PALMEIRAS EVOLUIU, MAS O CORINTHIANS NÃO – ANÁLISE TÁTICA DO 1º JOGO DA FINAL

Por Juan Carlos Moura e Rafael Lima

Mais do que o resultado, a impressão que ficou é que o Corinthians tem poucas chances diante do rival alvi-verde. Já que pouco agrediu jogando em seu estádio.

Vamos análisar o que deu certo no primeiro jogo entre Corinthians x Palmeiras na fase de classificação e o que deu errado na  final, pra saber por que o time de Parque São jorge foi tão superior na primeira partida e o Palmeiras tão superior no segundo encontro das equipes.

 O Palmeiras tecnicamente fez uma boa partida, pouco jogou no campo ofensivo, não conseguiu armar bons contra ataques quando em vantagem no placar e pouca resistência ofereceu ao goleiro Cássio.

 ‎O que diferenciou as equipes foi a mudança de comportamento tático da equipe palmeirense. No jogo da fase classificatória o Palmeiras tentou ter o controle do jogo, como faz na maioria das partidas, na ocasião foi surpreendido pela mudança no esquema de jogo do Corinthians que jogou no 4-2-4. Felipe Mello e Lucas Lima ficavam sempre em desvantagem numérica  diante dos jogadores do Corinthians (Felipe Mello x Jadson e Rodriguinho e Lucas Lima x Renê Junior e Gabriel) Tchê tchê ficou perdido, não armava e não marcava.

 Tanto que depois dessa partida Bruno Henrique assumiu a titularidade e não saiu mais. No último sábado o Palmeiras baixou seu bloco defensivo. Jogou com quase todo o time no campo defensivo, mas diferente do São Paulo no segundo jogo da semí-final contra o próprio Corinthians que baixou demais seu bloco defensivo e cedeu muito território, a marcação verde fechava o meio de campo corinthiano. A primeira linha do Corinthians jogava com tranquilidade, fazendo apenas passes laterais, sem conseguir progredir no campo ofensivo. o Corinthians trocou 381 passes, sendo que a maioria dos passes foram dos zagueiros Balbuena (71) passes e Henrique (68) contra 183 passes  dos Palmeirenses.

 Assim o Palmeiras forçava que o Corinthians jogasse pelos lados do campo, e dobrava a marcação gerando superioridade numérica no setor (Clayson x Marcos Rocha e Dudu, contra Matheus Vital x Vitor Luís e William). Desse  modo o Corinthians foi uma presa fácil no derby. O Palmeiras evoluiu desde o primeiro encontro,  o Corinthians não.

PAL 1Palmeiras dobrando a marcação pelos lados gerando superioridade númerica

Rodriguinho e Jadson por dentro, Clayson e Romero jogando por fora gerando amplitude. Renê Junior e Gabriel dando equilíbrio ofensivo e defensivo auxiliando nas transições. Maycon jogando como um lateral armador, Fagner com mais liberdade para atacar pelo flanco esse foi o desenho tático no primeiro jogo. https://mwfutebol.com.br/2018/02/27/carille-mostra-porque-ja-e-um-dos-melhores-tecnicos-do-brasil/ –  (Análise  do primeiro Derby do ano).

Com essa estratégia o Corinthians dominou o Palmeiras no primeiro jogo na Arena Corinthians.

Mas de lá pra cá muita coisa aconteceu, especialmente as mudanças forçadas na equipe de Fábio Carille . A formação que jogou contra o Palmeiras  atuou junta apenas no também clássico contra o Santos. Renê Junior e Jadson se contundiram. Romero, Balbuena e Fagner serviram suas respectivas seleções. Sidclay assumiu a titularidade na lateral esquerda. Sheik passou a ser peça constante entre os titulares. Pedrinho e Vital ganham cada vez mais espaço na equipe.

Tudo isso em apenas 38 dias.

Assim no jogo de sábado, as dificuldades foram inúmeras. Com a marcação forte do Palmeiras a partir dos meio campistas corinthianos, Gabriel e Maycon deveriam assumir mais a partida, realizar passes verticais pra quebrar a primeira linha de marcação (Dudu e William nos extremos, Borja e Lucas Lima por dentro) mas os dois não possuem essa característica. Dessa vez foi Rodriguinho que esteve quase sempre em desvantagem numérica (Rodriguinho perdeu 11 bolas.) contra Felipe Mello e Bruno Henrique.

PAL 2Rodriguinho cercado por palmeirenses, foi assim ao longo da partida.

Sheik ficou perdido entre os zagueiros, não tinha espaço pra receber a bola em profundidade,  Matheus Vital aberto pela direita não tem características de ponta, afunila o jogo por dentro. Ficava encaixotado, entre o meio campistas e sem a aproximação dos companheiros foi uma presa fácil. Até seria uma jogada útil, se Fagner estivesse em boas condições físicas e aproveitasse o espaço para abrir a defesa verde.

Carille colocou Pedrinho e Romero pra tentar abrir o Palmeiras aproveitando que as duas equipes estavam com 10 atletas. A equipe continuou sendo pouco efetiva. Faltam meio campistas com qualidade técnica para ditar o ritmo de jogo. Acelerar o passe, tocar de primeira, mudar o lado da jogada, cadenciar e fazer lançamentos. Carille terá a semana cheia pra trabalhar e recuperar fisicamente a equipe.

Jadson e Renê Junior podem ser fundamentais. Os dois possuem qualidade no passe e podem dar mais peso ao meio campo alvi-negro. Maycon na lateral esquerda pode ser uma boa opção pra ajudar a ter superioridade numérica no meio campo (com Romero abrindo o campo, dando amplitude pela esquerda). Pedrinho na direita pode ser uma boa, ele pode trazer para a perna boa e ter o campo todo pra jogar, e ainda abrir o  campo para Fagner atacar.

No Palmeiras, pouca coisa deve mudar, especialmente por que o time joga na terça feira pela Libertadores da América, recuperar a equipe deve ser a ordem da semana.

Até mesmo a postura com e sem bola deve ser parecida, especialmente por ter a vantagem no empate. E claro que com o apoio da torcida ao seu lado, o time deve ser um pouco mais agressivo quando estiver com a posse de bola.

As cartas estão na mesa, as apostas serão altas, mas apenas no domingo após as 18 horas saberemos o resultado desse duelo.

 

@10juancarlitos

@rafjoga101983

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