O CURIOSO CASO DE MAKSIM SHATSKIKH

Por John Sivan

Traduzido por Luan Silveira

17 de setembro de 2002. Foi um daqueles raros momentos na Malásia onde eu iria assistir ao Dínamo de Kiev em ação. O adversário do dia era o Newcastle United, comandado pelo falecido Sir Bobby Robson. Um amigo meu estava meio desconfiado de minha escolha, ressaltava que haveria muitos confrontos de alto nível pela Champions League ao mesmo tempo. Ele não estava errado, mas eu estava determinado ver o nº 16 do Dínamo, atacante robusto por quem tinha um interesse pessoal há alguns anos.

Foi uma escolha que também não me decepcionou. Em um contra-ataque do Dínamo aos 16 minutos, ele recebeu a bola de Jerko Leko. Como um exímio matador, ele acertou um chute de 23 metros, que venceu o infeliz Shay Given, para dar a liderança ao Dínamo de Kiev. Foi um gol digno de elogios da maioria dos tabloides britânicos. The Independent descreveu o gol como ‘world class’, enquanto o The Guardian afirmou que era “um chute de grande brilhantismo”. Aquela foi a noite onde ele consolidou sua melhor fase no futebol europeu. Aquela noite pertenceu a Maksim Shatskikh.

Apesar de tudo isso, Shatskikh continua uma figura peculiar na Ásia. Sua realização em campo muitas vezes passa despercebida pela mídia do maior, e mais populoso, continente do mundo. Na Ucrânia a sua popularidade se equipara com a de Beckham e Victoria, após o seu mega-casamento com a estrela pop Olesya. O que levanta a questão: por que a sua popularidade não se espalha uniformemente através da Ásia?

Para uma estrela como Paulinho Alcantara, ter um nome propriamente europeu em razão de sua etnia russa muitas vezes gera uma discussão sobre se ele é um asiático legítimo. Outro fator é a sua nacionalidade: nascido no Uzbequistão, um país situado na Ásia Central. Depois de ganhar a medalha de ouro nos Jogos Asiáticos de Hiroshima de 1994, o futebol do país continuou a ser envolto em misticismo, além da falta de atenção da mídia com relação ao futebol desta parte do mundo, uma vez que o foco sempre foi sobre o desenvolvimento do futebol no Oriente Médio e no leste asiático. É uma pena que desde antes dos dias de Hidetoshi Nakata e Ali Daei, o Uzbequistão esteve propenso a enviar seus melhores talentos à Europa.

No meu livro, Maksim Shatskikh é, de longe, o melhor atacante asiático da história. Quando Malásia e Uzbequistão foram colocados no mesmo grupo da Copa da Ásia 2007 eu sabia que era uma oportunidade que eu não podia desperdiçar. Apesar de chegar em cima da hora após cumprir suspensão na derrota de 2-1 do Uzbequistão para o Irã, não demorou muito para ele marcar sua presença. Shatskikh estava no lugar certo na hora certa para cabecear a bola para o fundo do gol e dar a liderança ao Uzbequistão. Ele completou a goleada de 5-0 daquela noite com uma finalização cirúrgica após tabelar com Server Djeparov.

A carreira futebolística de Shatskikh teve início durante sua juventude in Tashkent. Em 1993 se destacou como revelação das categorias de base do Pakhtakor durante uma turnê pela Inglaterra. Apesar de ser um time sub-15, a turnê era muito importante, pois havia apenas um ano que seu país havia conquistado a independência. Por maior que fosse o Pakhtakor no cenário do futebol uzbeque, ele não possuía condições financeiras para proporcionar essa turnê, uma vez que apenas os treinadores eram pagos, enquanto o resto das despesas, tais quais hospedagem e alimentação, ficavam a cargo de uma empresa uzbeque. Mesmo assim, a turnê impulsionou a habilidade natural de Shatskikh para marcar gols.

Antes mesmo de ganhar relevância, Shatskikh já era um nome familiar no Uzbequistão graças a seu irmão mais velho, Oleg. Um baixinho e produtivo goleador, Oleg estava destinado a ser a próxima grande estrela do futebol uzbeque, porém ele teve de se aposentar prematuramente, aos 23 anos. Logo, havia muita expectativa em torno do Shatskikh mais novo.
Tão logo retornaram da turnê, os patrocinadores decidiram incorporar todo o time com um clube que disputaria a terceira divisão do Uzebquistão. Shatskikh continuou a marcar gols e rapidamente as notícias sobre ele se espalharam por toda a comunidade futebolística do Uzebquistão. Vários clubes fizeram ofertas por ele, mas o dono não estava disposto a negociá-lo por menos de $1 milhão, um valor bastante alto para os padrões uzbeques.

Pouco tempo se passou e o time foi desmontado. Os patrocinadores, que eram os donos do time, decidiram encerrar tudo. Desesperado por um novo clube, Shatskikh foi para o Chilanzar Tashkent, único clube profissional que ele atuou no Uzbequistão, e não durou muito tempo por lá, pois em 1996, após conselhos de seu empresário, decidiu que era hora de tentar a sorte fora de seu país.

Para a maioria dos jogadores uzbeques era natural que seus destinos preferidos fossem a Rússia ou qualquer outro país ex-União Soviética, pois em termos de cultura, língua e até no futebol, a adaptação seria mais fácil e as mudanças no estilo de vida seriam menores se comparadas com outros países. Shatskikh passou a maior parte dos dois anos seguintes jogando por clubes do segundo escalão em contratos curtos, mas isso não diminui seu talento para marcar gols, levando grandes clubes de Moscou à sua procura incessantemente.

Então veio a oportunidade no Spartak Moscou, que estava em pré-temporada em Israel. Durante os tempos soviéticos era um sonho para qualquer garoto jogar em grande clube de Moscou, e, mesmo com a separação da União Soviética, ainda é. Shatskikh foi convidado para treinar por duas semanas e se submeter a alguns testes com o Spartak. Uma oportunidade que estava ansioso para agarrar com as duas mãos.

No entanto, as coisas não deram certo para Shatskikh de início, pois foi colocado para treinar separado do time principal. Naquela época, o Spartak era treinado por Oleg Romantsev, um ex-treinador da seleção russa. Romantsev não prestou muita atenção e nem mesmo falou com Shatskikh por duas semanas. Desconcertado, Shatskikh se sentiu desprestigiado no Spartak e decidiu sair após breve período de tempo. Ele passaria os seis meses seguintes atuando pelo Baltika Kaliningrado, mas como dizem, a desgraça de um homem é o tesouro de outro : a falha do Spartak em reconhecer o talento de Shatskikh acabou por ser uma bênção disfarçada para outro gigante dos tempos soviéticos.

Enquanto Shatskikh vagava pelo Leste Europeu e pela Ásia em busca de um clube, o Dínamo de Kiev buscava um substituto para sua estrela, o atacante Andriy Shevchenko. 1999 foi um momento crucial para a história do Dínamo de Kiev na era pós-soviética. Graças aos gols de Shevchenko, chegaram às semi-finais da UEFA Champions League, despachando times como Arsenal, Lens e Real Madrid, antes de perder para o eventual vice-campeão Bayern de Munique. Shevchenko foi então considerado um dos principais jogadores na Europa, sendo questão de tempo para que ocorresse uma transferência envolvendo muito dinheiro. Foi impossível para o Dínamo segurar a sua joia, uma vez que o clube nem de longe possuía o aporte financeiro de grande parte dos clubes da Europa Ocidental, e então, no verão de 1999, o Milan comprou o atleta por uma taxa de transferência recorde: $ 25 milhões.

O treinador do Dínamo, o saudoso Valeriy Lobanovskyi, monitorava o progresso do Shatskikh, tendo enviado seus olheiros para vê-lo jogar no Baltika em várias ocasiões e, com base nos relatórios, estava absolutamente convencido de que ele tinha encontrado o substituto de Shevchenko. Assim que a ida de Schevchenko para a Itália foi concretizada, ele assinou com Shatskikh imediatamente, mas nem todo mundo havia embarcado com Lobanovskyi nessa ideia.

Quando o Lobanoskyi começou a treinar o Dínamo na década de 1970, ele foi fundamental na introdução de um estilo diferente de futebol. Foi uma abordagem científica que exigia da sua equipe um jogo físico e de pressão alta, contrastando com o futebol mais extravagante praticado pelos clubes de Moscou, tornando seu método um tanto quanto revolucionário para a época.

Havia um esteriótipo soviético de que os jogadores uzbeques, apesar de técnicos, não se encaixavam na filosofia do Dínamo, o que justificava porque muitos atletas preferiam ir à Moscou e não a Kiev. Não havia dúvidas quanto ao potencial de Shatskikh para ser um atacante de primeira linha. Ele tinha todos os ingredientes necessários para ser um goleador devido a seu instinto natural dentro da grande área. Além disso, sendo rápido, enérgico, trabalhador e atlético, era o tipo de jogador perfeito no plano de Lobanovskiy. Substituir Shevchenko sempre foi e sempre será uma tarefa muito difícil de cumprir – como você substitui alguém que é considerado um deus pela torcida? Não obstante, Shatskikh pode ter jogado futebol de terceiro nível em Tashkent não muito tempo atrás, mas ele era um ávido competidor, pronto para abraçar o desafio e aprender sob o olhar sagaz de Valeriy Lobanovskyi.

Todas as dúvidas foram extintas o centroavante uzbeque fez sua estreia em uma qualificatória da UEFA Champions League, contra o Zalgiris Vilnius da Lituânia. O Dínamo de Kiev venceu a primeira etapa por 2-0, com dois gols de Shatskikh. Um momento histórico que o transformou no primeiro uzbeuqe a marcar na principal competição de clubes a Europa. Ele ainda foi decisivo no confronto seguinte, contra o dinamarquês Aalborg. Com o jogo empatado no placar agregado em 3-3, e indo para a prorrogação, Shatskikh marcou no fim dos acréscimos para selar o lugar do Dínamo na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Era esperado que o Dínamo teria difículdade de repetir seu sucesso nas duas temporadas anteriores, mas eles avançaram até a fase de grupos e a única coisa que os impediu de passar ao mata-mata foi o confronto direto contra o Real Madrid. Shatskikh marcou cinco gols ao longo do caminho.

No futebol local, Shatskikh marcou 20 gols no campeonato que assegurou ao Dínamo a manutenção do título da Vyshcha Liha. Bom o suficiente para conquistar a Chuteira de Ouro, o primeiro asiático a fazê-lo em um campeonato europeu. Outros 5 gols dele impulsionaram o Dínamo à conquista da Taça da Ucrânia. Sua primeira temporada foi um enorme sucesso que respondeu qualquer questão sobre se ele era capaz de substituir Shevchenko. Shatskikh não era um típico centroavante, mas era frequentemente encarregado de ficar esperando na grande área para, com muito oportunismo, empurrar para as redes. Ele também tinha a capacidade de descer ao meio-campo e dar continuidade às jogadas de contra-ataque sempre que necessário. Lobanovskiy era expoente de tamanha arte em um Dinamo de Kiev que defenida um estilo de jogo mutável. Não demorou muito para os críticos verem as semelhanças entre o artilheiro de Tashkent e seu antecessor. Embora Shatskikh ficasse honrado com a comparação com Shevchenko, ele sempre foi muito firme ao dizer que queria seguir seu próprio caminho na história do Dinamo de Kiev. Quatro anos após sua estreia, ele ultrapassaria Shevchenko em gols na Liga ucraniana.

Com a aptidão natural de goleador de Shatskikh começando a ser visível na Europa, permaneceram as dúvidas sobre o porquê de ser desconhecido na Ásia. Claro que jogar para um clube que compete numa liga menos conhecida pode ter sido um fator importante, até porque não existem muitas pessoas daquela parte do mundo que ficam famosas fora das cinco grandes ligas europeias. Em decorrência disso, continou sendo uma Como resultado, ele continuou a manter-se como uma figura mística se comparado a outros jogadores asiáticos que disputaram as ligas mais ilustres.

Depois de seis anos aterrorizando os defensores na liga ucraniana e também na Europa, pode-se perguntar por que Shatskikh não atraiu ofertas de clubes a oeste de Kiev. Por incrível que pareça, ele quase foi para a Premier League. Durante a janela de inverno, em 2005, o West Ham United fez uma abordagem formal para contratá-lo. Shatskikh viajou com seu empresário e a família para Londres com intuito de iniciar as negociações, e sua esposa passou uma quantidade significativa de tempo procurando escolas em Londres para seus filhos. Ela era extremamente a favor de sua ida, pois via sua família sendo muito beneficiada com isso. O decorrer das negociações foi acompanhado em seu país de origem; muitas pessoas estavam esperançosas que Shatskikh tornaria-se o primeiro uzbeque a jogar em um dos maiores campeonatos da Europa.

As negociações correram bem, mas havia uma questão importante que precisava ser resolvida: o visto de trabalho. Sendo um jogador extra-comunitário, Shatskikh precisava ter jogado pelo menos 75% dos confrontos envolvendo o Uzbequistão nos últimos dois anos. Embora ele não atendesse aos critérios devido a várias razões, a Federação de futebol do Uzbequistão (UFF) estava mais do que disposta a ajudá-lo. Eles apresentaram documentos para a imigração britânica, citando as razões de sua ausência da equipe nacional.

No entanto, no último minuto, Shatskikh optou em não ir e decidiu renovar com o Dínamo de Kiev. Se a mudança para o West Ham ocorresse, possivelmente, iria mudar a percepção que a maioria das pessoas tinha sobre ele. Mas Shatskikh nunca se incomodou com isso e estava bem contente com a vida em Kiev. A felicidade e a alegria que ele recebeu de torcedores do Dínamo foi algo de valor inestimável para ele, e a motivação extra era que, com o Dínamo, ele jogaria a contra os “peixes grandes” da Champions League, algo que o West Ham não seria capaz de oferecer. De qualquer maneira, me parece que esse é como um daqueles “ses” no futebol onde só lhe resta advinhar as possibilidades. Poderia ter mudado o destino de futebol uzbeque para sempre.

Também é interessante notar como era o futebol à época, que não incluía as “datas-Fifa” no calendário, levando, com frequência, os jogadores asiáticos a difícil situação de conseguir a liberação para o compromisso com a seleção. No caso de Shatskikh, ele tinha gerado um monte de perguntas do público em geral no Uzbequistão sobre seu compromisso em relação a seu país. Este debate veio à tona durante as eliminatórias da Copa da Ásia em novembro de 1999. Com a Liga dos Campeões inserida entre as primeiras rodadas das Eliminatórias, Shatskikh estava envolvido em um típico clube vs. situação do país. O Dínamo de Kiev o queria para o jogo decisivo contra o Real Madrid, enquanto o Uzbequistão precisava dele para liderar o ataque em Abu Dhabi. Para agradar a ambas as partes, houve um acordo entre Hryhoriy Surkis (Presidente do Dínamo) e Zakir Almatov (chefe da Federação de futebol do Uzbequistão). Ele disputou o primeiro jogo contra Bangladesh e marcou dois gols em cima do Uzbequistão na vitória por 6-0. Ele então voou a Kiev para se preparar para a partida contra o Real. Isto significava que ele tinha que perder os próximos dois jogos das eliminatórias. Ele voltou ao time nacional a tempo para seu jogo crucial contra os Emirados Árabes. Shatskikh tornou-se herói do Uzbequistão ao marcar o único gol que, finalmente, selaria seu lugar na Copa da Ásia no Líbano. O gol rapidamente o transformou no “queridinho” do Uzbequistão.

A Copa da Ásia de 2000 no Líbano poderia ter sido a oportunidade perfeita para Shatskikh ter seu avanço na Ásia. Infelizmente, o torneio acabou por ser um desastre para o Uzbequistão. O time careceu de uma preparação mais adequada, uma vez que muitos dos seus jogadores que atuavam na Europa chegaram em cima da hora para o torneio. Como resultado, a equipe foi eliminada na fase de grupos com apenas um empate contra o Qatar e duas derrotas humilhantes, para Japão e Arábia Saudita. As críticas todas foram dirigidas imediatamente a Shatskikh pelo seu desempenho medíocre mesmo toda a equipe tendo sido uma catástrofe. O acontecido no no Líbano pode ter tido um efeito nas suas decisões frente a futuras convocações. Durante a década seguinte, Shatskikh eventualmente deixava a seleção por algum motivo. Ele se recusou a participar da edição seguinte da Copa da Ásia, realizada na China, citando a epidemia de gripe aviária de 2004 como o seu motivo. Mas, quando ele de fato se preparava ara seu país, frequentemente as coisas davam errado de um jeito ou de outro. Essa sucessão de desastres continuaria por assombrar a carreira de Shatskikh e do Uzbequistão na cena internacional.

Em 2005, apesar de um começo horrível nas Eliminatórias da Copa do Mundo, os uzbeques ficaram apenas a alguns passos de garantirem seu lugar na Alemanha. Eles precisavam vencer Bahrein na repescagem asiática para depois enfrentar o quarto colocado da CONCACAF na repescagem final. Em vez disso, o Uzbequistão foi vítima de um dos maiores roubos do futebol asiático. Apesar de vencer a primeira partida por 1-0, a FIFA ordenou a repetição da partida após um erro de arbitragem. No novo confronto o Bahrain segurou os uzbeques a um 1-1 em Tashkent, com Shatskikh marcando o gol de empate. A segunda partida terminou em um empate sem gols, causando a eliminação do Uzbequistão nas Eliminatórias.

Seis anos depois, o Uzbequistão estava prestes a fazer história na Copa da Ásia no Qatar. Shatskikh foi encarregado de jogar como meia-atacante, e não decepcionou. O treinador na época, Vadim Abramovm reconhecida sua capacidade de sair da área e carregae essa bola ao ataque, em uma abordagem que foi bem-sucedida e fez o Uzbequistão chegar até as semi-finais da Copa da Ásia, sua melhor campanha da história. Mas a Austrália os goleou por 6-0 e acabou com a esperança de Shatskikh de alcançar a glória com o seu país.

Essas falhas constantes nos momentos mais importantes renderam ao Uzbequistão a fama de “pipoqueiros” do futebol asiático. Uma marca que certamente versa sobre o legado de Shatskikh e da seleção uzbeque. Não pode se negar que Shatskikh teria feito qualquer coisa para ganhar alguma coisa com sua Seleção ou participar de uma Copa. No entanto, apesar de nunca o ter feito, os números não mentem: quatro anos após se aposentar dos Lobos Brancos, ele permanece como o maior artilheiro da história da seleção uzbeque com 34 gols em 61 jogos.
Shatskikh jogaria no Dínamo de Kiev até 2009. Apesar de só fazer seis jogos naquele ano, ele ainda conquistou seu sexto título do Campeonato Ucraniano, somando-se a 5 Copas da Ucrânia e 3 Supercopas da Ucrânia na sua galeria de troféus. Ele continuaria a jogar por mais quatro anos na Ucrânia com o Arsenal Kiev, Chornomorets Odesa e Hoverla Uzhhorod, incluindo uma breve passagem no Cazaquistão com o Astana. Quando Shatskikh se aposentou, ele acumulava um total de 124 gols, tornando-o o maior artilheiro de todos os tempos da Liga Ucraniana, um recorde que permanece até hoje e dificilmente será batido tão cedo. Seu total de 171 gols por clube e seleção significa um lugar no clube de elite conhecido como Clube Oleg Blokhin [link].

Como falei no início do artigo, Shatskikh é o melhor atacante a sair da Ásia. Muitas vezes, é uma declaração difícil de digerir até mesmo por aqueles que se consideram como especialistas no futebol asiático. A questão muitas vezes volta para o que ele alcançou na Ásia ou para a sua equipe nacional. Além disso, eles entendem que jogadores como Ali Daei e Shinji Okazaki,  que venceram a Bundesliga e Premier League com o Bayern de Munique e Leicester City, respectivamente, são mais aceitos quando comparadas suas realizações com as de Shatskikh.
Enquanto é um argumento justo, Daei e Okazaki eram apenas mais um membro do elenco em seus respectivos clubes, sendo importantes, mas não essenciais. E é aqui que Shatskikh leva vantagem, considerando que ele era o homem responsável pelo ataque do Dínamo por quase uma década, e suas estatísticas em nível nacional e europeu falam por si só. Se o Uzbequistão não tivesse vacilado nos momentos cruciais, o legado de Shatskikh poderia ser bem mais rico.

O Dínamo de Kiev é um clube onde o nacionalismo ucraniano está mais enraizado que nunca, então, para alguém que nasceu na distante Tashkent, receber tanto amor assim da torcida é tudo que você precisa saber a respeito do legado de um jogador. Tanto carinho o fez voltar ao clube após a aposentadoria para integrar a comissão técnica nas categorias de base. Que melhor forma de demonstração de gratidão do que treinando jovens talentos onde você alcançou tanto?

Como todos nós sabemos, no início, os fãs uzbeques era menos receptivos com ele, mas com o passar dos anos é justo dizer que o sentimento evoluiu gradativamente. Shatskikh alçou-se a um patamar de ícone em decorrência da sua contribuição com a equipe nacional, sendo nomeado, inclusive, em quatro ocasiões, como Futebolista Ucraniano do Ano. Um grande feito, sem dúvidas. Se a Confederação Asiática de Futebol tivesse dado o reconhecimento aos jogadores que atuavam na Europa há mais tempo, Shatskikh teria, sem dúvida nenhuma, ganhado pelo menos uma vez.

Ainda não se sabe se um dia Shatskikh retornará ao Uzbequistão como treinador. Após ganhar experiência no Dínamo, seria bom para o futebol uzbeque usar do conhecimento dele, mas apesar de tudo isso, ainda se espera ver se o Uzbequistão pode revelar outro Maksim Shatskikh, o que poderia ser uma enorme tarefa para as autoridades futebolísticas do país. Talvez um dia eles precisem da ajuda de um certo Maksim Shatskikh para fazer justamente isso.

Muito obrigado para Alisher Nikimbaev por compartilhar seu conhecimento e ponto de vista acerca da carreira de Maksim Shatskikh. Sigam-no no Twitter (https://twitter.com/nikimbaev).

@BTLvid

@luansilveirap

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