O FLUMINENSE E SUAS MÍSTICAS

Por Jorge Coutinho

A crônica, “O Mil vezes Timinho”, de Nelson Rodrigues publicada no dia 29 de julho de 1959 no Jornal dos Sports, apelidava carinhosamente o clube mais tradicional do futebol carioca.

Eis o trecho:
“… no caso do Fluminense, o diminutivo nasceu quando? Precisamente, há oito anos, ou seja: — em 51. Começamos, naquela ocasião, com um time que parecia uma vergonha. Se virássemos esse time pelo avesso, se o vasculhássemos de alto a baixo, se o espremêssemos até a última gota, não encontraríamos, lá, um cobra. Talvez Castilho. O resto era uma garotada infrene. Tudo novo, tudo imaturo, tudo começando. O neutro olhava a escalação da equipe e concluía: – “São uns cabeças-de-bagre! Uns pernas de pau!” Foi, então, que nasceu o diminutivo exato: — “Timinho!” Amigos, poucos apelidos terão tido um êxito tão instantâneo. Imediatamente, todo o mundo só viu o Fluminense como um irremediável “Timinho.”

Aquele time formado por Castilho, Píndaro e Pinheiro; Édson, Victor e Lafayette; Telê, Orlando, Carlyle, Didi e Joel, comandado pelo técnico Zezé Moreira, teve dificuldades em jogos com Olaria e São Cristovão, por exemplo. E na última partida válida pelo returno a derrota para o Bangu por 1 a 0, diante de mais de 92.000 pessoas presentes ao Maracanã, forçando a realização de duas partidas extras para decidir o torneio. Com duas vitórias, 1-0 e 2-0, o Fluminense conquistou a Tríplice Coroa, por ter conquistado o título nos profissionais, aspirantes e nos juvenis.

Recentemente o clube das Laranjeiras recebeu outro apelido. No ano de 2009, o time “99% rebaixado” no Campeonato Brasileiro daquele ano, conseguiu uma arrancada histórica nas últimas rodadas e após empatar com Coritiba, no Couto Pereira, na última rodada, o Fluminense manteve-se na série A. No ano seguinte campeão brasileiro com a base dauele time. Nascia neste período a mística do Time de Guerreiros.

Passados sessenta e sete anos após a conquista de 1951, as duas místicas se entrelaçam, se abraçam, flertam, namoram. O Time comandado por Abel, tem o charme do Timinho e a alma de Time de Guerreiros. A torcida machucada pela sua própria diretoria assistia sentada do sofá a maioria das partidas. Afastada do estádio, ouvia e lia de todos os veículos de comunicação que o melhor time do torneio era o CRF, o segundo melhor os reservas do CRF, e o terceiro melhor os juniores do CRF. Talvez estes por ignorância, desconhecimento, de outra mística (ganhar Fla-Flu é normal), fizessem se esquecer propositalmente ou não, tal impropério. Quis o destino em 1 mês, nos brindar com três Fla-Flu, aí Jesus, nos dias:

  • 24 de fevereiro, vitória de 4 a 0 em Mato Grosso, contra a equipe mista.
  • 14 de março. vitória do sub-20 dentro da Gávea por 2 a 0.
  • 22 de março, empate 1 a 1, e eliminação do rival.

Do jogo que credenciou o FFC a disputar a final da Taça Rio contra o BFR, destacamos:

1– ESCALAÇÃO / FORMAÇÃO

2 – SCOUT DA PARTIDA

3 – DESTAQUES INDIVIDUAIS

3.1 – GUM

Com dez desarmes, duas bolas rebatidas, três disputas aéreas vencidas, o zagueiro regeu bem o setor defensivo. Ofensivamente conseguiu marcar um gol e levou perigo em cruzamentos de escanteio e falta.

O mapa de ações referente a desarmes abaixo, permite notar 18 ações assertivas, defensivamente. Destaque para treze ações de proteção do centro da área da sua meta, e três disputas vencidas ofensivamente.

O vídeo abaixo mostra alguns lances de desarmes e passes do zagueiro.

3.2 – JÁDSON

Peça importante no modelo de jogo da equipe de Abel Braga. Bem defensivamente, fazendo a segunda linha de 4 jogadores, anotando onze desarmes e quatro bolas rebatidas. Jogador que inicia por inúmeras vezes a transição ofensiva, a bola frequentemente passou por seus pés, totalizando vinte e oito passes certos. Graças a sua boa visão e entendimento do jogo, realizou três passes chaves.

O mapa de passes (28) do volante, demonstram que o jogador inicia, algumas vezes, a transição ofensiva, bem como participa ofensivamente bastante principalmente pelo lado direito.

O vídeo abaixo mostra alguns lances de desarmes e passes do volante.

4 – DESTAQUES COLETIVOS

O setor ofensivo novamente funcionou muito bem.

As linhas defensivas estavam bem compactadas e distribuídas. Na maioria das vezes o setor estava com mais jogadores que o adversário, evitando dar condições de linha de passe ao adversário.

O centro de perigo de gol sofrido, a grande área, esteve bem protegido com os 3 zagueiros (Renato Chaves mais a direita. Gum centralizado e Ibanes pelo lado esquerdo).

Os volantes (Jadson e Richard/Douglas) e os laterais (Gilberto e Ayrton) davam pressão em quem estivesse com a bola.

Marcos Jr. e Pedro ajudaram bastante defensivamente, ao dar pressão no inicio da transição ofensiva do adversário, facilitando o time a se reposicionar.

Para a final da Taça Rio, o BFR deve vir a campo com Jéfferson, Marcinho, Igor Rabello, Marcelo Benevenuto e Moisés; Marcelo, Rodrigo Lindoso, Luiz Fernando, Leonardo Valencia e Marcos Vinícius; Brenner.

Destaques positivos da equipe adversária são:
1 – Boa compactação defensiva, costuma dar poucos espaços.

2 – Transição ofensiva rápida com Valencia, Luis Fernando e Marcos Vinicius puxando o ataque.

3 – Força física do atacante Brenner.

4 – Bolas paradas ofensivas, alçadas na área.

Destaques negativos:
1 – Provável falta de ritmo de jogo do goleiro Jéfferson.

2 – Bolas áreas defensivas.

3 – Insegurança do lateral direito Marcinho.

Expectativa de tempo ensolarado e presença de um bom público nesta tarde de domingo no Maracanã. Que nosso Timinho de Guerreiros esteja em tarde inspirada, com foco e obediência tática. E é sempre bom pedir ajuda do nosso João de Deus, que nos ajude e proteja.

Vamos vencer e gritar, novamente, é campeão!!!

@jorginhoffc

4 comentários sobre “O FLUMINENSE E SUAS MÍSTICAS

  1. Belíssimo conteúdo, de uma didática inteligente e muito bem construída. O artigo trazido pelo nosso irmão de coração traduz a paixão e a lealdade do legítimo tricolor carioca. Parabéns ao amigo por tão belo texto e parabéns à todos os irmãos cariocas tricolores por tão linda história de força, fé, superação e espírito desportivo.
    Salve Fluminense
    Salve tricolores
    Salve Jorge

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