ANÁLISE DE SÉTIMO DIA

Por Luan Silveira (@analise_CRF)

Há sete dias, o Flamengo estreava na Libertadores contra o River Plate, com os portões fechados e a expectativa de um bom começo de competição. Após um início de temporada bom da equipe rubro-negra e atuações ruins do time argentino nos jogos que antecederam a estreia no torneio internacional, o Flamengo era apontado como favorito.

Um começo de ano de bons resultados coroou o Flamengo como campeão da Taça Guanabara. Sofreu apenas um gol na competição e apresentou uma evolução gradual no setor ofensivo, porém um aspecto que passou um tanto quanto despercebido por grande parte dos torcedores e uma pequena parte da mídia foi o baixo nível de competição enfrentado. Uma vez que Vasco e Botafogo, jogos mais difíceis do Flamengo no ano até o início da Libertadores (desconsiderando o jogo com o time completamente reserva contra o Fluminense), não ofereceram um desafio à altura do que o time enfrentaria a seguir.

Há quem interessar possa, aqui está o texto que falou desse início de ano do Flamengo.

 

Como tudo isso acabou já sabemos, 2×2 após ter a vantagem duas vezes e ter tido muito mais a bola do que o adversário, mas o porquê pode não ser tão claro como “falta de vontade dos jogadores” ou a “entrada de Arão recuou a equipe”
Aqui vão algumas razões para o pobre desempenho do Flamengo:

a) Descompactação: Ficou claro nesse jogo como o time tem dificuldade pra jogar com as linhas juntas. Durante o momento defensivo se via a linha de quatro meias distante do volante e da zaga e, com Jonas encaixando no portador da bola, por vezes com um grande espaço na entrelinha. No ataque estas mesmas linhas se mantinham distantes, talvez por preocupação com a velocidade de Réver e Juan ou por mera falta de instrução e treinamento desse posicionamento mais adiantado dos zagueiros. Como consequência disso, a transição defensiva é pobre e a pressão pós perda inexistente, dificultando muito a recuperação da bola.

b) Ausência de pressão pós-perda: Como dito acima a descompactação dificulta esse pressing, mas o problema nesse jogo não foi a execução incorreta da pressão, e sim a falta dela. O River havia sofrido vários gols em jogos anteriores em erro na saída de bola e, no único lance que o Flamengo tentou pressionar a saída, Dourado conseguiu interceptar um passe do zagueiro que resultou em uma finalização para fora. Esse lance por si só deveria estimular os jogadores a manter a pressão, mas Carpegiani aparentemente adotou uma postura bastante cautelosa e deve ter instruído o time a marcar em bloco baixo.

Não se pode cobrar desse time um pressing ininterrupto e de qualidade, até pelos motivos elencados no texto anterior*, mas pelo menos a ideia deveria estar sendo vista, até por ser algo que Carpegiani já mencionou em entrevistas.

c) Saída de bola precária: Talvez o problema mais evidente da partida, a transição ofensiva ruim pode ser explicada pela ausência de Cuéllar e pela proposta ruim de Carpegiani, o que facilitou muito para o River anular a saída rubro-negra.

O problema do time sem Cuéllar passa pela aparente falta de confiança por parte de Carpegiani em pedir a Jonas o mesmo que pede ao colombiano. Jonas em todos os momentos se posiciona a frente da zaga, atrás do centroavante adversário, negando qualquer linha de passe aos zagueiros, enquanto Cuéllar procura o espaço vazio para receber essa bola.

A ideia apresentada por Paulo César Carpegiani para a saída nesse jogo foi de trazer Diego ou Éverton Ribeiro para buscar a bola com os zagueiros, porém ambos sofriam marcação individual ao descer pra receber a bola e desorganizavam o time lá na frente ao sair de suas posições. Trata-se de um modelo que dificulta uma saída de qualidade frente a um adversário como o River que veio com cinco homens no meio-campo e com marcação individual nos principais jogadores da transição ofensiva.

Saída de bola do Flamengo contra o River Plate.flamengo river saida de bola fla

Uma saída que muitos times têm utilizado é a saída de três, que consiste no volante que afunda entre os zagueiros (como no Lanús de Almirón em que Marcone fazia essa função) ou o líbero em um esquema com três zagueiros (Christensen/David Luiz são os responsáveis no Chelsea de Conte) ser o responsável pela saída de bola. Essa organização permite várias opções de linha de passe, pois há dois jogadores responsáveis por produzir amplitude e outros dois posicionados a frente da zaga buscando linhas de passe para os defensores e o volante. com isso cada atleta da linha de três defensiva tem três opções de passe.

Veja no exemplo o City da temporada 16/17 já usando essa saída
SAIDA DE TRES MAN CITY

Carpegiani errou em levar Rômulo e Arão para o banco de reservas, mas não errou em colocá-los em campo, entretanto isso não tira dele a responsabilidade do resultado, por mais que Diego Alves e a arbitragem tenha sua parcela de culpa.

O elenco do Flamengo pode não ser mais um dos dois melhores do Brasil como foi ano passado, mas o rendimento da equipe está aquém e o treinador tem sim grande parte da culpa, apesar de alguns jogadores não estarem rendendo o esperado.

Então Nação, o que acham do nosso time daqui pra frente, comentem aí e deem sugestões do que eu posso falar nos próximos textos.

SRN

@analise_CRF
@luansilveirap

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