A CURTA PRÉ-TEMPORADA NO BRASIL

Por Matheus Schadeck

Começou a temporada no Brasil e estamos ansiosos para ver nossas equipes em ação. É o momento de observarmos as novas contratações juntamente com a evolução do esquema tático apresentado pelos nossos treinadores. Passam-se uma, duas, três rodadas e vemos nossos jogadores atrasados na marcação, com passes interceptados e o arremate a gol com aquela precisão que não nos agrada. Mas tudo é questão de tempo, são os efeitos da curta pré-temporada.

Todo ano, os jogadores dos clubes de ponta como os demais trabalhadores CLT nesse país, tem direito a 30 dias de férias previstos em lei, e normalmente tiram o tempo pra descansar e recarregar as baterias para a longa jornada de jogos que está por vir. Por conta do calendário que temos, a CBF, neste ano de 2018, reservou 14 dias (03 a 16 de janeiro) para a pré-temporada. Para se ter ideia, as equipes europeias contam com 35 a 45 dias de pré-temporada.

Mas voltando para a nossa realidade, os profissionais da comissão técnica tem que se virar nos trinta, ou melhor, em 14 dias para deixarem os jogadores aptos para encarar a temporada longilínea de alto rendimento. Para isso é essencial ter uma boa periodização para obter um bom rendimento físico e uma boa performance ao longo da temporada. Periodização nada mais é do que a maneira que o treinamento é estruturado e organizado dentro de um planejamento para que os objetivos sejam alcançados nas competições a serem disputadas na temporada. Assim, as equipes em sua grande maioria dividem seus treinamentos de pré-temporada em 50% de trabalho físico, 30% de trabalho tático e 20% de trabalho técnico.

preparacação fisica

Cada equipe se utiliza de ferramentas para armazenamento de dados com informações que vão desde a carga de treinamento até o desempenho de seus jogadores nas partidas. Esses dados são utilizados a cada início de temporada para comparar as informações de depreciação/recondicionamento/evolução do atleta após os testes físicos iniciais de pré-temporada.

Por conta do curto espaço de tempo que as equipes disponibilizam, os profissionais buscam equilibrar seus treinamentos entre as partes: física, técnica, tática e também a psicológica. Respeitando a integridade biológica de cada atleta, suas cargas e volumes de treinamento são definidos. A cada dia que passa é analisado o desempenho e o desenvolvimento de cada jogador para poder progredir nos treinamentos. Esse trabalho da preparação física normalmente é feito em parceria com médicos e fisiologistas, onde ocorre um ajuste entre as cargas e volumes de treinamento para que não haja fadiga muscular ou queda de rendimento nos treinos.

Como consequência deste curto espaço de tempo que as equipes têm para se preparar adequadamente, o repouso dos atletas acaba sendo menor comparado às condições normais de uma periodização de longo prazo (4-6 semanas para uma temporada, como na Europa), e sabendo que cada atleta tem a sua característica (idade, posição, aptidão) faz com que ele não tenha condições ideais para uma recuperação completa, e se torna comum que nesses jogos iniciais os jogadores sintam mais o desgaste físico, tendo a seu desempenho comprometida e um rendimento abaixo do esperado, levando-os a cometer erros técnicos (cansaço físico) e táticos (cansaço psicológico) com maior frequência.

Fica a reflexão que, para termos uma pré-temporada ideal, as equipes teriam que ter à disposição no mínimo quatro semanas de preparação, praticamente o dobro que se tem hoje, para assim poder aplicar uma periodização completa, podendo explorar todo o potencial fisiológico de cada jogador. Mas como a realidade é outra, as equipes optam (e com razão) por mesclar seus times nas partidas iniciais e também utilizam esses jogos como parte do treinamento para não comprometer toda a sua temporada, fazendo com que erros primários nas primeiras partidas se tornam mais evidentes.

Matheus Schadeck

Educador Físico

Assessoria Esportiva

MBA – Marketing

CREF – 011459-G/RS

@schadeck10

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2 comentários sobre “A CURTA PRÉ-TEMPORADA NO BRASIL

  1. Perfeita sua reflexão sobre os graves erros cometidos boa Brasil por conta de um calendário maluco, com competições sobrepostas. Infelizmente não se vislumbra nenhum avanço para corrigir esta distorção, por conta de entidades, Federações Estaduais e Nacional, que priorizam tão somente os ganhos financeiros.

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