O BENFICA, AS TRANSIÇÕES DO PAÇOS E O 3-4-3

Por Nelson Duarte

No jogo do Benfica frente ao Paços de Ferreira, referente à jornada 24 da Liga NOS foi possível identificar vários comportamentos. Comportamentos esses descritos ao longo da presente crônica.

Durante a grande maioria do tempo de jogo, foi possível ver um Paços de Ferreira posicionado numa organização estrutural em 1-4-4-2, com duas linhas de 4 bastante próximas e agressivas (principalmente a linha média) que dificultou qualquer ação ofensiva do Benfica (vídeo 1). De destacar o trabalho de Gian (que, infelizmente, acabou expulso) e de Assis que, com uma pressão bastante agressiva, condicionaram bastante os médios do Benfica, sendo que em toda a 1ª parte, raro foi o momento em que vimos Pizzi e/ou Zivkovic a receberem bola dentro da organização estrutural do Paços (vídeo 1). Pizzi quando recebia, vinha buscar jogo fora da estrutura do Paços e descaído para o corredor lateral. Por sua vez, Zivkovic conseguiu estar mais em jogo, durante a 1ª parte, devido à triangulação ofensiva do Benfica pelo corredor lateral esquerdo com Grimaldo – Zivkovic – Cervi (vídeo 1).

De referir, também, aquele que para mim foi o grande aspeto da primeira parte: as transições ofensivas do Paços de Ferreira. Mérito do Paços de Ferreira que soube explorar muitíssimo bem os seus apoios livres em transição ofensiva, todavia considero que houve demérito por parte do Benfica. Isto é, na minha opinião, Phellype e R. Micael (as principais saídas do Paços em transição ofensiva) deveriam ter sido anuladas, de forma a impedir a progressão. No entanto, aquilo que se viu durante a 1ª parte foram espaços que o Benfica deixou para que Phellype e R. Micael pudessem progredir e associarem-se à vontade (vídeo 2).

Ao intervalo o Benfica soube corrigir este aspeto e, também no vídeo 2, podemos ver a grande diferença do Benfica a defender as transições ofensivas do Paços da 1ª para a 2ª parte. Na 2ª parte já vimos o Benfica a fechar, quase por completo, as saídas em progressão do Paços, retirando espaço a tudo e todos (raramente, na 2ª parte, o Paços conseguiu sair em transição ofensiva como na 1ª parte).

De referir que na minha opinião, o Benfica deveria ter alterado de estratégia mais cedo durante a 2ª parte. Isto é, quando a equipa, a partir dos 60’, começou a revelar alguma inércia e falta de critério na construção de ações ofensivas, era momento de alterar. Isto porque, claramente já se via a equipa sem ideias de progressão, jogadas pouco trabalhadas e o recurso à bola na profundidade (nas costas da última linha defensiva) passou a ser a solução mais óbvia (os jogadores começaram a trabalhar, inconscientemente, o lado mais emocional que o racional).

Posto isto, na minha opinião, a equipa deveria ter adotado, mesmo depois do 1º golo (aos 71’ minutos) uma organização estrutural baseada na ideia do 1-3-4-3 (tal como explico as vantagens de tal estrutura no vídeo 3). Mas, foi-se atrasando tal mudança até aos 85’ com a entrada de Seferovic por Grimaldo. O dado curioso desta alteração é que a equipa passou a jogar em 3-4-3 e, aos 87’ (2 minutos apenas) o Benfica chega à vantagem (2º golo).

Por fim, considero que em situações idênticas futuras, a solução deveria passar por uma alteração de estratégia mais cedo (por volta dos 60’-70’), para que a equipa (seja ela qual for) tenha tempo para resolver os problemas que a equipa adversária coloca. Esperar pelos último 5’ nem sempre correrá bem.

@NelsonDuarteee

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