ANÁLISE TÁTICA: OS QUATRO MOMENTOS DO JOGO DO CORITIBA

Por André Frehse Ribas

O Coritiba voltou a vencer no Paranaense. O Alviverde superou o Cianorte, mas novamente não apresentou um bom futebol. E a pergunta que todo torcedor quer saber a resposta é: Por quê o Coritiba não consegue jogar bem? Peças? Modelo de jogo? Hoje vamos analisar o Coxa nos quatro momentos do jogo: Defensivo, transição defensiva, ofensivo e transição ofensiva. Para fazer essa análise, procurei por padrões que se repetem em vários jogos do Coritiba.

Organização defensiva

O nome já diz tudo, a organização defensiva é quando o time está organizado no seu campo de defesa. Linhas compactas e poucos espaços para superar o ataque do adversário. Com isso, o time trabalha para recuperar a bola o mais rápido possível e procura evitar a finalização do adversário.

E como o Coritiba se defende? Bom, o Alviverde marca em zona no 4–1–4–1, com os laterais na última linha, João Paulo entre as duas linhas e os pontas na linha do meio-campo, deixando o Alecsandro como homem de referência. O time fica inteiro no seu campo de defesa, mas, mesmo assim, deixa espaços para o adversário criar e trabalhar a bola. Isso acontece porque o Coritiba, quando já está compacto em seu campo de defesa,  não pressiona quem tem a bola. Desta forma, o adversário consegue flutuar e abrir espaços nas linhas do Coritiba, com infiltrações e passes desconcertantes.

Contra o Cianorte, o Alviverde executou a marcação pressão em boa parte do jogo, diferente do que vinha acontecendo nos últimos jogos. Com suas linhas altas, o Coritiba dificultou a criação de jogadas do Leão do Vale e só não foi perfeito, na primeira etapa, porque falhou na bola aérea.

Um grande problema do Coxa vem sendo a organização defensiva na bola aérea. Note, neste lance, a falta de entrosamento entre Benítez e Léo Andrade. Léo, que jogou de zagueiro no último jogo, marca o jogador do Cianorte que tenta a infiltração. Com isso, Benítez deveria acompanhar o outro jogador, mas está distante do jogador e o deixa livre para cabecear.

 

Em outros jogos, o Alviverde mostrou problemas nas cobranças de escanteio. Sandro Forner prefere a marcação individual neste momento, mas ela não vem sendo eficiente. Isso porque ele não está escolhendo os jogadores certos para fazer essa marcação. Vamos usar como exemplo o jogo contra o Maringá. O zagueiro Alex Fraga, que é muito bom na bola aérea, foi marcado pelo Benítez, que tem dificuldades na marcação 1×1 e na subida para cabecear. Resultado? dois gols de Fraga.

Organização ofensiva

A organização ofensiva acontece quando time tem a bola e está poscionado para atacar. É neste momento que a equipe tenta construir e criar situações para marcar o seu gol. Como isso acontece vai de técnico para técnico. Tem quem prefira circular a bola, passes curtos, triangulações e aproximações, mas tem quem acha melhor jogar na ligação direta, com menos troca de passes e mais objetividade.

O Coritiba aposta nas jogadas diretas, com poucas trocas de passes e mais objetividade para chegar ao gol. O time procura criar com seus pontas e definir a jogada pelo meio, mas isso não acontece da forma que deveria, pois o Coxa tem problemas na criação e na hora de dar o último passe. Quais são esses problemas? O Alviverde só tem uma jogada, jogar a bola nos pontas e tentar sair em velocidade. Quando tenta trabalhar a bola, falta opções ao portador para dar o passe. Linhas longes e pouca movimentação para tentar quebrar a marcação do adversário.

Repare, neste lance, como o Coxa tenta criar com poucos passes, mas falta qualidade para executar e chegar ao gol. Iago Dispara sozinho, sem apoio e com dois marcadores nele.

 

No último jogo, o Cianorte jogou com suas linhas baixas e deu a bola para o Coxa, apostando nos contra-ataques para chegar com perigo ao gol de Wilson. Já o Alviverde adiantou suas linhas e tentou propor o jogo, mas não conseguiu progredir ao ataque.

Note, neste outro lance, que o time procura trabalhar mais a bola. Passes curtos, infiltração e abrindo espaços na zaga do Cianorte. Resultado? Bela jogada e um bom chute de Pablo. Mas isso é raro de se ver no Coritiba. Acontecem poucas jogadas como essa durante os jogos.

 

Será que apostar no jogo rápido com seus pontas é o melhor caminho para atacar? Acredito que não. Com os pontas que tem, o Coxa deveria apostar em um jogo de posse e controle de jogo, utilizando seus pontas como escape. Passes curtos, movimentação e velocidade, é uma forma de envolver o adversário e achar espaços. Mas, para isso, precisa aproximar suas linhas e rever seu posicionamento no ataque.

Transição defensiva 

Coritiba perde a bola e inicia a transição defensiva. Repare que um jogador pressiona para atrasar/ou matar o ataque do Cianorte.

A transição defensiva inicia quando a equipe que está atacando perde a bola. Neste o momento, o time tenta recuperar a posse da bola ou retardar o ataque do adversário para se organizar defensivmente.

Como acontece isso no Coritiba? Quando perde a bola, o Alviverde procura pressionar o portador dela para se recompor no campo de defesa, diferente de quando está organzado no seu campo defesa, que acha melhor aguardar e se manter alinhado. Assim que a pressão acontece, os laterais voltam para última linha e os pontas para comporem a linha do meio-campo. Mas, se o jogador que pressiona não consegue recuperar a bola ou atrasar o ataque, a equipe adversária tem facilidade em atacar pelos lados, pois  a recomposição é lenta e depende dessa pressão no portador da bola.

Transição ofensiva

A transição ofensiva começa quando o time recupera bola e começa a se organizar para realizar um ataque. Isso dura alguns segundos. Por isso é importante que a equipe seja rápida e precisa para aproveitar a desorganização do adversário.

E dessa forma que o Coritiba tenta jogar. Em seu jogo reativo, o Alviverde procura recuperar a bola e acionar os seus pontas para pegar o adversário desorganizado, mas falta qualidade a esses jogadores para serem precisos na hora de acertar o passe-chave. Velocidade eles possuem, mas, quando chegam no terço final do campo, não conseguem definir a jogada.

Gostou da análise?

@Andre_frehse

#AprendemosJuntos

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3 comentários sobre “ANÁLISE TÁTICA: OS QUATRO MOMENTOS DO JOGO DO CORITIBA

  1. Excelente, André.
    Ultimo parágrafo definiu o time. Até conseguem chegar no terço final, porém quando precisam de qualidade e criatividade pra tentar algo eles não possuem. O material humano é fraquíssimo pra ser titular de um time como o Coritiba e isso reflete ou é o reflexo do que acontece em outras áreas infelizmente.

    O time procura jogar somente no contra-ataque, mas pra isso os extremos deveriam ser rapidos e com certa habilidadee os internos ter posicionamento pra infiltrar, coisa que não acontece também.

    No mais, excelente análise, continue!

    Abraço

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