O RACING E A EVOLUÇÃO SOB O COMANDO DE COUDET

Por Michel Corbacho

O Racing que enfrenta ao Cruzeiro pela Copa Libertadores da América recomeça na temporada de maneira satisfatória. Eduardo Coudet chegou recentemente e com algumas peças para reforços consegue oferecer um suporte tático para La Academia.
Os dirigentes do clube conseguiram com muito esforço a contratação de Ricky Centurión, ex-São Paulo e Boca Juniors, por cerca de R$ 16 milhões. Além dele, os zagueiros Donatti e Sigali foram solicitados por Coudet, dupla de zagueiros titular na atual equipe.

Além dos reforços, o Racing começa a conceder mais espaço para jovens das divisões de base, chamados por lá de inferiores. Podemos destacar as atuações de Juan Musso, um goleiro com bom posicionamento e de boa agilidade, Matías Zaracho, meia de velocidade e técnica que promete dá trabalho pelo lado direito e Lautaro Martínez, artilheiro e principal destaque da equipe.

O Diagrama Tático do Racing de Coudet

Com a recente chegada do técnico, o Racing passou de uma fase complicada dentro das quatro linhas, assume protagonismo na Superliga Argentina, cresce o futebol apresentado em campo e se aproxima das primeiras colocações da competição.

A organização tática da equipe do Racing evoluiu de maneira incontestável desde a chegada de Coudet. A equipe atua em um 4-1-3-2 com bastante movimentação ofensiva, dinamismo dos homens de frente, além do trunfo em jogadas aéreas.

O 4-1-3-2 inicial do Racing.

Quando a equipe tem a posse e chega ao campo de ataque, faz muito bem e com velocidade pelos lados do campo. As constantes movimentações de Ricky Centurión e Matías Zaracho pelo setor confundem a defesa adversária e dificulta a marcação dos homens que geram o jogo para o setor ofensivo.

Velocidade e Dinamismo, pontos fortes do setor ofensivo

Centurión e Zaracho são jogadores com características semelhantes. Pelos flancos, eles agridem a marcação utilizando da velocidade e técnica que lhes são fundamentais para a composição deste estilo de jogo dinâmico do Racing.

Além das chegadas dos meio-campistas citados, ainda apoiam os laterais Alexis Soto e Renzo Saraiva. Normalmente, com os avanços dos laterais, Centurión e Zaracho buscam as jogadas na diagonal, se aproximando mais de Lautaro Martínez e Lisandro López.

Posicionamento dos jogadores quando atacam.

Com chegada mais de trás, responsável fundamental pelos passes qualificados, o meia Neri Cardozo nesta nova função atua como um volante interior e auxilia a Domínguez na marcação, entretanto possui características mais ofensivas e se aproxima muito da linha de ataque.

Na frente, a dupla de ataque também demonstram movimentações. Lautaro Martínez se infiltra na área, tipicamente como um centroavante, enquanto Licha López, que faz o papel de “falso 9” abre muito os espaços no miolo defensivo adversário, ora caindo pela direita, ora pela esquerda, para que Martínez consiga mais espaços e melhor posicionamento para finalizar.

Como demonstra a imagem acima, na vitória do Racing por 4 a 0 diante do Huracán válida pela Superliga Argentina. Na ocasião, podemos perceber a movimentação de Lisandro López, que mesmo dentro da área, abre pelo flanco esquerdo e busca o passe para Lautaro Martínez, que já se infiltra na área praticamente no “mano a mano” com um dos zagueiros do Globo.

É importante citar que o Racing chega, além da movimentação, com quantidade de jogadores no setor de ataque. Na imagem, conseguimos perceber também a progressão de Matías Zaracho, que inicia como um extremo pela direita, mas afunila bastante para pisar na área adversária.

Outro flagra que demonstra a movimentação de Lisandro López, que sai da referência entre os zagueiros, flutua pelos lados (na imagem pelo lado esquerdo) para que Lautaro Martínez se infiltre como um centroavante.

Além da movimentação de Licha López, destacamos as chegadas de Cardozo e Zaracho na linha ofensiva. Em tempos atuais, Cardozo se aproxima pelo centro, Zaracho pela direita e ainda conta com Centurión, o extremo esquerdo da equipe de Coudet.

Já destacamos que a movimentação dos homens de ataque é o principal trunfo do Racing e neste flagra, no gol de Centurión diante do Lanús, podemos notar avanço em velocidade de Zaracho pela direita que procura Lautaro Martínez no centro da área, porém a bola chega até Centurión, que invade a área por trás da marcação do defensor e empurra a bola para o fundo das redes.

Porém, o sistema defensivo ainda não transmite confiança…

O sistema ofensivo do Racing demonstra muita qualidade, porém a defesa ainda não está com a mesma organização. Alexis Soto pelo lado esquerdo é um ponto fraco na marcação da equipe. Em busca de uma melhora no setor, Coudet pode optar por Gonzalo Piovi, mas seguro no quesito defensivo.

No flagra acima, o Lanús avança com os seus alas e a “pelota” sai da esquerda, cruza toda a área, até chegar ao ala direito, que encontra espaços nas costas do lateral-esquerdo Alexis Soto para se infiltrar e finalizar.

O Racing se defende em um 4-4-1-1 com a recomposição dos homens de lado Centurión e Zaracho. Por dentro, como uma dupla de volantes (na Argentina se chama “doble 5”), Neri Cardozo recua e tenta forçar na marcação ao lado de Neri Domínguez, único volante com mais características defensiva da equipe.

Lautaro Martínez fica responsável por iniciar as jogadas de contra-ataques pelo centro, utiliza do seu porte físico para cadenciar o jogo quando preciso, até a aproximação novamente dos homens de lado.

Recomposição dos jogadores do Racing: equipe se aproxima de um 4-4-1-1.

A frente de Lautaro Martínez, com a função de prender os zagueiros adversários para que os mesmos não avancem muito as linhas, Lisandro López evita recuar muito, faz o papel de pivô e também oferece cadencia a equipe quando necessário.

É muito do que exige uma competição sul-americana, porém não é tudo! O Racing carece de uma força física no meio de campo, o que enfraquece o poder de marcação da equipe no setor.

O trabalho de Eduardo Coudet a partir de então é conseguir encontrar um equilíbrio entre o seu eficiente setor ofensivo e o sistema defensivo, que ainda apresenta falhas imperdoáveis para chegar longe em uma competição de Libertadores da América.

@michelcorbacho

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