VISÃO DE JOGO E A VISÃO PERIFÉRICA: RELAÇÕES COM O JOGO DE FUTEBOL

Por Rubio Claudio

A visão de jogo é uma característica fundamental em um jogo de futebol. Os lançamentos feitos pelo Gérson, um passe magistral de Messi rompendo linhas ou duas das tantas memorávels jogadas que Pelé protagonizou; a bola rolada para Carlos Alberto e a outra é a que não entrou naquele chute do meio de campo… Portanto, podemos levar a crer que a visão de jogo é um fator primordial e muito destacada para um jogador de futebol, ainda mais em alto nível.

Dentro da capacidade de visão de jogo, que está sobre a capacidade visual (capacidades sensoriais) tem algo que se faz necessário compreender um pouco mais e é disso que vou tentar passar nas próximas palavras, que é a visão periférica.

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O que é a visão periférica? Em linhas gerais, podemos definir como sendo a habilidade de localizar, reconhecer e responder as informações em que se tem ao redor do objeto sobre a qual a atenção está voltada, ou seja, a bola. Williams et al. (2002) concluíram que o domínio da bola num espaço pequeno (2,1 m x 2,1 m) é melhor quando o praticante de futebol realiza a ação com ênfase na visão periférica. Gaybiel (1955), ao analisar a importância da visão periférica e central nas diversas atividades físicas, concluiu que a exclusão da visão central parece ter menos efeitos negativos que a supressão da visão periférica.

Trazendo para o lado prático, você já observou quantos giros de pescoço antes de receber a bola que Xavi fazia enquanto jogava no Barcelona e como as jogadas fluíam após tais lances? E o que falar sobre o posicionamento do Romário dentro da grande área já sabendo o espaço que iria ocupar, aonde estava, o que deveria fazer para se livrar do adversário e o mais interessante, sabia exatamente onde estava o gol?

Pois então, em atletas de alto nível “o tempo dedicado a consultar cada acontecimento é longo. A informação é completa.”  Segundo Mahlo em 1966, já dizia que deve-se destacar três fases principais da atividade durante o jogo: a percepção e a análise da situação (sendo o seu resultado o conhecimento da situação), a solução mental do problema (sendo o seu resultado a representação de uma tentativa) e a solução motora do problema (sendo o seu resultado a solução prática). Voltando ao exemplo dos jogadores destacados, teriam eles essas três formas de resolver o problema? E eu te pergunto leitor ou leitora, será que esses jogadores paravam para pensar ou tudo já estava armazenado na memória para fazer tais atos? Difícil, não é?!

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Dentro dessas três fases mencionadas o jogador deve levar em consideração que há os companheiros de equipe, os adversários, a bola, as balizas, o local que se encontra no campo de jogo, entre outros aspectos.  A capacidade aguçada de um bom campo de visão no jogo, auxilia nas tomadas de decisões e, consequentemente, aumenta o rendimento do jogador.

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Tal assunto é interessantíssimo, longo e cabem muitas discussões (há teses de doutorado somente a respeito desse assunto), tais como a tomada de decisão, se é possível treinar a visão periférica, a percepção do jogador, o automatismo, o que se tem de jogadas na memória, etc.

É um pequeno e simples texto, no entanto, embasado. Tive como intuito levar àqueles que ainda não perceberam para que passem a perceber e também trazer alguma informação para o leitor/leitora que já tem algum conhecimento sobre. Até o próximo!

“Vemos com os olhos, mas avaliamos com os conceitos!” (GARGANTA, s.d. in TEOLDO)

Bibliografia:

CASTELO, J.; BARRETO, H.; ALVES, F.; MIL-HOMENS, P.; CARVALHO, J.; VIEIRA, J.. Metodologia do Treino Desportivo.

FRADUA URIONDO, L. Efectos del entrenamiento de la visión periférica en el rendimiento del jugador de futbol.

MAHLO, F.. O Acto táctico.

MARQUES JUNIOR., N. K.. Importância da neurociência para o treino técnico e tático.

TEOLDO, I..; CARDOSO, F.  Avaliação da cognição no futebol: limitações e avanços científicos.

@rubiorcsport

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