HUGO MEISL E O WUNDERTEAM

Por Pedro Galante

Se no primeiro texto dessa série Jimmy Hogan foi o protagonista (clique aqui para ler), agora precisamos falar sobre seu sucessor Hugo Meisl. Hogan plantou a semente da profissionalização do futebol do continente e Meisl deu continuidade a este legado, comandando a mística seleção austríaca, ele enfrentou de frente os ingleses, os italianos e os nazistas.

Hugo nasceu em 1881, na cidade de Maleschau, na Boêmia. Ensaiou uma carreira de jogador no Cricket Club, mas largou o esporte influenciado pelo pai que lhe arranjou emprego como banqueiro. Mesmo trabalhando no banco, Meisl nunca se distanciou do futebol, ele tinha ideias muito claras de como o jogo deveria ser jogado e começou a se envolver no meio. Ele prestava serviços a federação austríaca, e antes da guerra chegou ao cargo de secretário geral. Comandou a seleção nacional entre 1912 e 1914, mas a guerra o obrigou a parar. No entanto, Meisl voltou ao cargo em 1919.

Hugo Meisl
Meisl e seu tradicional chapéu-coco (Foto:Wikipedia)

Hugo visitou a Inglaterra muitas vezes para aprender mais sobre o jogo e trazer essas novidades para o continente. Ele sentia falta de competições entre os clubes e as seleções de fora da terra da rainha. Por isso, em 1927, Meisl criou duas competições: a Copa Mitropa e a Copa Internacional da Europa Central. A primeira era uma competição intercontinental de clubes, que mais tarde viria a ser a inspiração para a criação da renomada Liga dos Campeões. A segunda tinha o mesmo formato, mas as participantes eram seleções nacionais, a Copa Internacional da Europa Central foi uma das referências para criação da Eurocopa.

Meisl foi um personagem importantíssimo para o desenvolvimento do jogo no continente, além de criar torneios importantes, que deram origem as duas competições mais importantes da Europa, Meisl também criou uma seleção memorável e que ensaiou pela primeira vez o uso de um centroavante mais móvel, estamos falando do Wunderteam, traduzindo, o time maravilha.

wunderteam
(Foto: Imortais do Futebol)

O Wunderteam jogava em um 2-3-5 convencional, mas o comportamento de seus jogadores era extremamente evoluído para o futebol da época. Os princípios básicos eram a troca de passes e as mudanças de posição, ambos rápidos e constantes, seriam esses os valores usados mais tarde na criação do Futebol Total.

Toda essa movimentação era muito bem personificada em um jogador especifico, Matthias Sindelar. Na época onde os centroavantes eram caracterizados pela força e baixa mobilidade, Sindelar era exceção, ele era veloz e ágil com a bola. Ele deixava a região da área, vinha ao meio buscar a bola e chegava ao gol driblando todos a sua frente. O primeiro ensaio do que viria a ser o falso nove. O árbitro John Langenus descreveu na súmula da partida entre Áustria e Inglaterra, um gol de Matthias: “O gol de Sindelar foi uma verdadeira obra de arte, um feito que ninguém conseguiria alcançar contra um adversário como os ingleses. Sindelar pegou a bola no meio de campo e disparou com a sua incomparável elegância, driblando tudo que aparecia pela frente, e concluiu para o fundo do gol”

sindelar
Matthias Sindelar. (Foto: FourFourTwo)

Meisl morreu aos 55 anos em função de uma parada cardíaca, mas sua luta pela profissionalização do futebol do continente não foi em vão. Se hoje podemos assistir uma partida de Champions League, e ver Lionel Messi atuando como um falso nove, devemos parte disso a Hugo Meisl.

@Pedro17Galante

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