CAMISA GANHA JOGO? COMO ALI x FOREMAN EXPLICA A TEORIA

 

Por Daniel Lima e Maurício Wiklicky

Zaire, 31 de outubro de 1974, dois lutadores de alto nível técnico se preparam para aquele que se esperava ser o grande evento de show business no mundo, a luta mais aguardada De um lado estava Muhammad Ali, super campeão do pugilismo, havia vencido mais de 40 lutas até ali, porém estava mais velho e tendo três anos de carreira comprometidos por se recusar a servir o exército. Do outro lado tínhamos George Foreman, a mais nova sensação de vinte e cinco anos de idade, tinha 40 vitórias e nada a dever para o seu rival, mas havia algo que os separava, a tal da “camisa”…

Sim, eu sei que no boxe profissional não se usa camisa, no entanto a palavra aqui vem acompanhada no sentido conotativo, falo do peso do nome, da carreira consolidada, a unanimidade entre o público e a imprensa, e, ao menos isso, Ali tinha de sobra.

Já Foreman era o oponente perfeito, o grande talento, a esperança de um rival à altura que promete, promete…e perde! Mas por quê? Se ambos tinham capacidade técnica, Foreman era mais novo, estava com ritmo e a luta era em campo neutro. Sim, só pode ser a tal da “camisa pesada”.

A luta começara quente para o novato, conseguindo empurrar o veterano nas cordas, sufocando o seu oponente com uma rajada de golpes, um atrás do outro, não havia chance para Ali, não podia haver, a superioridade de Foreman era indiscutível, e sua vitória era questão de tempo. Foi assim no primeiro Round, no segundo, no terceiro e no quarto. Até que chegamos no último e definitivo, o oitavo.

Depois de uma sequência de rounds só se defendendo, Ali pareceu acordar naquele momento definitivo, Foreman gastara tudo aquilo que tinha de superior, a vitalidade da juventude, enquanto Ali preservava o que só os grandes possuem, a grandeza, fruto da experiência de momentos grandes. Bastaram apenas quinze segundos para botar Foreman na lona, sim, um domínio de quinze segundos…

Etratégia, conhecimento, experiência e qualidade. Ali nunca venceria sem esses elementos. Nunca venceria somente com o seu nome. Por trás desse nome há vários elementos que o fizeram vencer. Não podemos menosprezar uma vitória “apenas” pelo nome. Não podemos explicar uma derrota no futebol apenas pela “camisa”.

camisa 1Foreman parece não ter força para se levantar depois do nocaute. Fonte: youtube.

Nas últimas semanas pudemos apreciar dois duelos pela liga dos campões (Real Madrid x PSG e Tottenham x Juventus) que desencadearam uma reflexão no futebol, a “camisa” pesa em um duelo desses? O “varal” entorta? Como todos que analisamos o jogo em si devemos estar atentos às repetições de padrões no esporte, abro licença para algumas observações.

Tal como a luta de Ali x Foreman, os duelos de Real x PSG e Tottenham x Juventus apresentavam o embate entre o consagrado e experiente (Real e Juve) contra o novato de alto nível e inexperiente (PSG e Tottenham). No jogo entre Real Madrid x PSG tínhamos também um novato em bom momento, o time da moda, enquanto do outro lado estava um veterano cansado, sem muitas esperanças. E o que vimos no início do duelo foi o novato batendo e cansando o veterano, abrindo o placar com Rabbiot e com o controle da bola nos pés. Mas bastou um lapso, mais exatamente entre os minutos 83 e 86 para o gigante de Madrid acabar com as esperanças da nova onda de Paris.

Mas acabaram somente pela “camisa”, claro que não. Zidane estrategista posicionou Asensio e Vazquez nas costas dos laterais (Dani Alves e Berchiche). Consequentemente estes não conseguiram associar com a principal jogada de ataque, com Mbappé e Dí Maria pelas pontas. Simplesmente Zidane “encaixatou” Emery.

Já o jogo entre Tottenham e Juventus a coisa parecia ainda mais previsível, a sensação de Londres precisava de apenas um empate simples, em casa, ou qualquer vitória para seguir adiante, só não contava com o peso da Juventus, que começou perdendo, sendo sufocada, simplesmente jogada nas “cordas”, ou na “lona”, e mesmo assim se levantou e em 3 minutos (aos 64 e 67) virar o cenário, deixando o promissor time de Londres no lugar que a história sempre lhe reservou, até o momento. Mas vemos dois pontos claros nessa virada:

– a qualidade da dupla Argentina, Dybala e Higuaín

– o famoso Catenaccio italiano, ou seja, um time que marca muito, que sabe “sofrer” com um dos melhores (ou o melhor) goleiro do mundo e um dos melhores zagueiros na atualidade (Buffon e Chielini)

Mas se temos dois exemplos que “a camisa ganha jogo” (ou não), no jogo entre Manchester United e Sevilla aconteceu o contrário (ou a camisa do United não é muito mais pesada que do Sevilla?). Explicamos um pouco no nosso Twitter @mwfutebol sobre o que aconteceu no jogo, e por quê a camisa não “pesou”…

O que todas estas histórias têm em comum é que por mais que achemos que a experiência, a vivência de grandes desafios ou a quantidade de títulos não entram em campo, entram sim, não apenas pela camisa materialmente, mas por um peso bem mais subjetivo que não pode ser calculado, medido e muito menos ignorado. Mas que de nada adianta isso sem ter QUALIDADE, ESTRATÉGIA, ESTUDO E COMPROMETIMENTO! O objetivo aqui não é defender uma tese cientifica, e sim, tentar levantar reflexões, afinal o futebol é um esporte dinâmico e complexo.

camisa 2Momento em que Marcelo parece dizer: “Camisa pesa, mas minha qualidade é o principal”. Fonte: youtube.
camisa 3Golpe de misericórdia da gigante Juventus diante do Tottenham. Qualidade de Dybala. Fonte: youtube.
camisa 4Ben Yedder mostrando o tamanho da camisa do Sevilla contra o United

@eldanilima @mwgremio

2 comentários sobre “CAMISA GANHA JOGO? COMO ALI x FOREMAN EXPLICA A TEORIA

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