EM BUSCA DE UMA GRANDE HISTÓRIA

Por Ricardo Leite

A sensação dos 2 mil torcedores vascaínos que calaram o Mineirão lotado e de todos os outros que sofreram em casa é de satisfação.

Isso não tem nada relacionado à pouca ambição. Nem mesmo apequenamento. O Vasco mesmo com tantos problemas como ter começado a temporada com vários jogadores importantes no departamento médico, desgaste físico e emocional de dois clássicos intensos e resolvidos no fim, a ausência de peças de reposição em boa fase como Rildo e Thiago Galhardo foi ao Mineirão  para enfrentar um estádio lotado, um Cruzeiro com elenco badalado e sendo o time da Série A com melhor aproveitamento no ano. E teve uma exibição positiva.

O Vasco se organizou novamente no 4-2-3-1 Sem a bola alternava para 4-1-4-1. Mas muitas vezes o meia centralizado (Wagner no 1° e Evander no 2° tempo) marcava alto juntamente com Riascos. Quando isso acontecia, automaticamente Desabato avançava para refazer a linha de 4, ficando assim no 4-4-2.

Pelo lado direito nenhum dos 3 vascaínos (Galhardo, Wellington e Pikachu) fizeram boa partida tecnicamente, mas preencheram bem o espaço e se mostraram entrosados até nas trocas de posições.

vasco 3Bom preenchimento e apoio defensivo de Galhardo, Wellington e Pikachu
vasco 5Destaque para a compactação entre Galhardo Wellington e Pikachu

Galhardo chegou a se posicionar como volante quando Wellington avançava com a equipe.

vasco 4Galhardo prefere compor e preencher o meio. Só marcará o extremo (sozinho na imagem) caso ele receba a bola.

E isso tem sido constante. Wellington tem pisado mais na área adversária e progredido junto com as linhas ofensivas.

vasco 1Vasco atacando com a aproximação de Wellington e Galhardo e infiltração do lado oposto da bola com Pikachu

O jogo começou em alta intensidade. O time mandante tentava se impor e chegou a finalizar 6 vezes contra nenhuma finalização do Vasco antes dos 30 minutos iniciais. Apesar desse número expressivo o Vasco soube sofrer e fez isso com consciência. A estratégia era manter as linhas bem próximas e preenchidas e assim dar pouco espaço para o Cruzeiro criar pelo meio. E foi eficiente. Tanto Galhardo como Fabrício marcavam bem próximos dos zagueiros e aproximavam para marcar os extremos somente quando eles tinham a posse da bola. Isso evitava as infiltrações nas costas dos nossos laterais (apesar de dar espaço para o cruzamento). Com isso restava ao Cruzeiro fazer cruzamentos, mas sem uma referência na área, não obtiveram êxito. Ponto para o Zé Ricardo

Como já dito,  Mano Menezes optou por utilizar o Thiago Neves como homem mais adiantado e que muitas vezes recuava com a bola para abrir espaço para ultrapassagem dos seus companheiros. Ideia parecida com a que Carille por vezes utiliza com Rodriguinho. O pensamento era d dar mais movimentação e criatividade, mas a verdade é que foram poucas as vezes em que conseguiram de fato se movimentar para confundir a defesa do Vasco. Defesa essa aliás, que ganhou a confiança que precisava para final de domingo. Jogaram sério e foram vitoriosos na maioria dos duelos, inclusive cobrindo os laterais, fazendo uma leitura de jogo que não vinha dando certo.

vasco 2Erazo cobrindo Fabrício em contra ataque e Desabato aproximando para apoio, caso seja necessário.

A partir dos 30 o Vasco foi “ganhando jardas” e ocupando mais o campo ofensivo. Paulinho e Wagner apareceram mais e colocaram o Vasco de vez no jogo. A torcida azul ia perdendo o ímpeto nas arquibancadas e os jogadores no campo. Já o Vasco, foi ganhando confiança. Para reduzir a força do Cruzeiro pelo meio, Zé agiu na raiz do que poderia ser um problema pro Vasco. Ao contrário da liberdade dada a Lindoso na partida do fim de semana, o treinador vascaíno enxergou o potencial organizacional em Ariel Cabral e tratou de colocar seu compatriota Desábato para anular o bom volante cruzeirense. Mais uma vez deu certo. Outro ponto para Zé Ricardo.

Veio o segundo tempo e com ele o brilho de Paulinho. Melhor em campo abusou de desfilar seu futebol e maturidade. No alto de seus 17 anos. As jogadas do Vasco se desenvolviam pela esquerda. Porque ele fazia questão de chamar a responsabilidade. Ajudava na marcação, auxiliava na saída de bola, trabalhava com os meias e volantes e progredia rumo ao ataque. Os dois únicos chutes do Vasco no alvo foram do menino.

Depois da entrada de Evander (que entrou num nível de intensidade abaixo do que a partida apresentava, mas mesmo assim foi importante) Paulinho cresceu ainda mais e chegou a jogar centralizado (muito bem diga-se de passagem) com Evander aberto na esquerda. Uma pena que a lesão tenha tirado o menino que parecia ser grande candidato a decidir o jogo.

O Vasco impôs a sua estratégia o jogo todo, inclusive em momentos em que o Cruzeiro tentava pressionar. E cabe aqui uma menção a grande partida do Martín Silva. Mais uma vez importantíssimo e liderando a equipe. O cruzmaltino saiu de campo vitorioso na batalha tática e psicológica apesar de estar somente com 1 ponto no grupo. A verdade é que a derrota para LaU ainda ecoará na cabeça dos vascaínos, como aquela oportunidade que a gente deixa passar na vida e fica remoendo.

O Vasco se mostra extremamente competitivo e organizado. E pode sim avançar na competição, mesmo com grupo e cenário tão complicados.

Talvez a derrota para Universidad de Chile tenha sido como a primeira imagem da lesão do Paulinho. Sensação de pavor e frustração. Mas o final pode ser surpreendente, com uma classificação que já parecia “improvável”. A torcida precisa sair do seu conforto e se mostrar ao lado do time como Campello fez no momento delicado do Paulinho. Abraçar a sua jóia e dar a força que ela precisa.

O futebol parece querer contar mais histórias sobre esse Vasco. E acho que não se contentará com uma eliminação na fase de grupos tão fácil assim.

Agora a camisa tem que pesar!

#MissãoLiberta

@analisevasco

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