O INÍCIO DE TEMPORADA DO MENGO

Por Luan Silveira

São três momentos distintos do Flamengo na atual temporada a serem abordados: diante de Volta Redonda e Cabofriense com um time predominantemente de garotos; Bangu e Vasco com um time mesclado; e Nova Iguaçu e Botafogo com o time praticamente completo.

Nos dois primeiros jogos não dá para se depreender praticamente nada para o restante da temporada, pois o time começou cheio de garotos que jogaram a Copinha ou que não atuaram na temporada anterior.

As formações usadas foram um 4-4-2 bem simples, contra o Voltaço na vitória por 2×0, e um 4-3-3 (com a entrada de Renê, Rodinei, Léo Duarte, Vinícius Jr. e Lincoln) com Ronaldo e Jean Lucas como interiores e responsáveis pela articulação das jogadas, contra a Cabofriense na vitória por 1×0. A primeira foi bastante elogiada, muito pelo entendimento dos meninos que jogaram bastante compactados e, com um preparo físico bom, apresentaram muita intensidade em campo, enquanto a segunda formação mostrou-se mais complicada para criação das jogadas, muito em parte por uma postura mais cautelosa do time adversário. Destaque para Pepê e Lucas Silva, autores dos golaços no primeiro jogo e de outras belas jogadas durante aquela partida, e para Ronaldo e Thuler que jogaram muito bem nos dois jogos, com o primeiro sendo responsável por 3 passes para finalização e nove desarmes.

Em um segundo momento (Bangu e Vasco) é possível observar algumas características do time de Carpegiani: a utilização do 4-1-4-1; o lateral-direito gerando a amplitude por aquele lado liberando o ponta para partir por dentro; e a marcação individual.

https://twitter.com/Analise_CRF/status/956279735042170880

Em contrapartida, com a entrada de atletas experientes que tiveram menos tempo de preparação, o rendimento da equipe caiu, vitória de 1×0 sobre o Bangu e empate sem gols no Clássico dos Milhões. Os primeiros sinais de insatisfação da torcida apareceriam neste jogo contra o Vasco.

Mesmo sendo cedo para traçar qualquer prognóstico sobre o Flamengo, haja vista o curto tempo de preparação (Os atletas se apresentaram no dia 3 de janeiro, com os titulares se apresentando no dia 13 e a estreia no Carioca sendo 17) e a troca no comando tão em cima da hora (Rueda só comunicou seu desligamento no dia da reapresentação), é possível analisar as ideias já apresentadas por Paulo César Carpegiani com mais clareza nos jogos contra Nova Iguaçu e Botafogo.

Flamengo e Nova Iguaçu se enfrentaram pela 5ª rodada da Taça Guanabara. O time rubro-negro já havia garantido a vaga na semifinal, mas o visitante precisava da vitória e, para conquistá-la, adotou uma postura reativa, com linhas bem baixas e valendo-se de uma bola para ganhar o jogo e avançar na competição.

Nesse ponto da competição o Flamengo não havia sofrido gols e não sofreu muito na partida para se manter assim. Utilizando-se de uma marcação por encaixe contra um time tecnicamente inferior que atuava de modo reativo não há que se falar, neste jogo, de falhas do time em relação a isso.

Por outro lado, o ataque foi bastante acionado. Com um domínio total do confronto, principalmente na primeira etapa, pode-se observar um time escalado no 4-1-4-1, com Cuéllar à frente da zaga, Paquetá e Diego como interiores e Éverton Ribeiro e Éverton como pontas, porém no decorrer do jogo se viu uma constante movimentação, principalmente entre os quatro homens mais avançados no meio campo, seja com Éverton Ribeiro trocando com Diego e vindo auxiliar na saída de bola, seja com Éverton trocando com Paquetá no momento da transição defensiva, ou até mesmo com Paquetá entrando na área fazendo Lincoln cair pra direita e trazendo ER7 pro meio.

Há também um entendimento entre os pontas e os laterais que por vezes se alternam quanto a quem gera amplitude e quem centraliza a depender do momento ofensivo, apesar de via de regra ser o ponta pelo lado esquerdo e o lateral pelo lado direito. Isso poderá ser observado com mais clareza ainda no jogo seguinte.

 Além disso, observou-se um jogo muito mais associativo em relação às partidas anteriores, com duas ou mais linhas de passe disponíveis, fora Cuéllar como uma opção de retorno em alguns momentos. Entretanto nem tudo são flores e o time não apresentou muita amplitude, Pará fez um péssimo primeiro tempo e pediu para sair e pelo lado esquerdo Paquetá e Éverton centralizavam muito, o que facilitou bastante as ações defensivas do Nova Iguaçu.

No segundo tempo, como esperado, o time caiu de rendimento. Menos movimentações lá na frente e uma troca de passes sem muita objetividade em diversos momentos. Aliado a isso, Carpegiani tirou Lincoln para a entrada de Vinícius Jr. levando o time a perder um pouco de profundidade.

Mesmo após uma má atuação na segunda etapa o Flamengo foi premiado com a vitória após um golaço de Rhodolfo do meio da rua.

FLA 2

Após uma semana cheia de preparação e com a utilização da mesma formação do jogo anterior foi possível, pela primeira vez, exigir, ainda que minimamente, uma boa atuação do time na semifinal contra o Botafogo. E o que se viu foi a melhor atuação até agora.

FLAM

Contra o Nova Iguaçu houve constantes trocas de posição do meio para frente e pela primeira vez foi visto um jogo mais associativo, apesar da falta de amplitude que concentrou o jogo no centro, mas na semifinal a amplitude apareceu e as trocas de posição e o jogo apoiado permaneceram, gerando um número recorde de finalizações no ano (18 finalizações, 8 certas, superando as 17 contra a Cabofriense, com apenas seis certas). A tendência com a entrada do Ceifador seria de uma figura de referência mais forte que Lincoln, que saía bastante da área, e foi o que aconteceu. Dourado foi um dos melhores em campo levando muita vantagem sobre os zagueiros alvinegros e ajudando bastante os companheiros em triangulações.

Um dos problemas desse início de ano se repetiu no jogo contra o Bota: a marcação por encaixes não “encaixou” corretamente em alguns momentos. Esses encaixes propostos por Carpegiani geram perseguições que desgastam os jogadores e expões os laterais que muitas vezes saem para marcar o ponta adversário e deixam as laterais desguarnecidos. Fica bem claro no gol de Kieza como os adversários vão poder explorar isso durante a temporada.

FLA 1       Fonte: TV Uol

O Flamengo já não tem bons laterais (Renê e Pará são os titulares quando esse texto foi escrito) e agora possui um esquema que os fragiliza. Não é que a marcação por encaixes no setor esteja errada, pois não existe verdade absoluta em relação a isso, mas é muito mais difícil sua execução correta se comparada a em zona. Era assim (por zona) que jogava-se com Rueda e é assim que se joga na imensa maioria dos clubes europeus, pois lá a marcação é visa a ocupação de espaços balançando pro lado da bola enquanto a marcação por encaixes e a individual visam primeiro o jogador e a bola.

Sobre os sistemas de marcação recomendo a leitura desse texto do Caio Gondo (@caiogondo):

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E isso se aplica aos meio-campistas e pontas também, ainda mais que um de nossos pontas é Éverton Ribeiro, sabidamente um marcador de pouca qualidade. Essas perseguições forçam os meias a, eventualmente, “quebrar” a segunda linha de marcação e pode gerar um espaço maior pro adversário que saiba explorá-lo.

Inclusive a titularidade de Éverton está muito mais atrelada ao fato de este marcar melhor que Vinícius que qualquer outra coisa, até pela fragilidade do Flamengo nos lados do campo. Em uma marcação em zona possivelmente Vinícius seria titular.

O cenário é promissor ofensivamente e preocupante defensivamente, mas com um avanço na preparação física é possível que o time sofra menos lá atrás e comece a fazer uma pressão pós-perda maior ou até mesmo suba esse bloco de marcação pra reduzir os espaços e roubar essa bola mais perto do gol adversário, até porque enfrentará adversários qualificados na Libertadores e um time reativo, em bloco mais baixo, com os jogadores que temos não parece uma boa solução.

@luansilveirap

@analise_CRF

 

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