A ORGANIZAÇÃO TÁTICA DO SANTOS FC EM 2018

Por Daniel Lima

O Santos começou o ano com uma brusca mudança no comando técnico do seu time profissional (sai Levir Culpi e entra Jair Ventura além da saída de Elano, que ocupava as vias de interino e assistente técnico, chegando a ocupar o comando do time no final do ano passado ).

O time manteve boa parte da base do ano anterior, sentindo mais a saída de Lucas Lima, já que Ricardo Oliveira não usufruía mais daquela fase espetacular que o levara à seleção brasileira em 2016.

As reposições, no entanto, preocupam um pouco o torcedor do Peixe, pois chegaram poucas peças, Sasha veio do Internacional para compor o ataque, Romario veio do Ceará, tentando suprir um pouco a lateral esquerda (medida de precaução até que o clube resolva o problema com Zeca na justiça), e a maior de todas as contratações, aquele que pode ser chamado literalmente de reforço, Gabriel Barbosa, o Gabigol

Por enquanto, mesmo com a boa notícia da promessa de reforços, o torcedor deposita as esperanças em dois nomes, Rodrygo e Arthur Gomes, jovens valores da base alvinegra, que começaram o ano muito bem, fazendo gols e decidindo jogos, compensando a carência nítida que o time possui no ataque;

O restante, segue o mesmo, com Vecchio assumindo a armação de jogadas, acumulando algumas assistências.

ESQUEMA TÁTICO:

Como aprendemos nas lições do professor Guardiola, o esquema tático não passa de um número de telefone, nem tanto, porque aqui vemos que é nele que compreendemos o posicionamento referencial dos jogadores, por isso tem sua importância, sim.

O time não atua mais no antigo 4-2-3-1, pois passou a se posicionar mais no 4-3-3, se defendendo no 4-1-4-1, com um volante mais fixo à frente dos zagueiros, dois meias e três atacantes, ao menos no papel.

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Tactical Pad

Time titular que entrou contra o Palmeiras, destaque para a entrada de Robson Bambu.

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Base do time que empatou com a Ferroviária, destaque para a volta de Gabigol. (Tactical Pad)

MODELO DE JOGO:

Defesa: O Santos joga com uma linha de quatro defensores, normalmente posicionada em linha baixa, onde cada um cuida do seu espaço de atuação, marcando por zona e é formada por:

Na direita por Victor Ferraz, que se machucou, dando lugar a Daniel Guedes, ambos de muito apoio ofensivo

A dupla de zaga é formada pelo experiente David Braz, jogador pouco técnico mas firme e com bom jogo aéreo, e Lucas Verissimo, que se destaca por seu bom poder de recuperação, velocidade e boa estatura, se lesionou, abrindo vaga para o também competente Luiz Filipe, que por sua vez cedeu lugar a Robson Bambu, também por lesão. O atual parceiro de defesa de Braz é Gustavo Henrique ( o que prova o bom plantel de zagueiros ), bom defensor, vinha sendo o titular absoluto antes de sofrer com lesões.

A linha de defesa é completada pelo lateral esquerdo Cajú, jogador de apoio assim como Emerson, iniciaram o ano se revezando, mas pouco agradaram (o time ainda sente a ausência de Zeca) exceto quando Jair tentou ousar utilizando Copete na ala esquerda como apoiador, devido ao seus bons cruzamentos.

Meio campo À frente desta linha de quatro, temos outra linha de jogadores, Vecchio e Renato ( como interiores ), Arthur Gomes e Copete (atacantes extremos), nos primeiros jogos ( entendendo que no futebol moderno todos atacam e defendem juntos ), protegendo o espaço entrelinhas joga Alison, cobrindo os laterais e gerando superioridade na zona da bola, tendo sempre a bola como referência, apoiado por mais de um jogador no setor.

Ataque O centroavante fica na pressão dos zagueiros/volantes. Como vimos no duelo contra a Ferroviária, Jair fez uma mudança posicional no ataque do peixe, mas isso não implica em mudanças quando o time se defende, Gabigol entra no comando de ataque, joga como referência móvel, tem liberdade para transitar até fora da área, por isso Sasha foi para a faixa esquerda do campo, tendo que fechar a segunda linha pela esquerda e acompanhar o lateral adversário, isso evidência que, mesmo alternando as peças, o time não muda o modelo, isso se refere à forma que ataca, se defende etc.

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Neste momento o time se encontra em bloco baixo, Renato e Vecchio ajudam no balanço defensivo, fazendo flutuação na zona da bola. Fonte: Premiere FC

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Linha defensiva bem fechada e agrupada (Cajú,Gustavo,Henrique,Braz,Daniel Guedes) apoiada pelos extremos (Sasha,Arthur) e tendo Renato de central com dois meias mais à frente, Jean e Vecchio. Fonte: Premiere FC

Saída de bola:

Quando o Santos sai de trás para construir seu jogo, prefere sair com apoios curtos, tenta alargar o campo pelos lados, os zagueiros não avançam muito, circula muito a bola com os laterais e o primeiro volante ( a chamada saída em “u” ). Ganha mais qualidade quando Renato se aproxima para o apoio, mesmo assim, está longe do ideal. Vecchio podia gerar mais apoio também, pois o time acaba se dividindo, muito espaçado, com pouca circulação por dentro. Jair vem experimentando outros jogadores no setor do meio-campo, como Jean Mota de interior pela esquerda, Renato que atuou no lugar de Alison como primeiro volante (Alison estava suspenso) e o próprio Cittadini chegou a ser opção (meia interior pela direita) pelo bom passe.

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O time tenta sair com o lateral direito Daniel Guedes, mas… Sem apoio, acaba por recuar para os zagueiros ficando com uma saída em “u” Fonte: Premiere FC

TRANSIÇÃO OFENSIVA:

O Santos encontra nestas transições a sua maior eficácia. O time assim que recupera a posse se solta para o ataque com meias tendo a função de ligar o jogo com os pontas constantemente, Vecchio tem sido o jogador da ligação, onde usa bem a sua qualidade no último passe, criando boas chances dos seus pés, além de Arthur Gomes e Copete muito ligados pelas alas. O time mantém seu posicionamento sem a posse em uma linha média ou baixa, dando pequenos combates no setor do portador da bola, não se arrisca muito em subir as linhas, prefere se resguardar para quando recuperar a posse, sair em velocidade, verticalizando o seu jogo com poucos passes, e para isso, depende muito dos jogadores posicionados pelos flancos (Arthur Gomes, Sasha,Gabigol ou Copete) pois aqueles que jogam de interior (Vecchio, Renato, Jean Mota ou Alison) assumem a missão de acelerar pelo passe longo, não com passadas largas.

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Aqui Vecchio aciona o ataque, dessa vez pela esquerda, mas sempre com uma transição veloz Fonte: Premiere FC

TRANSIÇÃO DEFENSIVA:

Todos voltam atrás da linha da bola ao perder a posse, onde a prioridade é se organizar no campo de defesa. Com isso a pressão sobre o portador da bola quase não ocorre no campo ofensivo, com a prioridade de reorganizar a última linha, que conta com uma volta ruim de seus laterais apoiadores, onde os adversários têm aproveitado estes espaços, sobretudo o lado esquerdo, onde Cajú demonstra insegurança e falta de confiança, além da inexperiência que pesa contra. Como volante Alison que cobre muito os lados toma muitos cartões e Renato ajuda na volta, mas conta com pouco apoio do quase nada combativo Vecchio.

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Time recompõe mal pelo lado esquerdo, e os adversários aproveitam, gol da Ponte Preta… Fonte: Premiere FC

MOMENTO OFENSIVO:

No chamado último terço, os meias interiores atuam próximos às laterais, tentando gerar superioridade numérica no jogo apoiado, com boa participação de Vecchio e Renato. O argentino se projeta mais, por vezes tentando arrastar as linhas para perto da grande área, caindo pelo meio distribuiu boas assistências para os atacantes. Os pontas abrem o campo, se revezando com os laterais, quando um vai por fora, o outro cai por dentro, assim o time cria variedades com os pontas invertendo de lado, até pra facilitar no arremate, com Copete pelo lado direito e Arthur Gomes pelo esquerdo. Com a ocasião de ter Gabigol de volta ao ataque, há uma redefinição no posicionamento do time, Sasha cai mais pelo lado esquerdo, deixando de ser a única referência, cedendo a Gabigol a função mais fixa, embora haja flexibilidade no setor, com ampla movimentação com bola do camisa 10. Arthur por sua vez permanece na extrema direita. Quando chega agrupado em bloco no último setor, percebe-se pouca variedade de jogadas, exceto quando Vecchio encontra alguém por dentro, a equipe aciona os atacantes com muitos cruzamentos, tanto da esquerda quanto pela direita, tendo principalmente Arthur Gomes e Copete como cruzadores.

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Todos se aproximam para dar superioridade numérica no setor e manter a progressão com a posse… Fonte:Premiere FC

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Arthur Gomes tenta se livrar do marcador e lançar a bola na grande área, Gabigol no primeiro pau e Sasha no segundo. Fonte: Premiere FC

@ElDaniLima

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