ANÁLISE TÁTICA: PARANÁ X CORITIBA

Por @andre_frehse

Em um jogo fraco tecnicamente, o Paraná venceu o Coritiba por 2 a 0, na Vila Capanema, pela segunda rodada da Taça Caio Júnior. Na primeira etapa, o tricolor tentou pressionar e controlar o Coxa, enquanto o Alviverde apostou em um jogo reativo e na velocidade de seus pontas para sair no contra-ataque (Iago e Guilherme Parede).

Na segunda etapa, em cobrança de escanteio, o Paraná saiu na frente com Thiago Santos, de cabeça. O segundo gol veio após bela jogada individual de Diego, que saiu na cara do gol e só tirou do goleiro Wilson.

Bom, mas sobre isso você já deve ter lido em algum lugar. Então, vamos analisar o desempenho das duas equipes no clássico.

Primeiro tempo

O Paraná começou jogo no 4–2–3–1, com suas linhas altas (quando se joga com as linhas da defesa, do meio e do ataque avançadas) e marcando a saída de bola do Coritiba (pressão). O time procurava propor o jogo e criar suas oportunidades de gols no toque de bola, mas não conseguiu executar sua proposta, pois errava muitos passes na hora de fazer a transição ao ataque (momento em que à equipe  tem a bola e se organiza para atacar o adversário) e parava na boa marcação do Coritiba, que tirava os espaços. No setor defensivo, o time Paranista foi compacto, eficiente e preciso, anulando os contra-ataques do Coxa. 

Pelos lados, Vitor Feijão e Marcelo Baez eram os responsáveis por darem amplitude à equipe (abrirem o jogo). Vitor Feijão foi bem e conseguiu construir algumas jogadas no 1×1, já Baez teve dificuldade na chegada ao ataque e na recomposição. Além deles, o tricolor jogou com Thiago Santos centralizado no ataque. Thiago se movimentou bastante, abriu espaços no setor ofensivo e deu profundidade ao time. 

Paraná jogou no 4–2–3–1, com Jhony Lucas e Leandro Vilela na frente dos zagueiros. 
Paraná pressionava a saída de bola do Coritiba. Tricolor sempre buscava a superioridade numérica na zona da bola. 

Já o Coritiba preferiu o jogo reativo (quando se joga sem a bola e espera a ação do adversário para contra-atacar.). No 4–1–4–1, o Coxa jogou com suas linhas baixas e marcando em seu campo de defesa. Assim que recuperava a bola, o Coxa procurava jogar no contra-ataque, com os seus pontas, que pouco fizeram na primeira etapa. Iago e Guilherme Parede eram os jogadores mais abertos do time (amplitude), enquanto Alecsandro jogava mais centralizado no setor ofensivo, dando profundidade. Na defesa, o Alviverde se manteve bem compacto, sem dar chances e espaços ao ataque Paranista.

O Alviverde conseguiu armar alguns contra-golpes pelos lados, mas, no terço final do campo, não teve eficiência e qualidade para concluir o último passe.

A única chance de gol do primeiro tempo foi do Paraná Clube. Vitor Feijão fez bela jogada individual e cruzou na área: Thiago Santos subiu mais que seu marcador e cabeceou em direção do gol, mas não contava com a bela defesa de Wilson, que salvou o Coxa.

Coxa jogou no 4–1–4–1, com João Paulo na entrelinha. Time bem compacto. 
Coritiba todo em seu campo. Alecsandro é o jogador mais adiantado. Paraná parou também na boa marcação do seu adversário, que fechou os espaços. 

Segundo tempo

Pouca coisa mudou no início da segunda etapa. O Paraná seguia com a mesma proposta, e o Coritiba esperava o erro do tricolor. Mas, logo aos 05 minutos, saiu o primeiro gol do jogo. Em cobrança de escanteio, Leandro Vilela desviou de cabeça no primeiro pau, e Thiago Santos apareceu para completar para o gol. Note, na imagem abaixo, a movimentação de Leandro Vilela para desviar a bola. 

Esse foi o terceiro gol, de bola parada, que o Coritba levou nos últimos dois jogos.

Atrás no placar, o Coritiba adiantou suas linhas para tentar chegar mais ao ataque, mas seguiu apostando na velocidade de seus pontas e criou pouco para buscar o empate. Sandro Forner ainda tentou algumas alterações, que não surtiram o efeito esperado. Já o técnico Rogério Micale fez mudanças pontuais e recuou as linhas do time para jogar no contra-ataque. O tricolor foi muito bem no setor defensivo e anulou as tentativas do Coxa. 

A melhor chance do Coritiba aconteceu aos 35 minutos. João Paulo recebeu a bola perto da área e soltou uma bomba: a bola explodiu na trave e por muito pouco não entrou. E foi só isso. O Alviverde não trouxe grandes problemas para o goleiro Richard. 

Paraná anulou as chegadas do Coritiba. Superioridade numérica e marcação pressão. 
Tricolor fecha a linha de passe do Coxa. Time bem compacto. 

Nos minutos finais, o Paraná teve um jogador expulso, e o Alviverde tratou de ir pra cima. Mas, com os espaços deixados pelo Coxa, o Tricolor chegou ao seu segundo gol. Tudo começou com Feijão, que passou pela marcação e tocou para Diego, que fez linda jogada individual e deu um toque no canto do gol. Um golaço.

Três jogadores na zona da bola e dois na sobra. Vitor Feijão conseguiu se livar e fazer o passe para Diego. 
Detalhe: olhe a quantidade de jogadores do Coritiba no lance, nenhum deu bote certo. 

PERSONAGENS 

Thiago Santos, Feijão, Leandro Vilela e Carlos Eduardo fizeram um bom jogo. Destaque para Thiago Santos, que se movimentou bem nos dois tempos, abriu espaços no setor ofensivo e guardou o seu gol. 

No Coritiba, Júlio Rusch, que é o responsável por criar, flutuar e dar passes que quebram as linhas do adversário, não fez um bom jogo, errou muito e apareceu pouco para jogar. Assim como Iago e Guilherme Parede, que novamente não apresentaram um bom futebol. Já o volante João Paulo, que jogou à frente da zaga, foi seguro na marcação, deu alguns passes importantes e criou a principal chance de gol do Coxa.

ANÁLISE FINAL

Em seu segundo jogo sob comando de Rogério Micale, o Paraná se mostrou mais seguro no setor defensivo, mas precisa melhorar muito na transição ofensiva e na criação de jogadas. Muitos passes errados e poucas infiltrações. É um time mais organizado defensivamente, mas que ainda precisa se acertar. 

Já o Coritiba, que novamente quis jogar sem a bola, sofreu com a fragilidade dos seus pontas. São jogadores velozes, mas, na hora de dar o passe final, falta qualidade para decidir. Nas laterais, o Alviverde teve problemas principalmente com Léo Andrade, que teve dificuldades de marcar Vitor Feijão. Sandro Forner precisa repensar o seu modelo de jogo. É um time limitado, que não consegue armar contragolpes precisos, sempre pecando no último passe. É hora de pensar em uma nova filosofia de jogo.

 

@Andre_frehse

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