A PIADA DA CHINA – o início do Dalian Yifang

Por Leonardo Hartung

Em meados de fevereiro, o Dalian Yifang meteoricamente ascendeu de um mero campeão da segunda divisão chinesa à nova sensação do futebol chinês. A histeriavinha acompanhada de três fortes contratações: o zagueiro português José Fonte, o meia argentino Nico Gaitán e o belga Yannick Ferreira-Carrasco. Três jogos depois a empolgação caiu por terra e virou até piada para quem acompanha o futebol da China.

O Dalian Yifang perdeu todos os três jogos que disputou na Super Liga da China 2018 e começa o ano com um terrível saldo de 13 gols sofridos e nenhum marcado em 270 minutos. Mas antes de olharmos para o campo, é necessário entender o entorno da equipe nos últimos meses. Os campeões da segunda divisão chinesa em 2017 tinham um modelo de reação (veja na imagem abaixo), se defendendo em duas linhas de quatro e acelerando o seu jogo após a retomada da bola. Natural que isso se mantivesse no retorno à elite do futebol chinês.

DALIAN YIFANG 2017 - RESUMO.jpg

Os problemas se iniciam antes da virada do ano. O espanhol Juan Ramón Lopéz Caro não teve o seu contrato renovado e o experiente Ma Lin assumiu em seu lugar ainda no final de dezembro. O ano virou, o Dalian Yifang iniciou a sua pré-temporada, não renovou com dois dos estrangeiros da equipe (Yannick Boli e Jonathan Ferrari) e não contratou ninguém.

Somente em fevereiro a equipe se mexeu. Chegaram os laterais Zheng Jianfeng e Wang Liang e o meia croata Mate Males. Mas no fim do mesmo mês de fevereiro tudo mudou. O Grupo Wanda deixou o Atlético de Madrid, assumiu o comando do Dalian Yifang e ainda contrataram José Fonte, Nico Gaitán e Yannick Ferreira-Carrasco. Mate Males teve o contrato rescindido e retornou à Croácia. E tudo isso na semana de abertura da Super Liga da China 2018.

O Dalian Yifang iniciou a sua caminhada na elite do futebol chinês com Carrasco na referência do ataque, tendo Nico Gaitán logo atrás e José Fonte ao lado do capitão Wang Wanpeng no setor esquerdo da defesa da equipe. Mas a estreia foi a pior possível. O adversário foi o Shanghai SIPG, atual vice-campeão chinês, que não tomou conhecimento da equipe de Dalian e construiu sonoros 8×0 no Shanghai Stadium. O início em Xangai foi tão ruim que Ma Lin deixou o 4-2-3-1 de lado e foi ao Cantão na segunda rodada para enfrentar o Guangzhou R&F em 5-4-1/3-4-3.

SHANGHAI SIPG x DALIAN YIFANG 4-2-3-1

No Cantão, o Dalian Yifang teve os seus melhores momentos na Super Liga da China 2018. Mantendo a postura reativa, Carrasco, Gaitán (agora atuando nos lados do campo) e companhia conseguiram criar boas chances de gol e assustaram os comandados de Dragan Stojkovic. As chances não foram convertidas em gols e em cinco minutos Chen Zhizhao e Eran Zahavi deram a vitória ao Guangzhou R&F.

O bom desempenho no Cantão deve ter sido um grande catalisador para Ma Linoptar pela manutenção da disposição tática e da escalação (com exceção da entrada de Cui Ming’an no lugar de Zhou Ting) na estreia do Yifang em casa na temporada contra o Beijing Guoan.

BEIJING GUOAN x DALIAN YIFANG 5-4-1

A melhora vista no Cantão diluiu no retorno à Dalian. Enquanto o Beijing Guoan teve uma atuação impecável com a bola nos pés, o Dalian Yifang apenas assistia de forma passiva ao seu adversário rodar a bola e se mover entre as linhas de marcação sem conseguir dificultar as ações da equipe de Renato Augusto.

O técnico Ma Lin não é o maior culpado pelo atual cenário do Dalian Yifang, mas pagou o pato. O alemão Bernd Schuster (que não comanda uma equipe profissional desde o Málaga na temporada 2014/15) recebeu a missão de (ao menos tentar) colocar a equipe nos eixos.

Mesmo mantendo a postura reativa da última temporada, o Dalian Yifang alterou a sua dinâmica. Se antes a equipe poderia buscar Nyasha Mushekwi ou Yannick Boli pelo alto, hoje a equipe encontra muitas dificuldades pelo jogo aéreo já que Carrasco e Gaitán não o têm como um ponto forte.

Fora dos três jogos iniciais da temporada, o atacante zimbabuano Nyasha Mushekwi (artilheiro da equipe nos últimos dois anos) aparece como uma boa opção para o momento garantindo ao Dalian Yifang a possibilidade da bola longa, tanto utilizada no anos anteriores.

À tudo isso, adicione uma defesa lenta (com a média de idade mais alta da competição) ao ataque que menos finaliza a gol (média de dez chutes por jogo) e que tem o pior aproveitamento no quesito (1,7 chutes no alvo por jogo) na Super Liga. As escolhas deram errado e o momento da equipe é péssimo.

Como se diz no ditado popular, o Dalian Yifang deu um passo maior que as pernas. Errou no timing das contratações de seus estrangeiros e esqueceu que a base das equipes chinesas é feita de (bons) jogadores locais. Agora só resta aguardar e observar o que será feito por Bernd Schuster nas próximas rodadas.

Dados: WhoScored.com

@hartungleo

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