SELEÇÃO BRASILEIRA NA COPA DE 54

Por Ícaro Caldas

Esquecer a tragédia na final da Copa de 1950. Foi com esse pensamento que o Brasil embarcou para a Suíça para a Copa do Mundo de 1954. Do time vice-campeão, apenas seis jogadores continuaram na seleção: o goleiro Castilho, o zagueiro Nilton Santos, os meias Ely e Bauer, e os atacantes Baltazar e Rodrigues.

Até o uniforme foi mudado. A famosa camisa amarela fez a sua estreia em Copas, substituindo a branca, considerada um dos fatores de “azar” na derrota para o Uruguai, em 1950. O técnico também mudou. Flavio Costa deu lugar ao autoritário Zezé Moreira, que em 1952 dera ao Brasil o seu primeiro título oficial internacional – o Pan-Americano do Chile.

As novidades do novo treinador eram o esquema 4-3-3 (recuando o ponteiro Telê Santana para ajudar no meio-campo) e a marcação por zona. Aqui já começamos a ver a inversão da Pirâmide, com cada vez menos jogadores no ataque, recuando para o meio campo e defesa. Como aconteceu em 1950, o primeiro adversário foi o México. E a seleção brasileira venceu com facilidade: 5 a 0. Pinga, duas vezes, Baltazar, Didi e Julinho marcaram os gols do Brasil.

O segundo jogo da seleção brasileira foi contra a Iugoslávia. O empate em 1 a 1 classificaria as duas equipes, mas o Brasil continuou pressionando, para desespero dos iugoslavos. No final do jogo, os brasileiros deixaram o campo chorando, pensando que haviam sido eliminados. O engano só foi desfeito quando todos estavam nos vestiários.

Nas quartas de final, a rival foi a poderosa Hungria. O craque Puskas, astro húngaro, machucado, não jogou. Mesmo assim, sua equipe não deu chances aos Brasil, abrindo 2 a 0 em apenas sete minutos de bola rolando, com gols de Hidegkuti e Kocsis.

Djalma Santos, de pênalti, deu uma pequena esperança à torcida ao descontar o marcador, ainda no primeiro tempo. Mas o gol de Lantos, aos 15min do segundo tempo, colocou a Hungria de novo próxima das semifinais. Cinco minutos depois, Julinho Botelho voltou a descontar a favor do Brasil, que pressionava em busca do empate.

A partir dos 25min, porém, a partida descambou para a violência. Nilton Santos e Bozsik se agrediram e foram expulsos pelo árbitro Arthur Ellis (que fora bandeirinha na final em 1950). Minutos depois, Humberto acertou uma voadora em Lorant e deixou o Brasil com nove em campo. Aproveitando a vantagem numérica, Kocsis fechou o placar para a Hungria, aos 43min.

Nem mesmo o final da partida acalmou os ânimos. Os jogadores dos dois times voltaram a se enfrentar na saída do campo. Maurinho deu um soco em Czibor. Já no túnel, Puskas abriu a testa de Pinheiro com uma garrafada. Nem os técnicos escaparam. Zezé Moreira acertou Guzstav Sebes com uma chuteira. Por tudo isso, o confronto ficou conhecido como “A Batalha de Berna”. Mais uma vergonha para os eliminados brasileiros antes da volta para casa. (Fonte: uol.com.br)

Uma das formações do Brasil na Copa do Mundo de 1954, na Suiça:

54 1Em pé: Djalma Santos, Brandãozinho, Nilton Santos, Pinheiro, Mario Américo (Massagista), Castilho e Bauer Agachados: Julinho Botelho, Didi, Baltazar, Pinga e Rodrigues
54 3Formação tática 4-3-3

Time Titular: 1 Castilho (GOL), 2 Djalma Santos (LD), 5 Pinheiro (ZAG), 3 Nilton Santos (LE), 4 Brandãozinho (MC), 6 Bauer (VOL), 8 Didi (MC), 7 Julinho (ATA), 18 Humberto
(ATA), 19 Índio (ATA), 17 Maurinho (ATA).

@caldas_icaro

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