A DISCIPLINA DEFENSIVA DO SERRA SE TRANSFORMOU EM OFENSIVIDADE E VITÓRIA

Por Juliano Rangel

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Foto: João Brito/ESFC

Se perguntássemos a um torcedor do Serra que foi ao Estádio Kléber Andrade, no dia 19 de janeiro de 2018, na estreia da equipe no Campeonato Capixaba, contra o Espírito Santo, qual era a expectativa para a partida, a resposta seria no mínimo essa: “Nosso time ainda está em construção, teve seu técnico (Charles de Almeida) anunciado há poucos dias. O adversário já possui uma base, acho que o empate será uma boa”.

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Pressão realizada na saída de bola por Joelson e Rael e amplitude dos laterais do Espírito Santo

Seria o óbvio, mas como já diz aquela velha máxima do futebol “No futebol não há verdade que dure 90 minutos”, a equipe se moldou dentro de campo, com uma mudança de postura dentro da própria partida, que rendeu ao atual líder do Capixabão, com 100% de aproveitamento, uma forma de jogo bem definida e focalizada pelos adversários.

Com esquema montado num 4–4–2, a marcação pressão realizada na saída de bola do Espírito Santo, desde a primeira linha com Joelson e Rael, demonstrava uma das virtudes defensivas da equipe.

Já na linha de meio-campo, os pontas Paulo Ricardo (pela direita) e Rafinha (pela esquerda) fechavam os lados, principalmente quando o Espírito Santo saía tocando desde a sua área e os laterais Baiano e Gustavo Guimarães “abriam” bastante o campo com movimentos de amplitude.

Os volantes, Darlan e Hebert se dividiam nos momentos do bote para evitar os avanços, por dentro, do Espírito Santo. A linha de defesa, formada por Ivan, Marquinho, Alex Augusto e Deco também demonstrou um ótimo trabalho defensivo.

Se a disciplina defensiva era uma virtude do Serra, o Espírito Santo também não fugiu a essa regra, jogando também num 4–4–2, que ao perder a bola, ainda no campo de ataque, se reposicionava num 4–1–4–1, com o atacante Vitinho, voltando para recompor a linha do meio, deixando apenas Erick Foca mais a frente, e com Maycon atuando como único homem a frente da zaga.

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Espírito Santo no 4–1–4–1 com Vitinho recompondo a linha de meio-campo

O Santão, que havia iniciado a partida dando mais liberdade na saída de bola do Serra, depois dos 30 minutos, adiantou a marcação, obrigando o goleiro Walter, que recolocava a bola em jogo com tiros de metas curtos, a lançar a bola para frente.

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Marcação do Espírito Santo na saída de bola do Serra

Mesmo com todo o bom trabalho de defesa das duas equipes, faltava ataque e, é claro, o gol. E foi com uma falha de movimentação (neste caso o avanço em bloco da das duas últimas linhas) do Serra, que o Espírito Santo conseguiu abrir o placar já no final da primeira etapa.

Emílio + Pepeta + Diego = Vitória

Para o segundo tempo, o técnico Charles de Almeida optou pela mesma formação, mas o trabalho era diferente. A primeira linha formada por Rael e Joelson, ganhou mais força com o avanço das duas outras linhas e assim a pressão na saída de bola do Espírito Santo era muito maior, mas faltava algo.

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Marcação pressão do Serra na saída de bola do Espírito Santo

Então o técnico resolveu lançar no jogo o meio-campo Emílio e o meia-atacante Pepeta, nos lugares de Joelson e Deco. Era o Serra entrando num 4–3–3, com as duas mudanças dando mais apoio ao atacante Rael, que 13 minutos depois teve a chance de marcar, em uma cobrança de pênalti, mas acabou parando no goleiro Alan Faria.

Sem baixar a guarda, o técnico da equipe Serrana mexeu mais uma vez, lançando o atacante Diego Alves no lugar do meio-campo Paulo Ricardo. Se manteve o 4–3–3, agora com Emílio no meio-campo, centralizado, e Diego pelo lado direito.

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Serra no 4–3–3 com a última uma linha formada por Diego, Rael e Pepeta

Dois minutos depois de sua entrada, Diego conseguiu marcar o gol de empate do tricolor, em uma jogada em que o zagueiro Thiago Martinelli ficou na indecisão de deixar Rael impedido ou fazer a cobertura. Ele optou pela primeira opção, e Diego teve muito espaço para avança e marcar.

Mais três minutos e novamente ele, Diego, colocava o Serra em vantagem no placar. Desta vez, em um pequeno espaço, onde ele estava em inferioridade numérica contra a zaga do Espírito Santo (3 x 2), mas acabou ganhou a bola, após um belo passe em largo de Pepeta.

Era um Serra, muito diferente do que iniciou o jogo e com uma postura que chegou a impressionar o Espírito Santo, que ao longo da segunda etapa tentou segurar o prejuízo com as entradas de Zé Gatinha (atacante), Ranieri e Gustavo Salles (ambos volantes), mas não teve jeito.

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