CHEIRO DE CLÁSSICO – Análise pós jogo de Vasco 3 x 2 Botafogo

Por Ricardo Leite

Gols, golaços, pênalti, polêmica, provocações, reclamações, e futebol.

Em um clássico que era importantíssimo para a confiança das duas equipes, o que se viu foi muita vontade no início do jogo. Isso gerou lances ríspidos. Na parte tática o Vasco foi muito superior ao Botafogo no primeiro tempo. Conseguiu ter a bola, marcar alto (ou seja, no campo do Botafogo), dominar o meio, e ainda utilizar bem os extremos que ficaram muitas vezes no mano a mano com os laterais botafoguenses (muito pela falta de auxílio do Leo Valencia que jogou aberto pela esquerda, onde normalmente joga Pimpão que recompõe muito mais).

Com a marcação alta, o Vasco gerou muitos problemas para a saída de bola do Botafogo. Recuperou muitas bolas e forçava o time alvinegro a dar chutões.

Na parte defensiva o Vasco também estava bem postado. As linhas bem definidas, próximas, marcação acontecia de forma correta tanto com os jogadores do meio, como os extremos e os laterais. Com isso os zagueiros não ficavam expostos. O Botafogo só chegava nas bolas paradas, ou alguns cruzamentos de Leo Valencia e Moisés.

Vasco criou, com jogadas pelas laterais, pelo meio, triangulações, ultrapassagens dos laterais, jogadas individuais e movimentação dos homens de ataque. E com isso, mesmo não fazendo uma boa partida tecnicamente o Vasco deu uma aula tática e conseguiu marcar dois belos gols ainda no primeiro tempo. O segundo, inclusive, merece destaque. Evander aproxima do Henrique, recebe, protege, com toque de letra deixa Henrique em condições de avançar, Ríos sai da direita, se movimenta fugindo da marcação no meio da área, Henrique levanta a cabeça e com bela visão de jogo o encontra para fuzilar Gatito! GOLAÇO!

Desábato começou o jogo errando muitos passes, algo que não é comum. Mas se manteve sóbrio  e bom posicionamento defensivo. Na marcação anulou Marcos Vinicius. E com o meio dominado chegou a aparecer próximo a área adversária algumas vezes. Mais uma vez Desábato participando mais das jogadas ofensivas. Com a saída do Rildo, Paulinho entrou e foi essencial para a vitória. Apesar de muitos erros, Paulinho teve volume, inteligência e poder de decisão. Com isso pode ser eleito o melhor em campo. Mas preciso destacar a partida do Henrique. Voltou a ter liberdade para criar (mais uma assistência pra conta), mas foi muito seguro na marcação e uma ótima válvula de escape para as saídas e transições.

Wellington novamente apresentou boa movimentação, mas seus erros estão cada vez mais constantes e perigosos, gerando contra ataques que deixam a defesa exposta. Evander poderia ter feito uma partida perfeita, mas algumas decisões equivocadas como cavar um pênalti e um chute ruim, apesar da progressão de dois jogadores em melhores posições, foram responsáveis por fazer alguns torcedores o vaiarem. Mesmo assim participou de dois gols e acelerou as jogadas de transição. No segundo tempo cansou e fez uma apresentação ruim.

Na segunda etapa, o Vasco mostrava que continuaria com a mesma intensidade e objetividade, mas em pênalti de Wellington em falha coletiva. Sem a presença de Henrique e nem auxilio de Paulinho, Desabato é obrigado a marcar Luís Fernando aberto na ponta direita. Fica no mano a mano, perde. Quem aparece na sua cobertura é Evander. Mas mesmo assim o jogador alvinegro efetua o cruzamento. Martín Silva e Paulão aparecem para cortar mas na segunda bola Wellington se precipita e comete o pênalti. O Botafogo diminui e cresceu no jogo. Mesmo que fosse na vontade, o Botafogo começava a tentar se impor, mas foram as falhas individuais cometidas pelo Vasco que fizeram o Botafogo almejar e alcançar o empate.

O Vasco cansou e não conseguia mais marcar alto, e Evander diminuiu seu afinco na marcação. Com isso os espaços aumentaram e o Vasco sofreu uma grande pressão do Botafogo. Mas apesar dos espaços concedidos, o Vasco ofensivamente ainda era perigoso. E em cruzamento rasteiro, Pikachu encontrou Paulinho livre, como se fosse a coroação por toda sua luta em campo. Além do melhor em campo, foi o homem do jogo. Decidiu.

Zé Ricardo apostou nesse jogo no ataque formado por Ríos (aberto pela direita, sua posição de origem), Rildo/Paulinho (aberto pela esquerda) e Riascos mais centralizado. O que pôde se observar, foi um crescimento individual do Ríos nessa posição e boa movimentação ofensiva do trio, uma decisão que se mostrou eficiente para o jogo de hoje pelo menos, até pelo meio campo pouco marcador da equipe do Botafogo (como destacamos no texto pré-jogo). Alberto também se prejudicou e foi prejudicado. Se prejudicou quando escolheu Marcos Vinicius na vaga de Pimpão e perdeu recomposição. E foi prejudicado com as baixas de Kieza (antes) e João Paulo (durante o jogo). Dois jogadores essenciais para o esquema alvinegro. Pelo lado do Vasco ótima “partida” do Zé. O Vasco parecia preparado para enfrentar o adversário e mostrou novamente os princípios adotados no início de ano. Que continue assim, pelo menos taticamente.

vasco 1LEGENDA: 4-3-3 bem definido. Linhas próximas e superioridade numérica em toda extensão do campo (após a bola)
vasco 2Agora os extremos recuam e Riascos fica à frente sozinho. 4-5-1.Novamente defesa bem postada. Agora num 4-3-2-1 (variação do 4-3-3)
vasco 3Novamente defesa bem postada. Agora num 4-3-2-1 (variação do 4-3-3)

@analisevasco

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Um comentário sobre “CHEIRO DE CLÁSSICO – Análise pós jogo de Vasco 3 x 2 Botafogo

  1. Penso que o grande detalhe atual é exatamente o que é comentado, a exigência em cima do atacante para recompor. O 1 x 1 na lateral do campo sempre existiu e vai existir. A diferença é que antes os zagueiros ou volantse faziam a cobertura. A linha de zagueiros era considerada linha burra. Hoje os zagueiros não marcam. Observar o primeiro gol do Vasco, são três atletas do Botafogo que apenas observam a mobilidade do vascaíno dentro da área. Eles mantém uma linha, mas não marcam ninguém.

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