JIMMY HOGAN, O PAI DO FUTEBOL MODERNO

Por Pedro Galante

Afortunado é aquele que compreende a causa das coisas. Se quisermos entender o futebol no presente, nada melhor que entender de onde ele veio e como o tempo o mudou. Obviamente, contar toda a história do futebol e de sua evolução é uma tarefa complicada, mas podemos fazer algo mais simples – e igualmente valioso – como destacar personagens que marcaram e revolucionaram o jogo. Visionários, inventores, agentes de mudança.

Com vocês, o primeiro deles: Jimmy Hogan. James “Jimmy” Hogan nasceu em 1882, em Lancashire, Reino Unido. Contra o desejo do pai, que queria que o filho se tornasse contador, Jimmy se juntou ao time do Nelson aos dezesseis anos. Era, como ele próprio se classificava, “um meia direita útil e dedicado”. Hogan jogou também no Rochdale e no Burnley.

JIMMY 1Foto: Bundesliga Fanatic

Era considerado uma pessoa difícil, pois sempre reclamava por melhores salários e mostrava um desejo fora do comum de evoluir pessoalmente. Há relatos de que em uma partida, após desviar de alguns marcadores e chutar a bola por cima do travessão, Hogan perguntou a Spen Whittaker, seu treinador, o que teria feito de errado. Seu pé estava na posição certa? Ele estava desequilibrado? Spen não deu atenção e apenas ordenou que continuasse tentando, argumentando que marcar um gol a cada dez tentativas é uma média decente. Hogan era perfeccionista e acreditava que não era uma questão de sorte, mas sim de técnica. “A partir daquele dia, comecei a buscar explicações para as coisas por conta própria”.

Na época os treinamentos eram majoritariamente físicos, a maioria dos clubes tinham apenas uma, ou duas sessões com bola durante a semana. Os ingleses alegavam que se você desse a bola a um jogador durante a semana, ele não teria o mesmo apetite por ela no sábado.

Frustrado com a maneira primitiva do Burnley de jogar, Hogan deixou o clube aos 23 anos e foi para o Fulham. Ganhou a Liga do Sul em 1906 e 1907. Em 1909, durante uma turnê pela Europa, Hogan viu o potencial dos jogadores do continente e sobretudo, sua vontade de aprender. Após vencer o Dordrecht, uma equipe holandesa, por 10 a 0, Hogan disse que voltaria e ensinaria os holandeses a jogarem apropriadamente.

Um ano depois, Hogan voltou ao mesmo Dordrecht para ser treinador. Seus jogadores eram amadores, mas Jimmy os treinava como acreditava que os ingleses deveriam ser treinados. Sua ideia era replicar o antigo jogo de passes escocês. Seus jogadores vinham de universidades e eram animados para aprender, Hogan usava um quadro negro e diagramas – em uma sala de aula, e não no campo – para explicar as táticas, algo inédito até então.

JIMMY 2 Hogan durante um de seus treinos na Holanda (Foto: The Equaliser)

Devido a seu sucesso, foi convidado para comandar a seleção da Holanda em um jogo contra a Alemanha, e venceu por 2 a 1. Hogan tinha 30 anos e sentia que ainda tinha algo a oferecer como jogador, por isso voltou a Inglaterra. Jogou no Bolton por uma temporada e ajudou a equipe a subir de divisão, mas sabia que seu futuro era como técnico.

Em 1912, foi contratado por Hugo Meisl para trabalhar nos melhores clubes da Áustria e preparar a seleção austríaca para os Jogos Olímpicos.

Hogan não conseguiu voltar para a Inglaterra durante a guerra. Foi contratado pelo MTK, de Budapeste, onde trabalhou durante todo período da guerra. Com o fim dos conflitos, ele retornou a terra da rainha, mas a FA (Football Association) o tratou como traidor.

JIMMY 3Jimmy Hogan ensinando técnicas de cabeceio e controle de bola, durante a Segunda Guerra Mundial (Foto: Getty Images)

Suas ideias do jogo de posse e de passes curtos seguiram sendo desenvolvidas no continente, e deram origem a grandes equipes. O Wunderteam, comandado por Hugo Meisl e os Magicals Magyars, a lendária seleção húngara.

Em 1953, os Magical Magyars venceram a Inglaterra por 7 a 1 em Wembley, quebrando a invencibilidade da seleção nacional e o mito de que os ingleses eram soberanos. Após a partida, Guztáv Sebes, técnico da Hungria, disse “Nós jogamos futebol como Jimmy Hogan nos ensinou. Quando a história do nosso futebol for contada, o nome dele deve ser escrito em letras douradas. ”

Essa série foi inspirada pelo livro “A pirâmide invertida, ” da editora Grande Área, nossa parceira. O livro é uma espécie de “bíblia da tática” e retrata a evolução do jogo nesse aspecto. Uma excelente leitura, a quem tiver interesse.

@Pedro17Galante

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