ANÁLISE TÁTICA: COMO SE COMPORTOU O CEARÁ EM SEU PRIMEIRO GRANDE TESTE?

Por Danilo Diniz

Em uma partida sem gols, marcada por ter sido o primeiro grande teste do ano do time alvinegro, Atlético-Pr e Ceará disputaram o jogo de ida da terceira fase da Copa do Brasil 2018.

Jogando em casa, a equipe comandada por Fernando Diniz impôs seu padrão de jogo que consiste na valorização da posse de bola e troca de passes. Nos primeiros 15 minutos a equipe paranaense chegou a ter 72,73% de posse bola contra 27,27% do time cearense. Já o Ceará veio com a proposta muito clara de um jogo reativo (esperar o erro do adversário para armar contra-ataques).

SISTEMA DEFENSIVO

Marcelo Chamusca, treinador do time alvinegro, desenhou taticamente o Ceará em um 5-4-1 fluindo para o 4-1-4-1, na qual Juninho, segundo volante que substituía Pedro Ken, formava a linha de cinco jogadores com os zagueiros e laterais, enquanto Wescley, Andrigo, Felipe Azevedo e Richardson formavam a linha de quatro jogadores. Elton era o jogador mais adiantado no esquema tático da equipe. Assim, com uma forte marcação em seu campo de defesa, o time alvinegro fechava os espaços e não permitia a criação de jogadas pelo Atlético-Pr.

ceará 1 5-4-1 organizado por Marcelo Chamusca em seu campo de defesa.

Após a expulsão do zagueiro Thiago Heleno, Chamusca reorganizou o Ceará. Ao se defender, o time alvinegro encaixava-se em um 4-4-2. Elton e Wescley jogavam mais avançados armando contra-ataques que combinavam força, conclusão e velocidade. No segundo tempo, mesmo após as substituições, Chamusca manteve o esquema mudando apenas os jogadores. Ricardinho e Arthur fizeram o papel de Wescley e Elton, respectivamente.

ceará 2 4-4-2 com Arthur e Ricardinho atuando mais avançados.

MARCAÇÃO PRESSÃO

Uma das principais características do Ceará é a marcação pressionando o time adversário. A subida conjunta dos jogadores alvinegros pressionando os jogadores rubro-negros se dava logo na saída de bola adversária. Desse modo, o Ceará combatia a longa troca de passes e impedia que a bola chegasse aos meio campistas do time paranaense.

Com o posicionamento avançado das linhas de jogadores, o Vozão, como é chamado pelos torcedores, corria o risco de em uma jogada de profundidade, colocada por trás da linha defensiva, a bola chegasse a alguns dos atacantes do Atlético-Pr que estaria livre para finalizar. Atentos a essa situação, Luiz Otávio e Valdo, zagueiros do Ceará, tinham a cobertura de Juninho e Richardson que impediam que essa situação ocorresse.

Observem a cobrança de lateral do time atleticano. Sete jogadores alvinegros pressionando a saída de bola e forçando o erro do adversário. A superioridade numérica permitiu uma maior facilidade nas roubadas de bolas e desarmes.

ceará 3 7 jogadores alvinegros fazendo a marcação pressão.

INFILTRAÇÕES

A defesa bem organizada do Atletico-Pr, por vezes, impedia a chegada do Ceará no gol adversário, pois bloqueava os espaços frente à área. Desse modo, restou ao Ceará fazer infiltrações quebrando a defesa adversária que marcava por zona.

A posição corporal é fundamental nessas jogadas. Como ficavam de costas, os defensores rubro-negros não estavam concentrados no que vinha de frente. Assim, com um simples passe, velocidade e movimentação o Ceará conseguia sair na cara do gol.

Em uma dessas jogadas, Felipe Azevedo progrediu ao gol, sem a bola, esperando o passe de Wescley. Observem o jogador do Atletico-Pr de costas para o atacante alvinegro. Azevedo teve um grande espaço para finalizar, mas o zagueiro atleticano tirou a bola em cima da linha.

ceará 4

TRIANGULAÇÕES

O Ceará conseguia ocupar os espaços através de triangulações. Esse tipo de jogada é uma das principais características dos times comandados por Marcelo Chamusca devido a sua preferência pelo esquema tático 4-1-4-1 que facilita a formação de triangulações.

Com o meio campo congestionado, o time cearense utilizou das laterais para desafogar e criar jogadas. Pio e Rafael Carioca foram peças fundamentais na formação dessas jogadas. Isso foi possível devido à compactação entre as linhas e a marcação encaixada. Desse modo, as triangulações permitiram ao Ceará ampliar as opções de ataque através de movimentações sincronizadas e inversões de linhas de passes.

ceará 5

ceará 6

FINALIZAÇÕES

O ponto fraco do Ceará foram as finalizações.

Ao total, o Ceará finalizou 28 vezes. O grande problema foi que 21 finalizações foram erradas resultando em um percentual de 25% de acerto nos chutes. A oportunidade foi criada, mas não foi transformada em gol. Foi notória a ansiedade dos jogadores na conclusão das jogadas. Marcelo Chamusca deve trabalhar para melhorar os números do time alvinegro.

Ainda faltam mais 90 minutos a serem disputados.

A grande decisão será em Fortaleza.

Ceará conseguirá a classificação? Cenas para o próximo capítulo!

@danilodsdiniz

@taticasceara

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s