FÁBIO CARILLE EM GRANDES JOGOS

Por Iúri Medeiros

Quando foi anunciado o time titular para o derby no último treino antes do clássico pelo Carille, grandes partes da mídia e dos torcedores imaginaram que o Corinthians jogaria em um 4-2-3-1 com o paraguaio Ángel Romero de centroavante. Mas o que se viu na prática foi um 4-4-2/4-2-4 com Ángel assumindo o lado direito e Rodriguinho e Jadson jogando mais avançados, como uma dupla de ataque.

Antes de prosseguir com o clássico de sábado, é importante notar o que levou o comandante corintiano a fazer isso. Como você já viu aqui, a equipe iniciou a temporada em um 4-1-4-1 com Rodriguinho e Jadson de interiores. Mas mostrando problemas para propor o jogo, trabalhando a bola desde a defesa e com problemas defensivos, deixando Gabriel e a defesa exposta, o Corinthians já havia retornado ao 4-2-3-1 no jogo contra o Red Bull Brasil, no dia 19. Ali o desempenho já havia melhorado, com um time sendo mais vertical e criando mais alternativas com o Clayson sendo lançado em profundidade e com o Rodriguinho puxando contra-ataques a partir das suas conduções.

Porém, Fábio já havia dado o recado: “o Corinthians precisa melhorar seu desempenho com a bola nos pés”. Então já se imaginava que o time buscaria ter a bola no maíor clássico de São Paulo. E foi o que aconteceu. Desde os primeiros minutos de jogo o time buscou trabalhar mais a posse, ao invés de usar a estratégia contra o Red Bull, de chamar a marcação adversária pro seu campo e lançar em profundidade para os homens de frente.

Aproveitando que o rival Palmeiras não fez uma pressão sufocante no campo de ataque (apesar de conseguir alguns roubos de bola em cima de Gabriel e Renê Jr), o alvinegro conseguiu se estabelecer no campo de ataque a partir da posse da bola.

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Foto: Premiere

Para a equipe ganhar mais terreno no campo ofensivo, Carille optou por dar liberdade à sua “dupla de ataque”. Tanto Jadson como Rodriguinho se revezaram entre cair pelos lados e dar suporte aos pontas e aos laterais, como ficarem mais fixos por dentro para receber a bola às costas da linha de meio-campo do Palmeiras. Porém, até por uma questão de característica, também foi comum ver Jadson mais recuado para ficar como um ponto de retorno e fazer a bola girar enquanto o Rodriguinho se encarregava de ficar mais perto do gol, até para eventuais infiltrações e conclusões ao gol (sua grande marca).

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Foto: Premiere.

Fonte: Sofa Score

Outro ponto que chamou atenção nesse “novo Corinthians” foi a utilização de Maycon como lateral-esquerdo. Reconhecido por ser um volante de grande potencial, o jovem de 20 anos ficou encarregado de assumir a posição que vinha atuando o Juninho Capixaba. E até mesmo por ser volante de origem, ele se encarregou muitas vezes de fazer o papel de “lateral-interior”, caindo pelo centro do campo para ajudar a cuidar da bola e atacar o espaço entre o lateral-direito e o zagueiro do setor pelo lado do Verdão, enquanto Clayson ficava responsável por abrir mais o campo.

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Fonte: Premiere.

Importante notar que mesmo com esse esquema mais ousado e ofensivo, Carille nunca dispensa o equilíbrio. Enquanto a equipe atacava com sua linha de quatro no ataque (Romero, Jadson, Rodriguinho e Clayson) mais um lateral (Maycon e Fagner alternavam subidas ao campo de ataque), Gabriel e Renê Jr. ficaram mais presos, dando suporte à defesa e servindo como desafogo em caso de o ataque ter que começar suas ações novamente.

Assim, dá pra dizer que o alvinegro da capital venceu o derby baseado na estratégia. Claro que a expulsão na segunda etapa interferiu no andamento do jogo, mas ficou nítido que o Roger Machado não esperava que o adversário atuasse com dois homens de liberdade na frente. E o mais importante, a execução foi bem feita, mesmo sendo um projeto ainda inicial e nem se sabendo se ele será levado à frente ainda mais com uma possível chegada de Alex Teixeira ao clube.

Toda essa análise do derby serviu de mais um exemplo de como o Fábio Carille tem conseguido se sobressair nos jogos grandes à frente do Timão. Desde o ano passado, com atuações seguras e com propostas bem executadas, fazendo com que o time se imponha diante o adversário. Ele sabe reconhecer o problema e usar mecanismos para solucioná-los. Ou alguém já se esqueceu de suas mudanças táticas no segundo turno do Brasileiro do ano passado, que deram ao time uma sobrevida rumo ao título? Estamos falando de um técnico jovem, que ainda tem uma longa carreira pela frente, mas que já mostra ter uma visão de jogo e leitura de contextos diferenciada.

Veremos o que ele e o time do Corinthians podem apresentar na estreia da Libertadores contra o Millionarios da Colômbia.

@iurimedeiros12

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