O ATLETICO PARANAENSE DE FERNANDO DINIZ

Por André Frehse Ribas

Todos queriam ver Fernando Diniz à frente de uma grande equipe da Série A. O motivo? Saber se ele conseguiria colocar suas ideias em prática em um clube de maior expressão. Agora, no comando do Atlético-PR, Diniz tem a chance que tanto procurou. Treinar um clube grande e com uma estrutura fantástica.

Em seu primeiro jogo com o rubro-negro Paranaense, o técnico deixou claro as ideias que vai tentar implantar. Posse de bola, intensidade, construção coletiva e, o principal, um futebol bonito de se assistir.

ORGANIZAÇÃO TÁTICA

Contra o Caxias, Diniz adotou o 3–4–3 como seu esquema de jogo, muito utilizado na Europa. Um exemplo é o Chelsea de Antonio Conte, que joga nessa formação.Sem a bola, o Atlético formava uma primeira linha defensiva de 5 e uma segunda linha de 4, no 5–4–1.

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Formação 3–4–3.

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Sem a bola no 5–4–1.

Na zaga, o Atlético-PR jogou com Wanderson, Paulo André e Thiago Heleno. Nos lados, Jonathan e Carleto eram os responsáveis por darem amplitude à equipe, abrirem o jogo, além de compor a primeira linha de defesa. No meio, Rafhael Veiga e Rossetto, com características mais ofensivas, se movimentavam e trocavam de posição para dar opções na faixa central do campo, sempre atacando os espaços. No ataque, Nikão e Guilherme jogavam mais abertos, enquanto Ribamar jogava centralizado, dando profundidade à equipe.

Nesse jogo, Carleto encontrou dificuldades em apoiar, pois errou muitos passes e não conseguiu vencer os duelos individuais pelo lado, enquanto Jonathan foi mais eficiente nos passes e na ocupação dos espaços, mas ainda estava fora de ritmo. Uma das grandes chances da equipe saiu de seus pés para Guilherme, que parou em Gledson, que fez uma defesa monumental.

Na recomposição, Carleto teve problemas para compor a linha de 5, devido a falta de entrosamento e ritmo, tendo dificuldades para ir ao ataque e voltar para defender. Jonathan foi mais sólido e cumpriu melhor o seu papel na marcação. Só não foi perfeito, pois deixou o Caxias chegar uma vez por suas costas.

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Jonathan e Carleto são os responsavéis por darem amplitude à equipe. Note os espaços que se abrem na linha defensiva do Caxias.

MARCAÇÃO E CONSTRUÇÃO

O time Rubro-Negro marcou por zona, com linhas médias e compactas, sempre com um jogador pressionando o adversário (pressão sem intensidade) que está com a bola. Na recuperação da bola, o time procurava tirar a bola da zona de pressão para evitar a superioridade númerica do adversário na zona da bola.

Wanderson e Thiago Heleno se revezavam nas descidas ao ataque. Na hora em que o Atlético realizava sua transição ofensiva, um deles servia como apoio a quem tinha a bola, aparecendo como opção de jogo. Quando o Caxias recuperava essa bola, um deles era peça fundamental na transição defensiva do Atlético-PR. Nas saídas de bola, o goleiro Santos, assim como em todos os times treinados pelo Diniz, procurava sair sem dar chutões, com passes curtos, tendo um papel importante com a bola nos pés.

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Thiago Heleno no apoio ofensivo. Ele e Wanderson se revezaram nas descidas ao ataque.

Quando tinha a bola, o Atlético-PR procurava dar opções ao portador dela para que ele tivesse facilidade em sair jogando. Sem opção de passe, o jogador que estava com a bola recomeçava o jogo sem se livrar dela.

Nesse jogo, o time rubro-negro teve dificuldades em ter a bola próximo da área do Caxias. Muito pela boa marcação da equipe gaúcha, que evitava essa chegada com duas linhas compactas. Com isso, o Atlético optou por jogar pelos lados, principalmente no primeiro tempo, mas é um ponto que o Fernando Diniz precisa trabalhar. Como ele mesmo fala, se aumenta as possibilidades de gol quando vários jogadores pisam na área.

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O jogador que está com a bola tem quatro opções: tocar para um dos seus companheiros (três com liberdade para receber) ou progredir com a bola ao ataque.

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Fonte: Footstats

Mapa de calor do Atlético-PR com a bola. Furacão teve dificuldades de ter a bola próximo da área. Imagem: Footstats.

Estão claras as ideias de Fernando Diniz, mas a execução ainda não é perfeita. Muito pela falta de entrosamento, que se ganha com jogos, treinos e com o tempo. O torcedor Atleticano pode esperar um time que quer ter a posse, mas não só por ter, para criar, envolver e atacar. E, para isso, cada jogador é importante nesse processo. Marcar, atacar e se movimentar, um jogo de intensidade, um jogo de Fernando Diniz.

@Andre_Frehse

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