DIA DA MULHER  (NO FUTEBOL TAMBÉM)!

Por Victor Alberice

fut fem 1Foto: Ricardo Stuckert/CBF

Olá, meu nome é Victor Alberice e sou a nova contração aqui do MW Futebol e tenho a felicidade de estrear no dia internacional da mulher. Pretendo aproveitar esse dia tão importante para contar para você qual é o cenário atual do futebol feminino no Brasil. Antes disso irei me apresentar, eu sou o treinador do time feminino do América MG e estou trabalhando diretamente com a modalidade a mais de dois anos. Nesse tempo notei diversas coisas que fazem parte dessa modalidade e o grande público não têm conhecimento, espero aproveitar meus conhecimentos e minha experiência para transmitir a vocês tudo o que se passa no futebol feminino no Brasil.

PROFISSIONAL OU AMADOR?

O primeiro grande ponto que precisamos tocar para entender o futebol feminino no Brasil é que este é considerado um esporte amador. Assim todas as competições possuem um registro amador, mesmo o Campeonato Brasileiro organizado pela CBF. Esse “detalhe” é importante porque tira dos clubes a necessidade de registrar a carteira de trabalho das atletas, o que amplia o acesso de mais equipes as competições nacionais e estaduais, mas também tira a necessidade de registro trabalhista para as atletas. Essa possibilidade de inclusão de mais equipes é algo necessário, uma vez que a esmagadora maioria dos times não pagam salários e as atletas jogam e treinam como voluntárias sem receber nenhum tipo de ajuda.

Ainda dentro desse quadro amador existem alguns clubes que pagam salários e dão algumas “ajudas de custo” sem ter um registro profissional. Mas esse quadro do amadorismo/profissionalismo começou a mudar no futebol feminino nos últimos anos, alguns clubes passaram a assinar a carteira de trabalho das atletas também do feminino. Os pioneiros foram o Santos e o América MG. Hoje mais equipes aderiram a essa prática como o Sport, Iranduba, Ferroviária e Vitória-PE. Esses clubes incluíram as atletas do futebol feminino no regime da CLT, assim possuem obrigações trabalhistas que são seguranças a essas atletas, uma vez que elas nos relatam que era algo recorrente e natural os clubes simplesmente não pagarem o que prometeram a elas.

COMPETIÇÕES

Um dos grandes problemas que a modalidade sempre enfrentou sem dúvida é o calendário. As equipes de futebol feminino no Brasil passam a maior parte do ano sem competições oficiais para disputar, o que obviamente desestimula os clubes a manter ou criar sua equipe feminina. O Campeonato Brasileiro Feminino vem sofrendo alterações em seu formato desde 2014. Ao longo desse tempo foram incluídas mais datas e mais equipes a fim de diminuir esse problema. Hoje o campeonato brasileiro feminino possui duas divisões com 16 times cada. Porém para aumentar essa datas foi extinta a Copa do Brasil feminina, com isso só temos competição nacional feminina no primeiro semestre do ano, o que faz com que várias equipes não tenham o que disputar de julho a dezembro. Algumas federações estaduais tentam colocar o seu campeonato no segundo semestre, mas existem vários estaduais no primeiro semestre e infelizmente há alguns estados que sequer conseguem organizar um campeonato estadual feminino.

EXISTE PÚBLICO?

fut fem 2

Um dos principais argumentos “contra” o futebol feminino é de que a modalidade não tem público, assim não tem um retorno financeiro que justifique o investimento. Mas a grande pergunta que sempre me fiz é, será que realmente não existem pessoas interessadas ou as pessoas interessadas não sabem que existe o futebol feminino?

Durante as olimpíadas de 2016 no Brasil o futebol feminino ganhou espaço na mídia e atraiu a atenção de muitas pessoas que não acompanhavam a modalidade, fato que levou ao maior público do Mineirão naquele ano com 52.660 torcedores para acompanhar as quartas de final entre Brasil x Austrália, e levou 70 mil pessoas ao Maracanã para a semifinal Brasil x Suécia. Essa “descoberta” do público para o futebol feminino levou a números também muito interessantes nas competições nacionais em 2017. O Iranduba levou 25 mil pessoas no jogo contra o Santos pela semifinal do Campeonato Brasileiro. O clube amazonense que terminou a competição com uma média de público próxima a 10 mil pessoas por partida, além de bons públicos nas finais também do Campeonato Brasileiro entre Corinthians e Santos. Em Minas Gerais a final da Copa BH teve um público de 2.617 pessoas para assistir América MG x ProInter e foi o recorde de público da modalidade no estado. Esses números aumentam a dúvida, será que realmente as pessoas não têm interesse pelo futebol feminino ou não tem conhecimento das equipes, competições e jogos?

PERSPECTIVAS

fut fem 3Foto Mourão Panda

No meio de todo esse cenário a Confederação Sul-americana de Futebol (CONMEBOL) no seu regulamento prevê que a partir de 2019 os clubes que não tiverem uma equipe de futebol feminino que dispute competições nacionais não poderão jogar a Copa Libertadores da América no masculino. Paralelamente a isso, a CBF também incluiu a exigência da equipe feminina no seu licenciamento anual de clubes para 2019, o clube que descumprir esse ou algum outro requisito do licenciamento estará sujeito à multa e até exclusão de competições. Essas duas normas criam um sentimento otimista em relação ao cenário do futebol feminino no Brasil, que passa a ter esperanças de um futuro melhor.

O futebol é o esporte mais popular do mundo, é praticado por milhões de pessoas ao redor do planeta, mas durante muitos anos teve sua imagem ligada somente ao público masculino. Mas e a outra metade da população mundial? Não se interessa pelo esporte? Não deveria praticar o esporte? Quebrar esse paradigma é algo essencial para conseguirmos evoluir e aumentar o acesso da mulher nesse esporte. Mulher gosta de futebol! Mulher assiste futebol! E principalmente, mulher joga futebol!

Hoje comemoramos o dia da mulher e que cada vez mais possamos comemorar o dia da mulher no futebol!

Por Victor Alberice

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Um comentário sobre “DIA DA MULHER  (NO FUTEBOL TAMBÉM)!

  1. Parabéns pelo texto! Apenas ressaltando que o Iranduba coloca mais de 20.000 torcedores na arena e em São José dos Campos quando fomos campeões da Libertadores com cerca de 17.000 torcedores. Nos jogos que antecederam a final tivemos milhares de torcedores a cada jogos. Estava em campo durante os dois jogos citados no Mineirão e Maracanã, futebol feminino é realidade. Além disso, um outro exemplo, a Inglaterra anunciou investir o mesmo valor do masculino no feminino. Vamos em frente!

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