O BAHIA DE GUTO FERREIRA: peças novas, críticas, por fim, evolução!

Por Michel Corbacho

Em mais uma final do Campeonato Baiano, Bahia e Vitória decidiram o título da competição. Não ocorre outro confronto entre um dos gigantes da capital e outro clube do interior desde 2015, quando o tricolor saiu campeão sobre o Vitória da Conquista.

O Bahia não iniciou bem a temporada, tanto no Campeonato Baiano como na Copa do Nordeste. O técnico Guto Ferreira teve algumas dificuldades para encontrar uma equipe e conseguir um encaixe entre os titulares.

Apesar de estar ainda buscando uma equipe ideal, Guto Ferreira conseguiu fazer o tricolor evoluir em suas atuações, principalmente quando retornou com Edigar Júnio para a função de “falso 9” e ao encontrar Marco Antônio, um jovem que entrou muito bem pelo lado esquerdo do campo.

Apesar de todo o destaque nas partidas anteriores por parte de Marco Antônio, ainda o principal jogador do Bahia neste início de temporada segue sendo o Vinícius. O meio-campista tem sido o destaque tricolor, líder em assistências com oito passes para gol e oito gols marcados. Com efetividade de 43%, Vinícius esteve envolvido diretamente em 16 dos 37 gols marcados pelo tricolor.

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O mapa de calor de Vinícius demonstra o quão ele é fundamental no meio de campo do Bahia. Gera o jogo ofensivo, oferece qualidade no passe, finaliza bem de fora da área e ainda consegue auxiliar na recomposição para ajudar o sistema de marcação da equipe de Guto Ferreira.

No Campeonato Baiano, Vinícius foi um dos melhores jogadores da competição, se destacando desde o início da temporada e sendo a principal peça do sistema ofensivo do Bahia no Estadual. Através de uma análise de dados, destacamos os números de Vinícius na competição baiana.

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Outro jogador que merece destaque neste início de temporada pelo tricolor é o volante Gregore, que tem a principal função de cobrir a marcação na frente da defesa, mas também auxilia com o primeiro passe refinado, fazendo a bola chegar até os homens mais avançados do tricolor.

Em contra partida, Zé Rafael, a referência da equipe na temporada anterior, ainda não conseguiu realizar boas partidas com a camisa tricolor neste ano. Zé Rafael segue como titular no meio de campo e, ao lado de Vinícius, tem a responsabilidade de gerar o jogo em favor da equipe.

Guto Ferreira iniciou a temporada buscando um 4-1-4-1 com Gregore sendo o primeiro volante e demonstrou ser o dono da posição desde os primeiros jogos do tricolor. Uma linha de quatro jogadores era formada a frente do primeiro volante da equipe: Élber, Élton, Zé Rafael e Vinícius. Lá na frente, Guto começou mesmo com Edigar Júnio de “falso 9”.

O Bahia não demonstrava muita qualidade na criação, principalmente pelas más atuações dos homens de lado do campo, Élber e Zé Rafael, que ainda não puderam desempenhar um bom futebol na temporada.

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Após muitas críticas sobre o jovem recém-contratado junto ao Cruzeiro, Guto Ferreira apostou em outro garoto no meio de campo, Marco Antônio. O jovem iniciou com aparições tímidas, mas despontou com boas atuações e foi um dos melhores em campo na primeira partida da final no clássico contra o Vitória.

A movimentação ofensiva da equipe de Guto Ferreira vai encontrando uma forma. Nino Paraíba na direita, principalmente pelo seu excelente apoio, é uma das válvulas de escape do tricolor.

Assim como Nino, o outro lateral Léo oferece essa amplitude e, por características, são jogadores com vocação ofensiva e tornam-se peças fundamentais para o apoio ao sistema ofensivo da equipe. Gregore, com a bola para o primeiro passe, é responsável por iniciar a transição defesa-ataque ao lado de Vinícius que se aproxima do volante para auxílio no passe. Os extremos centralizam, abrindo o corredor para os avanços dos laterais e Edigar Júnio desempenha a função de “falso 9”, prendendo os zagueiros e espaçando o campo para o sistema ofensivo do Bahia.

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O técnico Guto Ferreira passou do 4-1-4-1, que estava com dificuldades de encaixe, na criação ofensiva e trouxe a equipe para o 4-2-3-1, alinhando Élton à Gregore e formando uma linha de três a frente deles com Vinícius centralizado, Zé Rafael e Marco Antônio se movimentando pelos flancos para oferecer dinâmica e confundir a marcação adversária.

A equipe já atua com o estilo de Guto, buscando um jogo menos elaborado e mais direto, utilizando da velocidade dos laterais e constantes movimentações dos homens de frente.

Os laterais, principalmente Nino Paraíba, encontram campo livre para os avanços, muito devido às movimentações dos homens de meio que se infiltram e centralizam, abrindo os flancos para o apoio dos alas.

Zé Rafael se aproxima de Edigar Júnio no ataque, abre espaços para os avanços de Nino Paraíba, que ajuda muito ao sistema ofensivo com cruzamentos e apoio pelo flanco direito.

Desta forma, em jogadas pelo lado direito, principal setor do ataque tricolor fez com que o Bahia marcasse alguns gols importantes na temporada até então. Foi assim em um dos gols no triunfo diante do Botafogo-PB pela Copa do Nordeste e diante da Juazeirense, na partida de volta da semifinal do Campeonato Baiano.

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A equipe de Guto Ferreira também demonstra melhorias nas aproximações dos jogadores, principalmente no meio de campo para progressões ao campo adversário. Apesar de não ter se destacado individualmente ainda, Zé Rafael oferece qualidade e repertório ao time, se movimentando no sistema ofensivo.

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No 4-2-3-1 a equipe do Bahia demonstrou uma evolução tática e técnica que Guto Ferreira não conseguiu no início da temporada atuando no 4-1-4-1. Não apenas pela mudança tática inicial, mas também pela aproximação de Vinícius, principal destaque do tricolor, ao gol e aos homens de frente.

Marco Antônio e Zé Rafael oferecem movimentações como extremos, entretanto, muitas vezes se infiltram para o meio de campo cedendo espaços para os avanços dos laterais.

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Com essa mudança tática, Guto Ferreira conseguiu oferecer mais consistência ao meio de campo, retrasando Élton para atuar ao lado de Gregore, aumenta o poder de marcação no setor e libera mais Vinícius para se aproximar de Zé Rafael, Marco Antônio e Edigar Júnio.

O Bahia ainda necessita de melhorias técnicas e táticas para as principais competições na temporada. Em vista do Campeonato Brasileiro, a equipe precisa qualificar ainda mais o elenco, errar menos no chamado o “último passe” da criação e Zé Rafael com Edigar Júnio na frente voltar a demonstrar o futebol que apresentaram na temporada anterior.

Por @michelcorbacho e equipe do @taticasbahia

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Um comentário sobre “O BAHIA DE GUTO FERREIRA: peças novas, críticas, por fim, evolução!

  1. Excelente análise sobre a composição tática do Bahia, eu acho apenas que o time precisa agrupar ainda mas, assim como foi combinado o carpegiane no ano passado, e jogar em alguns momentos com a marcação alta, apertando a saída de bola dos adversários. E outro ponto positivo é que ao chegar ao fundo os laterais evitam alçar bola na área, eles buscam sempre o toque pra trás para a chegada dos homens de trás!

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