E TUDO BRUNO LEVOU – ANALISE DE SPORTING x RIO AVE

Por Nelson Diogo Duarte

 No passado fim de semana, o Sporting recebeu e venceu o Rio Ave, num jogo que era imperativo vencer, para manter distâncias para os principais rivais e para manter, o sensacional Braga, a 4 pontos de distância.

No que ao Sporting diz respeito, foi possível ver o exímio trabalho de Bruno Fernandes (vídeo 1). É impressionante ver o jovem português a criar espaços (com bola para desequilibrar e sem bola para se oferecer como linha de passe – para depois desequilibrar). Raro é o lance de desequilíbrio ofensivo do Sporting que não passe por Bruno Fernandes, seja pela dinâmica do “homem livre”, seja por movimentos de rutura nas costas da última linha defensiva, seja pela dinâmica do “terceiro homem”, enfim…

Também no vídeo 1, é possível constatar como é que o Sporting, por vezes, desmontava a linha defensiva de 5 homens do Rio Ave, procurando confundir as coberturas dos laterais (arrastando, tanto o lateral como a sua cobertura, para os corredores laterais – vídeo 1).

Por fim e apesar do bom jogo ofensivo do Sporting, os golos surgiram de 2 situações particulares:

  • O 1º golo (vídeo 1) surgiu de um rápido lançamento de linha lateral (que apanhou a organização defensiva do Rio Ave – ou parte dela – desequilibrada e em desvantagem posicional face a Bruno Fernandes (sempre ele), Bas Dost e Gelson Martins;
  • O 2 º golo (vídeo 1) surgiu de uma recuperação de Coates que se incorporou no ataque da sua equipa. Esta incorporação não se deveu ao acaso, pois até aos 83’, Bas Dost estava a ser muito bem anulado pelo trio de centrais do Rio Ave. Isto é, um dos centrais do Rio Ave saía na cobertura aos corredores laterais (quando necessário) e os outros 2 centrais ficavam em superioridade numérica defensiva face a Bas Dost, no corredor central. Todavia, é aqui que entra o papel chave de Coates. Aos 83’ quando se incorpora no ataque, liberta Bas Dost da marcação que até então estava a ser alvo (passando a ser Coates a referência para os centrais do Rio Ave). Bastou ver Bas Dost livre 30 segundos e o golo do Holandês surgiu…

Em relação ao Rio Ave, foi possível ver várias boas saídas em construção curta (vídeo 2). Quem quiser perceber a importância de uma saída em construção a 3 é ver o vídeo 2, pois explico a vantagem (para o lateral) de tal saída. Aliás, vemos também, a capacidade de adaptação do Rio Ave àquilo que o jogo lhe dá, pois o Sporting apresenta um comportamento típico a defender, pois, tendencialmente, colocam um dos centrais na contenção sobre possível recetor no corredor central e o outro central na cobertura. O Rio Ave, apercebendo-se disso, por vezes, fazia baixar 2 homens junto do central do Sporting que estava em contenção, impedindo-o de “marcar 2 homens” e, assim, terem saída para progressão.

No vídeo 2, explico, também, porque é que acho que não é aconselhável colocar central e lateral na mesma linha de passe vertical (tal como Nadjack – lateral do Rio Ave – fazia).

 

Para saberem mais sobre mim, bem como o meu percurso (académico e profissional) visitem: LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/nelsondiogoduarte/

@NelsonDuarteee

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