ANÁLISE VASCO x UNIVERSIDAD DO CHILE: UMA NOITE FRUSTRANTE

Por Ricardo Leite

O péssimo jogo que o Vasco fez tem explicação tática. Tem explicação para qualquer um que estudou o mínimo a Universidad de Chile. Quais eram as características positivas marcantes da LaU?

Experiência: O time jogou calmo, manteve a posse, não arriscou, catimbou, fez cera. Utilizou pilares pelo campo. Beausejour, Pizarro e Pinilla foram importantes para manter a LaU inteligente e bem postada por todo campo de jogo.

Lado esquerdo: Aproveitou a fraqueza defensiva do Pikachu, que desde o início da temporada não conta com boa cobertura do Wellington e nem de Paulão. Além disso, o auxílio do extremo direito tem sido sempre tímido, seja ele Paulinho ou Wagner. Como esperado, Beausejour e Soteldo trabalharam a bola, imprimiram velocidade quando quiseram, fizeram triangulações e venceram a maioria dos duelos individuais.

A capacidade organizativa de Pizarro: O jogador teve absoluta liberdade para pensar o jogo de trás para frente, sem ser incomodado. Se deu ao luxo de cometer alguns erros e mesmo assim ditou o ritmo da equipe chilena.

Para preencher o meio campo, o treinador Guillermo Hoyos preferiu utilizar Araos (autor do gol) a Lorenzetti. E a escolha se mostrou acertada. Com a juventude, auxiliou na marcação, com as passadas largas progrediu bem em direção ao gol do Vasco e apareceu bem para finalizar.

O Vasco não explorou em momento algum a fragilidade da marcação da LaU no vértice entre os volantes, zagueiros e alas. Evander não buscou se posicionar atrás de Seymour. Ficou sempre à frente, dando toda tranquilidade para o chileno fazer sua marcação. O Vasco jogou espaçado, sem aproximação, não preencheu os espaços vazios, não formou os triângulos essenciais para rodar a bola e progredir no campo. Parecia um time de totó (ou pebolim ou flaflu da região que você é). Todos parados na posição da prancheta, estáticos. O exemplo vivo disso: Wellington. Encaixotado na marcação. Não fez a saída de bola, não auxiliou Pikachu. Não jogou. E deixou jogar. Já Desábato manteve a regularidade e mais uma vez fez ótima partida. Se desdobrou na marcação. Quando tínhamos a bola, o argentino fazia o 3º zagueiro e tentava dar uma sobriedade na transição que inexistia com Paulão e Erazo. Deu passes verticais que ajudavam a quebrar a primeira linha de marcação, mas sentiu e precisou sair.

VASCO 1Mesmo com o Vasco em superioridade, a defesa está no mano a mano e jogador da LaU livre na entrada da área. Henrique se desloca para tentar cobrir Erazo, Desábato acompanha Soteldo, Pikachu voltando para fechar o lado direito e Wellington frouxo na marcação, acompanhando à distância.

Riascos que tinha tudo para infernizar os três zagueiros com as infiltrações verticais se limitou a fazer falta e jogar de cabeça baixa. Quando saía para fazer o pivô precisava de tanta concentração para dominar uma bola que se tornava cego por alguns segundos. Incapaz de ver a ultrapassagem ou aproximação dos seus companheiros. Não explorou essa verticalidade em momento nenhum.

VASCO 2
Vasco atacando com 5 jogadores, mas todos marcados. Meio vazio, sem opção de passe, Henrique resolve executar cruzamento improvável (pois está marcado e a referência do time está fora da área). A 2ª bola seria da LaU, nem precisa de muita explicação. Meio campo esvaziado, até Desábato encontra-se aberto. Perigo de contra ataque.

A escolha do Zé Ricardo para a dupla de zaga já desagradava à maioria dos torcedores, mas depois desse jogo mostra-se injustificável. Em mais uma partida tenebrosa, foram facilmente envolvidos pelos adversários. Seja na velocidade, ou na troca de posições. Seja na triangulação ou na jogada individual. Além disso, ainda não acrescentam em nada com a bola. Se a tendência do futebol atual é ter goleiro que tenha bom jogo com os pés para gerar superioridade, imagina jogar com um goleiro que não participa e além dele mais dois zagueiros que atrasam e falham no principal aspecto do jogo: o passe. O Vasco começa o jogo fadado ao fracasso. Com menos três jogadores aptos para jogar.

VASCO 3No gol obviamente, por ser uma jogada de lateral, a defesa do Vasco estava bem postada. Então Araos girou na marcação e contou com as falhas individuais de Paulão (na marcação) e Martín Silva (defesa simples) para abrir o placar.

De positivo, no meio de tantos jogadores experientes, e que teoricamente estariam mais aptos a jogar melhor este tipo de jogo, o jogador do Vasco mais lúcido ao lado de Desábato foi Henrique. Seguro atrás e imprimindo velocidade e buscando triangulações para fazer a transição ofensiva. O lateral de apenas 23 anos foi seguro e eficaz na sua função.

Até agora só falamos de aspectos táticos. Coisas que analisamos ANTES da partida. A impressão que dá é que o Vasco descobriu quem era o seu adversário às 21:30 desta terça-feira 13/03/2018. Não a estudou, ou pelo menos, se estudou demonstrou que não compreendeu nada. A LaU foi uma prova de física quântica para um Vasco estudante de filosofia… Nem isso, o Vasco não manteve a sua filosofia. Não a dessa temporada. Jogou alargado em campo, com posições quase obrigatórias (exceto Desábato), o que prejudicou imensamente a capacidade que o time vinha desenvolvendo de, por estar próximo, atacar rapidamente o adversário no seu campo de defesa quando perdia a bola. Rafael Vaz por exemplo, elogiado por alguns, parecia querer ajudar o Vasco de alguma forma. Passes e lançamentos errados, furadas, mas o time chileno estava quase sempre em superioridade numérica e com isso, até seus erros eram facilmente contornados.

Sobre o Zé Ricardo: Ao ser obrigado a tirar o Desábato pela contusão, acabou perdendo a pouca organização que a equipe tinha, e ainda perdeu poder de marcação e proteção à frente da área. O estilo de jogo do Paulinho era muito mais compatível para agredir a LaU que o estilo do Wagner. Tanto é que nos primeiros minutos em campo Paulinho foi protagonista de duas chegadas perigosas. Depois faltou inteligência e inspiração para ver que por ali poderia ser um caminho. Rildo foi uma escolha acertada, mas faltou aproximação por aquele lado e ele se viu isolado sem opções para ser agressivo. Defendendo com uma linha de 4 (às vezes de 5), os jogadores do Vasco pareciam saber o que precisavam fazer, mas falhas individuais e falta de consistência fizeram a Universidad de Chile chegar algumas vezes com perigo.

VASCO 4Defendendo com a 1ª linha de 4 e Desábato na proteção na área, posicionado para pegar a 2ª bola.
VASCO 5
Agora defendendo com uma linha 5. Wellington fazendo a LD com a cobertura do Pikachu. Novamente Desábato postado à frente da área.
VASCO 6Novamente defendendo com a 1ª linha de 4. Linha bem definida e zaga bem postada. Só resta a Soteldo a jogada individual

O Vasco parecia nervoso, sem saber o que fazer, para que lado ir. É hora de acalmar? De acelerar? Devo ser ousado ou paciente? E numa noite traumática viu a LaU, experiente, e já acostumada a essas situações, fazer o resultado.

@analisevasco

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2 comentários sobre “ANÁLISE VASCO x UNIVERSIDAD DO CHILE: UMA NOITE FRUSTRANTE

  1. Gostei da análise.
    Pra mim, o fator “…sem saber o que fazer, para que lado ir. É hora de acalmar? De acelerar? Devo ser ousado ou paciente?” foi o determinante.

    Os caras eram fracos na bola aérea defensiva (tentamos pouco);
    Davam espaço para triangulações (erramos muitos passes bobos);
    e o gol veio de falhas bobas.

    Acho que o Zé fez o básico, e o básico daria certo se os jogadores não estivessem tão pilhados, cometendo decisões equivocadas e falhas técnicas tão frequentes.

    Um abraço!

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