ESQUENTA PRO CLÁSSICO DA REINVENÇÃO – VASCO x BOTAFOGO

Por Ricardo Leite

Neste domingo, Vasco e Botafogo se enfrentam no Nilton Santos. Há quem diga que o jogo é decisivo pelas semifinais da Taça Rio e do Carioca. Não deixa de ser verdade. Mas não é só isso.

Com começo de ano turbulento, Botafogo já demitiu treinador (Felipe Conceição) e contratou Alberto Valentim. O ex treinador do Palmeiras conta com aval do grande sonho de consumo da diretoria do Botafogo: Cuca.

Com a troca de treinador, ainda em fevereiro o Botafogo já buscava se reinventar para ter um ano tranquilo. Valentim chegou e já no primeiro jogo promoveu 6 mudanças no time titular. Depois disso, conseguiu repetir essa mesma escalação todas as vezes que comandou o time. Mas nas vésperas do clássico confirma que pode fazer alguma(s) mudança(s).

O Botafogo até vem fazendo seu dever de casa contra os pequenos apesar do empate contra o Volta Redonda na última rodada. Mas no único grande jogo de Valentim, no clássico contra o Flamengo mais uma derrota. O alvinegro até teve boa performance, mas o resultado não veio.

Valentim tem características marcantes. A principal delas é que suas equipes tendem a ter a posse de bola e tentam propor o jogo. Isso aconteceu até mesmo quando esteve à frente do RB Brasil. Costuma jogar com a linha defensiva adiantada, marcação por zona e busca compactação em todos os setores do campo.

O esquema utilizado pelo treinador alvinegro é um 4-2-3-1, que muitas vezes vira 4-1-2-3 e pode evoluir para um 4141. Essa variação acontece com facilidade pelas características dos jogadores. Lindoso e João Paulo por exemplo, jogam em mais de uma posição.

Apesar do pouco tempo, já é possível ver um Botafogo diferente e buscando ter a cara do seu treinador. Destaco aqui a presença de dois zagueiros que fazem bem a saída de bola. Um meio campo com boa qualidade de passe. Extremos velozes e muita presença de área com o Kieza. Este aliás, já tem 3 gols e vem tendo bom desempenho.

Mas o ponto de equilíbrio desse time tem nome: João Paulo. O meia/volante faz de tudo no time alvinegro. Lidera muitas estatísticas e é o principal responsável pela transição da defesa para o ataque, seja em projeção com a bola, passes buscando dar amplitude ou até mesmo lançamentos.

Estatísticas do Footstats referente ao Campeonato Carioca 2018

Por isso é necessário que o meia escolhido por Zé Ricardo o observe de perto. Se tiver liberdade, ditará o ritmo do alvinegro como Pizarro fez pela Universidad de Chile na terça feira.

Fonte: Footstats

Pelo lado do Vasco, a equipe já não conta com tanto entusiasmo de sua torcida como aconteceu no início de ano com alguma boas apresentações, principalmente na pré Libertadores.

O time sofre com alguns desfalques e queda de rendimento de alguns jogadores importantes. Por isso busca se reinventar dentro de campo também. Leva certa vantagem pois mantém o seu treinador, que já conhece o elenco e fez esse time ser competitivo.

O Vasco apresentou bons índices de evolução dentro do campo em relação a temporada 2017. Mas os últimos jogos foram preocupantes e colocam em xeque este crescimento.

O Vasco precisa se resguardar pois o Botafogo vem atacando muito bem pelo lado esquerdo, onde o Vasco demonstra fragilidades pela fraca marcação do Pikachu e ausência de cobertura eficaz. Moisés vem se destacando por ali pelo Botafogo. E talvez o ponto mais forte do Botafogo seja o ponto mais fraco do Vasco. Bola parada. Léo Valência cobrando e Igor Rabelo e Kieza sendo os principais alvos. Ambos têm bom aproveitamento na bola alçada.

Com bola rolando, o Botafogo também utiliza muito das bolas aéreas. É bom o Vasco encontrar um antídoto. Pois tem sido a principal dificuldade encontrada pelo sistema defensivo cruzmaltino.

Fonte: Footstats

Apesar disso, o Vasco tem totais condições de fazer uma boa partida e reencontrar a vitória e a confiança que está em baixa. Vasco tem laterais em bons momentos ofensivos e extremos com qualidade na jogada individual. Mas é imprescindível o aumento do performance do volante que for jogar ao lado de Desábato e do meia escolhido por Zé. Na frente, Riascos ou Rios deverão ter dificuldades se aceitarem passivamente a marcação dos bons zagueiros botafoguenses.

É necessário movimentação, infiltração vertical e rapidez de raciocínio. Coisas que ambos não vem tendo desempenhos satisfatórios. O Vasco também precisará voltar a progredir em bloco, com compactação e que os meias tenham participação ativa no setor. Esses jogadores têm encontrado dificuldades de se posicionar corretamente nos jogos. Ora estão muito recuados para fazer a saída de bola, e não chegam a tempo de construir a jogada ofensiva, dar opção de passe pros demais jogadores. Ora estão muito encostados nos atacantes e o time sente falta de um jogador com capacidade organizativa. Deixando assim, um buraco entre o setor defensivo e o ataque. O Vasco terá o caminho facilitado se concentrar seus ataques nas costas de Moisés, que ataca muito e não tem tanta facilidade na marcação.

Além disso, povoar o meio e atacar com pelo menos 4 jogadores deve gerar desconforto ao Botafogo que não tem um meio campo marcador.

Para o Vasco é necessário voltar a fazer uma boa partida, recuperar confiança de alguns jogadores e encontrar novas soluções. Chance para Thiago Galhardo, por exemplo. Vasco precisa encontrar soluções caseiras para os seus problemas, a Libertadores bate a porta.

Contribuiu para essa análise Bernardo Lima @carlosbernardol

@analisevasco

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