VASCO x JORGE WILSTERMANN – #impressões

Por Hudson Martins

vasco

Fonte: goal.com

Paulão (17′), Paulinho (40′), Yago Pikachu (87′), Rildo (83′)

  1. O primeiro tempo do Vasco foi de altíssimo nível. O melhor futebol praticado em São Januário em anos. O segundo tempo não foi ruim, mas houve riscos. Para entendermos o todo, acho importante olharmos para o outro lado.
  2. Me parece que a estratégia inicial do Wilstermann foi equivocada. O Vasco dá mostras, desde o início da temporada, que ainda não é plenamente confortável no início da construção quando o adversário sobe o bloco. Geralmente recua a bola até Martín Silva, que costuma recorrer às ligações diretas. Mas ontem, com o bloco baixíssimo do Wilstermann no primeiro tempo, o Vasco tinha muitos metros disponíveis na primeira fase ofensiva. Some-se a isso o desejo expresso por Zé Ricardo, desde a sua chegada, por uma construção mais apoiada, e já temos aqui bons argumentos para entender os mais de 70% de posse vascaína no primeiro tempo.
  3. Além disso, há outro fator importante: a linha de cinco dos visitantes não me pareceu uma escolha adequada por dois motivos. Primeiro, porque a única referência vascaína é Andrés Rios, de modo que havia três defensores para apenas um atacante – o que estoura em algum lugar, logicamente. Lucas Gaúcho, sozinho na frente, explica o segundo problema. Aparentemente, ele tinha a instrução de tirar a linha de passe de Leandro Desabato. Mas mesmo assim, com Paulão e Ricardo Graça, sempre havia superioridade, de modo que sobrava espaço para conduzir a bola até a intermediária adversária e, a partir daí, procurar os desequilíbrios. O Vasco me parece uma equipe mais à vontade na segunda fase da construção do que na primeira. Dar ao Vasco a bola, o tempo e o espaço é dar ao Vasco o que ele quer.
  4. Isto dito, me parece importante ressaltar alguns dos mecanismos ofensivos do Vasco. Começando pelos apoios. E aqui, por Leandro Desabato. É bem verdade que são arraigados, na nossa cultura futebolística, as figuras dos camisas dez e nove, mas talvez a função mais do jogo, especialmente para quem quer atacar bem, é a do chamado pivote. Desabato traz superioridades que não havia no último ano porque é confortável com a bola, é extremamente associativo, é inteligente sem a bola, abrindo espaços sucessivos para os companheiros. Com ele, o início da construção vascaína é cada vez mais fluido. O mesmo vale para Wellington, jogador para quem o tempo (e as experiências negativas na carreira) parecem ter feito muito bem, embora este não tenha sido seu melhor jogo. Quando as linhas do Wilstermann impediam a progressão, Evander recuava vários metros, o que é importante porque atraía a marcação adversária (ora feita em perseguições) e porque Evander tem a capacidade de rasgar as linhas adversárias com um passe vertical (se tiver dúvidas, veja o que ele fez aos 12 minutos do segundo tempo). É por isso que me parece que o Vasco é mais confortável na segunda fase de construção do que na primeira, tem facilidade para circular a posse e, à medida que consolida seus mecanismos ofensivos, ataca com mais qualidade.
  5. Especialmente durante o primeiro tempo, o Vasco deu algumas mostras de mobilidade ofensiva muito interessante. Embora eu ainda ache que Paulinho e Wagner possam abrir um pouco mais o corredor para os laterais, houve breves situações em que os dois ocupavam a mesma faixa do campo, o que permitia ao Vasco não apenas superioridade numérica, como qualitativa, fazendo com que a conservação da posse e a progressão fossem feitas com muita segurança. Quanto mais próximos estiverem os meias, me parece que mais fluido será o ataque vascaíno.
  6. É importante dar os devidos méritos para Andrés Rios, que talvez tenha feito seu melhor jogo pelo Vasco. Embora não seja exatamente um definidor, Rios é um atacante solidário, que cria apoios sucessivos e que talvez já tenha percebido que sua utilidade é diretamente proporcional à simplicidade do seu jogo. É especialmente importante como apoio para Paulão e Ricardo, fazendo as paredes que permitem que os volantes e meias recebam a bola de frente para jogo, em condições de trabalhar a posse. Me parece uma característica bem diferente de Riascos, o que me leva a crer que, para além das questões técnicas que podem ser levantadas sobre ambos, o Vasco tem dois centroavantes que se complementam, o que é importante.
  7. Ainda no primeiro tempo, Yago Pikachu ensaiou um movimento interior bastante interessante. Não foi um padrão, mas também não me pareceu um movimento circunstancial. Como um volante, criou um apoio por dentro, com o extremo (acho que Paulinho) voltando alguns metros. Foi algo bem pontual, mas que me soa como uma alterativa interessante para jogos como esse, em que o Vasco precise criar vantagens pelo corredor central. Pikachu é um jogador que gosta de ter a bola e, neste início de Libertadores, tem tido um desempenho elogiável.
  8. Como esperado, o Wilstermann desfez a linha de cinco e subiu o bloco para o segundo tempo. Como esperado, melhorou. Especialmente a entrada de Cristian Chávez trouxe um acréscimo técnico bastante razoável, especialmente pelo corredor esquerdo, eventualmente combinando com Marcelo Bergese. Yago Pikachu me parece que precisa estar um pouco mais atento ao seu posicionamento em organização defensiva – foi nos espaços próximos a ele que o Wilstermann entrou na área vascaína com algum perigo.
  9. Assim como no primeiro jogo contra o Concepción, é preciso dizer que o Vasco contou com alguma dose de sorte. Isso não minimiza, em hipótese alguma, os grandíssimos resultados recentes, mas dá mostras de que ainda há margem de melhora. Confirmando a classificação, tenho a impressão de que o Vasco entra na fase de grupos para ser competitivo. O que, para o momento atual, já é uma grande conquista.

@hudrmp

 

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