TCHÊ TCHÊ – PALMEIRAS

Por Igor Serrate

Como muito vem sendo falando sobre o futebol e a forma de jogar do Tchê Tchê nesse começo de temporada (2018) e comparando com a temporada de 2016, decidimos pegar alguns números e falar sobre eles, mostrando como Tchê Tchê se faz necessário nesse time do Palmeiras em 2018.

Falaremos principalmente do passe, que tanto foi criticado. Pegamos umas amostragens dos 5 primeiros jogos do Palmeiras, para levantamento de informações, onde serão citados com imagens, garantido de forma argumentativa o que foi mostrado no texto.

De forma geral, nesses 5 jogos, Tchê Tchê tem média de 46.79 passes por jogo, com 88.4% de sucesso em seus passes, e com um total de 195 passes. O que já mostra uma qualidade muito boa em relação a porcentagem de acerto de passe. Se pegarmos outro jogador, como por exemplo o Jadson jogando como LCMF (meio campista que jogar por dentro do lado esquerdo), ele tem 47.68 de média em passe e apenas 79% de acertos, é uma diferença que, querendo ou não, tem seus sentidos, se tratando de dois jogadores que chegam bem a frente, e conseguem vir atrás e ajudam nas iniciações das jogadas, mas claro, guardando suas respectivas funções dentro de campo. Porém, que serve para mostrar que, o passe é relativo em detrimento a função que o jogador tem em campo.

Pegamos o jogo contra o Botafogo-SP, onde o Tchê Tchê atuou como RCMF (meio campista que joga por dentro do lado direito, como mostra a imagem abaixo).

PAL 1

Claro que essa é a posição estática inicial do jogador, durante a partida ele tem toda sua movimentação, sendo feita, dentro do terço médio (meio de campo). Onde circula muito, dando opções nas jogadas e criando espaços. É exatamente onde começa a função do Tchê Tchê, função essa de, facilitar a saída de bola, auxiliando o Felipe Melo tanto em abrir espaços e também em conduzir a bola para frente na fase ofensiva e na fase defensiva, ele aparece fechando os espaços deixados para não haver possibilidade de um passe do time adversário quebrar a linha de marcação. Ele também revesa com o Lucas Lima, que volta para contribuir com a iniciação da jogada, com mais qualidade e criatividade.

Tem um ponto forte no setor direito por dentro, onde auxiliou tanto o ponta quando o lateral, que pode ser visto no mapa de calor logo a baixo, mostrando toda sua circulação no meio campo.

PAL 2

Nesse jogo, foi onde ele teve o maior acerto de passes, 50/49 passes, tirando os passes longos e os passes em profundidades, deixando apenas os passes curtos, como mostra a imagem abaixo, o seu passmap (mapa de passe).

PAL 3

Com apenas 1 passe errado nesse jogo em específico, mostra como vem sendo o homem que “carrega o piano”, aparecendo quase toda parte do campo, dando opção para receber um passe e, se movimentando para dá o passe.

Se olharmos bem nitidamente para os passes negativos (passe para trás) percebe-se muito claramente que Tchê Tchê visa dar opção para construção da jogada, tentando assim distribuir os passes e sendo opção para receber novamente, fazendo a movimentação levando a marcação ou para receber à frente, ajudando o Felipe Melo na construção, ora dando suporte no espaço deixado por ele, ora conduzindo a bola.

Nesse mesmo jogo, ele teve 45 passes recebidos com apenas 4 perdas da posse de bola, como mostra a figura a baixo, o seu “receivid pass map” (mapa de passes recebidos).

PAL 4

Agora, depois de mostrado como funciona sua função dentro de campo, em relação ao modelo de jogo que Roger tem implementado no time do Palmeiras, é chegada a hora de mostrar como a crítica em cima do Tchê Tchê em relação aos passes negativos (para trás) e os passes positivos (para frente) tem pouco embasamento quando confrontados em contexto da função do Tchê Tchê no time do Palmeiras nesse começo de temporada.

O Tchê Tchê nesses 5 jogos, tem média de 14.77 passes para frente, com 84% de sucesso, ou seja, são 14.77 por jogo que ele toca a boa de forma positiva, com 84% de sucesso e com qualidade.

No jogo contra o Botafogo-SP ele teve 12/11 passes para frente com 92% de acerto, como mostra seu mapa de “Forward passes/accurate” (passe para frente/preciso).

PAL 6A

Em seguida os outros 4 mapas de “Forward passes/accurate” (passe para frente/preciso). Contra o Santo André o Tchê Tchê teve 8/4 passes para frente, com 50% de acertos. Abaixo a posição dos erros e acertos.

PAL 6

Contra o RB Brasil, Tchê Tchê teve 11/8 passes com 73% de sucesso, errando apenas 3 passes para frente, como mostra abaixo.

PAL 7

Contra o Bragantino, Tchê Tchê teve 19/18 passes para frente com 95% de acerto de passe. Destacando que, entre esses passes ainda tem um “Key Pass” para finalização do Borja.

PAL 8

Contra o Santos, Tchê Tchê teve 11/11 passes para frente com 100% de acerto no passe positivo. Na sua grande maioria caindo pela faixa direita do campo, apoiando o ponta e também o lateral que fazia ultrapassagem.

PAL 9

Agora para completar a análise do Tchê Tchê, em relação aos passes positivos, vamos aos passes negativos que tanto foi falado durante começo dessa temporada e tanto criticado.

O Tchê Tchê nesses 5 jogos tem 7.7 passes negativos “Back passes/accurate“ (passes para trás) com 96.5% de acerto. O que mostra que, além da qualidade de tirar a bola de pressão quando necessário, a grande maioria desses passes se dá na construção da saída  de bola ou na reinicialização da mesma, dando apoio e suporte aos jogadores, tanto como opção de passe, como espaço para avançar.

Contra o Santo André, Tchê Tchê teve 5/5 passes para trás com 100% de acerto. Basicamente mostrando o auxílio que ele dá na faixa direita e na faixa esquerda do campo.

PAL 10

Contra o Botafogo-SP, Tchê Tchê teve 12/12 passes para trás com 100% de acerto. Novamente mostrando como funciona esse deslocamento do passe negativo, vindo das faixas laterais para dentro. Podendo ter como receptor do passe, Thiago Martins, Felipe Melo e Antônio Carlos. Os dois passes no setor ofensivo, perto do escanteio se dá devido ao próprio escanteio que foi cobrado rasteiro.

 PAL 11

Contra o RB Brasil, Tchê Tchê teve 6/5 passes com 83% de acertos. Como dá para observar no mapa de “back passes”, a orientação do passe segue a mesma ideia dos “back passes” anteriores. Da faixa lateral pra dentro ou pro meio.

PAL 12

Contra o Bragantino, Tchê Tchê teve 5/5 passes com 100% de acertos. E novamanete seguindo a mesma ideia de passe negativo no terço médio, da faixa lateral pra dentro.

PAL 13

Contra o Santos, Tchê Tchê teve novamente 5/5 passes com 100% de acerto. Mas detalhe para a faixa direita com 3 passes próximos, onde nesse jogo ele estava dando suporte para o lateral e para o ponta, se aproximando e tentando triangular.

PAL 14

E com as imagens que foram colocadas em pauta, embasando o que foi escrito no texto, mostra que a crítica ao Tchê Tchê em relação ao passe negativo não se sustenta quando você confronta com modelo de jogo e com o contexto da função que ele executa em campo. Sempre bom lembrar que o passe para trás nem sempre condiz com erros individuais ou coletivos, ele também se encaixa na possibilidade de melhor saída, tirar a bola de uma zona de pressão ou até mesmo trabalhar a posse com um passe mais qualificado e com um sistema ofensivo mais organizado para que os passes positivos sejam mais bem efetuados.

Não podemos criticar apenas por criticar sem entender o contexto e funções em que são colocados os jogadores em campo em relação ao próprio passe e a movimentação para receber o passe.  Espero que tenham entendido, e peguem leve com as cornetas.

Todos dados e imagens via Wyscout.

@Análise_SEP

@serrategaludo

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