ANÁLISE TÁTICA: OS PRINCIPAIS ERROS DO PARANÁ CLUBE CONTRA O SAMPAIO CORRÊA

Por Andre Frehse Ribas

Não está sendo um começo de ano fácil para o torcedor paranista. Após não conseguir avançar de fase na Taça Dionísio Filho, o Paraná perdeu para o Sampaio Corrêa e foi eliminado da Copa do Brasil 2018. Em meio a essa bagunça, o tricolor anunciou Rogério Micale, campeão olímpico em 2016, como novo técnico da equipe. Então, hoje, aqui no MW Futebol, vamos falar um pouco da atuação do time paranista e na Copa do Brasil

Qual é o cenário que o Rogério Micale vai encontrar no clube?

Um cenário complicado, de uma equipe que precisa se reconstruir para atingir seus objetivos. Um elenco com 19 contratações (Luan Vianna ainda não foi oficializado), que ainda não se encaixaram e não renderam como o esperado. Micale precisa encontrar logo um modelo de jogo e ver como o Paraná vai responder. Já é hora de o ano começar para o tricolor.

SAMPAIO X PARANÁ

Primeiro tempo

Contra o Sampaio, o Paraná encontrou diversas dificuldades e foi muito mal no jogo. Na primeira etapa, o tricolor pouco criou ou construiu. No 4–1–4–1, com Leandro Viela e Zezinho se revezando na frente da última linha, o time teve problemas na saída de bola.

Com as linhas altas e a marcação individual por parte do adversário, o Paraná não encontrava opções e tentava sair com chutões e lançamentos, mas sem eficiência. Mas por que o time não conseguiu sair jogando? Muita das vezes, Zezinho e Leandro Vilela recebiam a bola dos zagueiros, não tinham linhas de passe e logo eram pressionados. Ninguém se apresentava, ninguém se movimentava, uma transição ofensiva lenta, com todos aceitando a marcação individual do adversário. E, quando alguém se apresentava, o time da casa logo pressionava, neutralizando a saída de bola do time paranista.

Sem organização em campo, o Paraná se viu dominado pelo time da casa. Quando apareciam alguns espaços no meio-campo, o tricolor não aproveitava e facilitava ainda mais a marcação do time da casa, como você pode ver nas imagens abaixo.

par 1Zezinho busca a bola, mas ninguém se movimenta para furar a linha de marcação do Sampaio. Tricolor perde a bola em seguida.
par 2Zezinho busca a bola com os zagueiros. No meio-campo, o tricolor demora em ocupar espaços e não consegue sair com passes curtos.

As principais chances do Sampaio foram criadas após a perda da bola por parte do time paranista. Com jogadores rápidos, o time da casa procurava sair em velocidade para furar a linha de marcação do tricolor e por muito pouco não conseguiu o gol no primeiro tempo. Além disso, os jogadores da equipe Maranhense tinham facilidade em jogar entre as linhas do Paraná (a linha de defesa e a linha do meio-campo), que estavam espaçadas e sem nenhum jogador para incomodar o adversário. Isso facilitou a criação de jogadas por parte do Sampaio, que conseguiu trabalhar muito bem a bola no seu campo de ataque.

par 3Sampaio teve facilidade em jogar entre as linhas do Paraná. Note que as linhas não estão compactas.
par 4Fumaça, do Sampaio, chamou três marcadores, além de chamar a atenção do quarto marcador, que esqueceu o atacante William, do Sampaio, livre, dando espaço para o jogador criar a melhor chance do time da casa no primeiro tempo.

Segundo tempo

Na segunda etapa, o time se alternou no 4–1–4–1 e no 4–2–3–1, com Wesley Dias e Leandro Vilela à frente da última linha. Isso não mudou muita coisa, já que o Paraná encontrava dificuldades de achar espaços para sair com passes curtos, se movimentando muito pouco no meio de campo. Aos 14′, com entrada de Carlos Eduardo no lugar de Júnior, o técnico interino, Ademir Fesan, colocou Zezinho e Vilela na frente da zaga e puxou o Wesley Dias para a lateral direita. Com isso, Carlos Eduardo jogou próximo de Zé Carlos, mas, mesmo assim, o tricolor seguiu com problemas na criação.

par 5Assim como no primeiro tempo, o time teve problemas na saída de bola. Jogador vem receber já acompanhado da marcação, que recupera a bola para o Sampaio.
par 6Sampaio se movimentou com liberdade na entrelinha do Paraná. Note também, na imagem, os dois laterais abertos dando amplitude à equipe.
par 7Após entrada de Calos Eduardo, Wesley Dias foi para lateral-direita, e Leandro Vilela e Zezinho formaram a linha na frente da zaga. 4–2–3–1.

Após o gol, aos 24′, o tricolor liberou um volante e deixou o Zezinho na frente da zaga, com Leandro Vilela mais adiantado. Mesmo atrás no placar, o tricolor não conseguiu superar a marcação individual sob pressão do Sampaio Corrêa. Mas isso não se deu só por méritos do time da casa, e sim por falhas do Paraná. Os jogadores não se apresentavam para dar opções de jogadas, espaços eram mal ocupados, e assim se deu a eliminação Paranista.

A melhor chance do time foi na bola parada com Carlos Eduardo, mas ficou e na boa defesa do goleiro da casa. Com a bola rolando, o time criou muito pouco, pra não dizer que não criou nada, sem assustar o goleiro do Sampaio.

O Paraná fez um dos seus piores jogos no ano. Conseguiu ir mal em todos os pilares de um time: transição ofensiva, organização ofensiva, transição defensiva e organização defensiva.

Agora, sob novo comando, o clube precisa repensar tudo que fez até agora para não jogar 2018 fora. O time precisa melhorar a saída de bola, posicionamento, velocidade na transição ofensiva, diminuir os espaços entre as suas linhas (ficar mais compacto) e trabalhar a construção de jogadas.

 O ano é longo, mas é necessária uma mudança o quanto antes.

Gostou da análise? Dê o seu feedback.

#AprendemosJuntos

@Andre_Frehse

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