde não pode ficar se lamentando, pois quarta-feira já tem o Boca Juniors pela frente na Copa Libertadores. O Palmeiras tem um bom time, mas longe de ser o Real Madrid das Américas como já veiculado, mas evidente que em território nacional tem um farto elenco que pode render muito mais. A Final do Paulistão pode trazer boas reflexões, se a equipe alviverde assim o quiser, e não desmerecendo o torneio utilizando uma cortina de fumaça para esconder seus próprios erros, que não são poucos.

@10juancarlitos

@rafjoga101983

 

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